Estudo

Maconha dobra chance de orgasmo feminino, afirmam cientistas

Foram avaliadas 373 mulheres, sendo que metade consumiu a erva


Publicado em 30 de março de 2019 | 06:00
 
 
 

Fumar maconha pode levar a mulher a ter menos dor nas relações sexuais e mais vontade de transar. Mais ainda: pode dobrar as chances de uma mulher atingir orgasmos em comparação com aquela que não faz uso da erva. É o que concluem pesquisadores da Saint Louis University School of Medicine, nos EUA, em análise publicada no “Sexual Medicine Journal”. “É o Viagra das mulheres”, garantem jovens defensoras da erva.

O estudo analisou entrevistas com 373 participantes usuárias e não usuárias, que responderam a questionários anônimos. As 127 que relataram ter consumido maconha antes do sexo afirmaram que isso influenciou positivamente a experiência, com orgasmos mais intensos, menos dor, mas sem alterações na lubrificação vaginal.

Quanto ao orgasmo, o motivo apresentado para a diferença nos resultados é simples: o uso da maconha reduz a ansiedade, o estresse e a inibição. O prolongamento das sensações de prazer, o aumento da confiança e o desejo de experimentar novas sensações – assim como a intensificação dos sentidos – são fatores determinantes para o resultado, justificam os autores. 

Os cientistas sugerem que a maconha ativa os neurotransmissores ligados ao prazer. Essa relação, no entanto, precisa de outros estudos para ser comprovada cientificamente. 

Riscos. No centro de uma grande polêmica, os estudos a respeito da maconha têm sido um campo fértil para a ciência. Algumas pesquisas recentes associam o consumo da droga à ocorrência de depressão e tentativas de suicídio e ao desenvolvimento de psicoses.

O uso da maconha é vetado, por exemplo, durante a gravidez porque “o THC, a substância psicoativa, atravessa a placenta, portanto o bebê receberá a Cannabis que a mãe consumir em uma proporção de 10% a 30%”, adverte o médico canadense Antoine Kanamugire. 

“A Cannabis pode influir enormemente no desenvolvimento do sistema nervoso central e do sistema imunológico do feto”, resume o psiquiatra, autor do livro “The 21 Unspoken Truths About Marijuana” (“As 21 Verdades Ocultas sobre a Maconha”, em tradução livre).

Ainda assim, diz, o THC fica no leite materno durante a lactância.
Os benefícios dessa erva milenar incluem o aumento da libido, segundo seus defensores.

Grupo de mães defende uso da erva

Elas diziam estar cansadas de ser estigmatizadas e ocultar o consumo de maconha. Mas, desde a legalização da droga no Canadá, centenas de mulheres se uniram para proclamar em voz alta que a erva faz delas “melhores mães”, apesar dos alertas dos médicos e do Departamento de Saúde daquele país, que adverte que a droga pode alterar o julgamento a respeito das crianças.
Sentada na sala de estar de casa, onde paira um cheiro suave de maconha, Jordana Zabitsky, 30, critica o “desprezo” de que são vítimas, segundo ela, as jovens mães que consomem Cannabis, totalmente legalizada no Canadá desde outubro passado.

“Espera-se que eu trabalhe em tempo integral, que cuide dos meus filhos em tempo completo, que limpe minha casa, pague minhas contas, troque os pneus de inverno a tempo...”, enumera Jordana. “Levo muita coisa nos ombros, sou uma só, a maconha me permite cumprir minhas tarefas diárias muito melhor”, garante.

Para reunir mulheres na mesma situação e poder se expressar juntas, Zabitsky criou no Facebook o grupo Mãe Maria, estritamente reservado ao gênero feminino. Hoje, a comunidade tem 5.000 membros, que conversam sem pudores sobre seu consumo. 

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