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Política pró-desmatamento de Temer custará US$ 2 tri ao país

Concessões a ruralistas em busca de apoio no Congresso afetarão outros setores, conclui estudo

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Método. Foi observada a trajetória do desmatamento nos últimos 20 anos para estimar como pode ser a evolução até 2030, levando em conta os movimentos políticos e o compromisso de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 43%
PUBLICADO EM 10/07/18 - 03h00

São Paulo. Se o desmatamento da Amazônia e do Cerrado seguir na tendência de alta observada nos últimos cinco anos, aumentando a contribuição do Brasil para o aquecimento global, outros setores do país terão de compensar essas emissões de gás carbônico. E o custo para a economia pode ser de pelo menos US$ 2 trilhões.

A estimativa e o alerta estão em um artigo publicado nesta segunda-feira (9), por um grupo de dez pesquisadores brasileiros na revista “Nature Climate Change”. O texto analisa o que os autores chamam de “ameaça das barganhas políticas para a mitigação climática do Brasil”.

Os pesquisadores consideram que mudanças na política ambiental brasileira em troca de apoio da bancada ruralista ao governo – como sugestões de mudanças na lei do licenciamento ambiental, suspensão de ratificação de terras indígenas, redução de áreas protegidas e flexibilização da regularização fundiária – podem impactar a capacidade do país de conseguir cumprir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Eles se referem aos compromissos estabelecidos no âmbito do Acordo de Paris, de 2015, por meio do qual 196 países concordaram em agir para conter o aquecimento do planeta a menos de 2ºC até o final do século.

Procurado pela reportagem para comentar o artigo, o Ministério do Meio Ambiente disse que só vai se manifestar depois de ter acesso ao trabalho. A Presidência da República também foi procurada, mas não se pronunciou.

O grupo, liderado pelo pesquisador Roberto Schaeffer, do programa de pós-graduação e pesquisa de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), observou a trajetória do desmatamento nos últimos 20 anos para estimar como pode ser a evolução até 2030, levando em conta os movimentos políticos dos últimos anos e o fato de que o país se comprometeu a diminuir suas emissões de gases de efeito estufa em 43% até aquele ano (com base em valores de 2005).

“Desde a mudança do Código Florestal, há uma sinalização pró-desmatamento por parte do governo. É um aspecto simbólico, mas quem desmata hoje têm certeza de que o governo está do lado dele”, afirma o pesquisador Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas Gerais e um dos autores do trabalho.

O especialista cita como exemplo a medida provisória que facilitou a regularização fundiária, e foi apelidada de “MP da grilagem”.

 

‘Desconstrução se aprofunda em 2016’

Rio de Janeiro. O Brasil, sétimo maior emissor de gases do efeito estufa, conseguiu cortar as emissões em 54% entre 2005 e 2012, sobretudo pela redução de cerca de 80% no desmatamento.

A aprovação do novo Código Florestal, em 2012, foi o primeiro baque na exitosa política ambiental: o ano seguinte já registrou um aumento na área desmatada. Com a ascensão de Michel Temer, em maio de 2016, “a Presidência do Brasil aprofundou esta reversão tentando desconstruir várias políticas ambientais bem-sucedidas”, dizem os pesquisadores.

Para compensar as emissões de gases de efeito estufa provocadas pela perda de cobertura florestal, os custos para o país cumprir acordos internacionais serão multiplicados. “Combater o desmatamento é a forma mais barata de conter as emissões, sem contar os ganhos ambientais”, ressalta André Lucena, professor do Programa de Planejamento Energético da UFRJ e coautor do artigo.

 

Poluição por microplástico bate recorde

Roma, Itália. A exploração excessiva dos recursos pesqueiros no mundo, assim como a poluição que os microplásticos estão causando no mar, está entre os maiores desafios para o futuro do setor, segundo um informe divulgado nesta segunda-feira em Roma pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

“Até o ano 2030 a produção combinada da pesca de captura e da aquicultura alcançará 201 milhões de toneladas”, calcula a FAO no relatório de 2018 intitulado “O estado mundial da pesca e da aquicultura”. No entanto, um em cada três peixes nunca chega ao prato de uma pessoa – ou apodrece, ou é jogado fora.

Essa produção corresponde a um aumento de 18% em relação ao nível atual, que é de 171 milhões de toneladas. Esse crescimento, que multiplicou o consumo de peixes em todos os continentes até chegar a 20,4 kg per capita em 2016, requer medidas-chave para que seja sustentável. “É preciso reduzir a porcentagem de populações de peixes capturados além da sustentabilidade biológica”, alertou o diretor geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

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