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Saúde

Estudo da UFMG revela: vírus da febre amarela persiste

Pesquisadores analisaram partes dos genomas de micro-organismos

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No laboratório. Cientistas analisaram partes do genoma do vírus da febre amarela
PUBLICADO EM 02/07/18 - 03h00

Um estudo inédito feito por pesquisadores mineiros mostra que o vírus da febre amarela está conseguindo se manter no Sudeste do país. Os resultados, publicados recentemente na revista “Plos Neglected Tropical Diseases”, mostram que isso ocorreu nos últimos três anos. O achado comprovando a circulação do vírus da febre amarela por tempo prolongado fora da Bacia Amazônica, onde o vírus é endêmico, é extremamente importante. O tipo de bioma da Amazônia – com clima quente e úmido e as florestas com a presença de macacos (hospedeiros) e dos mosquitos Sabethes e Haemogogus – é propício para a manutenção do vírus.

Os cientistas analisaram parte dos genomas dos vírus que circularam nas epidemias de 2016-2017 e 2017-2018 no Sudeste. “Achávamos que o vírus de 2018 era o mesmo de 2017, mas não tínhamos provas”, conta a bióloga Betânia Drumond, professora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e orientadora do estudo, que foi tema de doutorado das alunas do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia da UFMG e biólogas Izabela Rezende e Lívia Sacchetto.

“Analisamos parte dos genomas desses vírus e comparamos com outros vírus, como os que circularam em São Paulo em 2016”, explica a orientadora. O que os pesquisadores descobriram foi que todos esses vírus têm uma única origem em comum. “Isso significa que o vírus entrou na região Sudeste e se manteve aqui, disseminando-se para diferentes Estados”, relata. “Tínhamos, eventualmente, surtos no Sudeste e no Sul do país. Mas eram surtos menores, pontuais, em algumas cidades apenas, com distribuição geográfica menor, e durante um ou dois anos somente. A Vigilância Epidemiológica detectava, vacinava (a população) no entorno e, no ano seguinte, não havia mais – ou havia poucos – casos de febre amarela”, explica Betânia.

A bióloga lembra que cientistas da Fiocruz do Rio de Janeiro já detectaram mutações nos vírus que circulam no Sudeste, recentemente. Ela, no entanto, ressalta que essas mutações ocorreram em partes do vírus que não têm relação direta com a vacina, que ainda é a forma mais eficaz de prevenir a doença. 

As descobertas trazem novos questionamentos. “Será que o vírus vai permanecer aqui durante mais tempo?”, indaga. Um tempo mais prolongado pode significar novos surtos no Sudeste. Betânia diz que as autoridades sanitárias do Estado têm monitorado a situação, mas que as pessoas têm que colaborar e se vacinar para prevenir a infecção. A vacina é oferecida nos postos de saúde.

Avanço

Saúde pública. Desde 2016, surtos e/ou epidemias de febre amarela têm ocorrido no Sudeste do país, com mais de 1.900 casos humanos relatados até abril de 2018, segundo o artigo.

 

Principal hipótese é que origem estaria na região Centro-Oeste

O estudo não conseguiu informações para determinar a origem do vírus da febre amarela que causou as duas últimas epidemias no país, em 2017 e 2018. Mas os pesquisadores levantaram algumas hipóteses. Uma delas, segundo Betânia Drumond, é que o vírus teria vindo do Centro-Oeste. “Estimamos que o ancestral mais recente dos vírus que estão circulando no Sudeste desde 2016 existiu em 2015. Fomos olhar nos boletins do Ministério da Saúde e vimos que houve casos de febre amarela em 2014 e 2015 no Centro-Oeste”, conta Betânia. As informações coincidiam com a estimativa do vírus ancestral em 2015 – o que levantou a hipótese de que a origem poderia ser a região Centro-Oeste. “Isso faz sentido pela proximidade geográfica da região Centro-Oeste com a Bacia Amazônica, onde o vírus é endêmico, e também com o Sudeste”, diz.

Flash

Colaboração. O estudo teve participação de instituições como a Fiocruz/MG e a Funed e foi financiado por CNPq, Fapemig, Capes, European Commission e Institut Pasteur de La Guyane.

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