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Sexo

Prática é bem comum em ménages e swings

Para os adeptos, a flexibilidade sexual é uma tendência cada vez mais forte entre os casais

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Brasil. É o segundo país que mais baixa aplicativo de paquera para encontrar interessados em sexo a três
PUBLICADO EM 06/08/17 - 03h00

A possibilidade de variedade de parceiros e de experiências sexuais que o “swing” (troca de casais) e o “ménage à trois” (sexo a três) proporciona sempre foram diferentes formas de fluidez sexual, responsáveis inclusive por apimentar a relação entre os adeptos dessas práticas.

O casal Paula*, 29, e Alexandre*, 26, de São Luís, no Maranhão, pratica swing e ménage há três anos, e, para eles, o mais difícil foi revelar o desejo para o companheiro. “No início, pode parecer promiscuidade, mas, depois, você percebe que, se o casal tiver uma boa relação e estiver bem-resolvido no que decidiu fazer, até melhora a relação. Aumenta a cumplicidade e o diálogo. Perdemos a vergonha de conversar sobre qualquer outro assunto entre nós dois”, diz Alexandre.

Para ele, a flexibilidade é tendência entre os casais. “Na verdade, tem muito mais gente nesse meio do que se imagina. Eu me considero hétero, pois só fico com mulheres. Já a minha esposa, até um tempo atrás, se considerava hétero, mas hoje se considera bi. Talvez ela se encaixe no termo heteroflexível”, reconhece.

Famosas héteros como Kate Moss, Sharon Stone, Pink e Madonna – que já foram fotografadas beijando outras mulheres – também contribuem para uma melhor aceitação da heteroflexibilidade entre as meninas.

No caso de Paula e Alexandre, a curiosidade foi a principal motivação que os levou a topar uma relação diferente sem colocar em xeque a identidade de cada um e até a cumplicidade. Mas, para o psicólogo e sexólogo Rodrigo Torres, não existe apenas um estímulo. “Pode ser desde um desejo inconsciente de experimentar algo novo e diferente até carência afetiva, impulso, facilidade, não ter que conquistar, pular etapas, é muito subjetivo”, explica.

O especialista relata ainda o caso de um jovem que recebeu em seu consultório. “Ele tinha sido abusado na infância e, mais tarde, começou a transar e a sair com prostitutas transexuais – que são mulheres com pênis. Ele contou que descobriu que sentia prazer anal por causa do abuso, mas, afetivamente, ele só se conectava com mulheres, não tinha interesse por homens. Podemos identificar esse rapaz como homossexual? Não posso”, conclui.

Carla*, 36, e Marcos*, 38 são casados há 20 anos, moram no Rio de Janeiro e praticam ménage com outra mulher. Ela se considera flexível sexualmente, mas, segundo ele, ainda existe muito preconceito. “As pessoas acham que não nos respeitamos, que a relação não é séria, que o relacionamento não estava bom, mas é completamente o oposto”, afirma.

No entanto, Marcos não orienta os casais que tentem salvar o relacionamento dessa forma. “Se não estiverem bem, não vai dar certo”, diz. Segundo ele, as relações a três não devem atrapalhar a sintonia a dois. “Não ficamos dependentes. Nosso amor é verdadeiro, pode rolar o que for que estamos juntos. Ela confia em mim, sabe que me importo com ela, e ela, o mesmo por mim”, relata.

A sexóloga e psicóloga especializada em sexualidade humana Priscila Junqueira explica o quanto esse tipo de vivência pode ser importante para o desenvolvimento dos níveis sexual, erótico e afetivo, mas também reforça que não há regras. “Ao entrarem em contato com essas vivências, as pessoas questionam-se e acabam encontrando respostas que podem fazer sentido para cada um. Mas lembre-se de que ninguém é obrigado a nada. Não precisa ter relações dessa forma que estamos falando para se desenvolver”, diz.

O estudante de antropologia Bruno Domingues também tem outra visão sobre o assunto. “Sou militante bissexual, mas acho que, no fundo, a heteroflexibilidade só serve para ocultar identidades e não contribui para luta alguma”, opina.

*Os nomes usados na matéria foram trocados a pedido dos entrevistados


Preconceito e resistência são maiores entre homens

Para os especialistas, a verdade é que estamos diante de um novo modelo de heterossexualidade que não se define como o oposto ou a ausência da homossexualidade. No entanto, apesar de haver uma maior visibilidade e abertura sobre o tema e todas as questões de gênero, quando o assunto é flexibilidade sexual o preconceito ainda é maior entre os homens.

Os próprios homens dos casais que praticam ménage e swing ouvidos pela reportagem negam estarem dispostos a exercitar sua heteroflexibilidade.

“Eu não fico com pessoas do mesmo gênero que eu, só a minha esposa”, contou Alexandre.

Da mesma forma, define-se Marcos: “Não me identifico, não suporto, conheço a minha raça. Poucos têm consciência. Não gosto de homem. Acho mulher o ser mais lindo, perfeito, tudo em um ser, tem coração, beleza, sensualidade. Homem, a maioria não presta, vê a mulher como objeto”, disparou.

Questionado sobre se não estava sendo machista, ele disse: “Eu não sou machista, acho aqueles que veem a mulher como objeto machistas. Não veem a alma”, completou Marcos. (LM)


Minientrevista

Jane Ward
Professora nos EUA
Autora do livro “Não gay: sexo entre homens brancos heterossexuais”

O que te motivou a escrever um livro sobre essa temática?

Eu queria entender por que foi dada tanta atenção (positiva) à atração sexual de mulheres heterossexuais com outras mulheres e, por outro lado, tanta reação negativa despertada pela ideia de homens heterossexuais poderem se envolver em contato sexual com outros homens. O pressuposto padrão é que os homens heterossexuais que têm contato sexual com outros homens, mesmo que apenas uma vez, estão mentindo sobre quem eles são. As pessoas realmente querem que eles se identifiquem como gays ou bissexuais. Então eu queria examinar esse padrão duplo.

No início do estudo, suas pesquisas eram baseadas em anúncios para os encontros, e hoje existem os aplicativos. A sexualidade masculina também mudou ao longo do tempo? De que maneira?

Desde a invenção das categorias “heterossexuais” e “homossexuais”, os homens que se identificaram com o primeiro grupo se envolvem em contato homossexual. Eu acho que a curiosidade sobre o toque homossexual é uma parte bastante universal da condição humana, então, sem dúvida, esses desejos e atos sexuais não mudaram muito. Mas o que mudou ao longo do tempo, e o que varia entre as culturas étnicas e raciais, é como classificamos e facilitamos os desejos sexuais ou que são tabu. As narrativas culturais que as pessoas utilizam para explicar seus atos, como “eu estava bêbado e apenas brincando”, ou “nenhuma mulher estava disponível”, mudaram ao longo do tempo. Certamente, também as tecnologias que as pessoas usam para expressar seus desejos agora mudam muito rapidamente.

De que forma os homens estão se permitindo experimentar essa fluidez sexual?

Meu interesse principal era nos rituais hétero masculinos de longo prazo que fazem parte de instituições convencionais (como organizações militares ou universitárias) e que incorporam o contato homossexual como parte do trabalho de construção de homens heterossexuais. Nesses ambientes, o contato sexual entre homens heterossexuais é tipicamente expresso em forma de brincadeiras vulgares e homofóbicas ou para provar que são mesmo heterossexuais. Então, os homens envolvidos não se entendem como sendo homens diferentes de heterossexuais e, muitas vezes, não entendem que seus atos sexuais são sexuais – mesmo quando tocam o ânus e o pênis dos outros.

Você diz que nos EUA, nos últimos 15 anos, houve muito interesse sobre fluidez sexual de meninas e homens negros, por isso o livro é focado nos homens brancos. Qual é a questão em torno disso?

Por causa do racismo, os homens negros foram patologizados por terem relações sexuais com homens, enquanto os homens brancos passaram completamente sob o radar dessas discussões.

Os psicólogos apontam vários motivos para esse contato sexual entre homens, mas você acredita que nem mesmo eles saibam?

As explicações psicológicas do contato homossexual entre pessoas heterossexuais perdeu o sentido porque a psicologia é uma disciplina bastante comprometida com classificações de diagnósticos rígidos. Mas a sexualidade humana é imprevisível, muda ao longo do tempo e é profundamente moldada por nosso contexto cultural e histórico, tornando difícil para cientistas sociais criar qualquer conjunto fixo de explicações. (LM)

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