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‘Primo’ do HIV afeta 2,5 mi no Brasil

Uma em cada 20 pessoas infectadas com HTLV pode desenvolver leucemia e doença neurodegenerativa

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Retrovírus age de forma silenciosa e é negligenciado, diz médica da UFMG
PUBLICADO EM 09/11/18 - 04h00

O vírus T-linfotrópico humano (HTLV) ainda é pouco conhecido pela população. A enfermidade é causada por retrovírus que ataca o sistema imunológico e é transmitido pela relação sexual sem proteção, pelo contato com sangue contaminado por meio do compartilhamento de agulhas e seringas, pela transfusão de sangue e transplante de órgãos e da mãe infectada para o bebê, via amamentação.

Descoberto há mais de 30 anos, o HTLV é da mesma família do vírus da Aids, o HIV. De acordo com a infectologista Júlia Fonseca de Morais Caporali, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, a doença não tem cura. Uma a cada 20 pessoas infectadas desenvolve graves enfermidades como leucemia e doença neurodegenerativa.

O HTLV-1 circula mais na África, América Latina e em países como Japão, China e Austrália. Se a prevalência é mais alta no Japão, o Brasil é o campeão em números absolutos. Estima-se que haja entre 5 milhões e 10 milhões de infectados no mundo, e no Brasil seriam 2,5 milhões.

Cerca de 90% das pessoas portadoras do HTLV-1 não desenvolvem problemas de saúde relacionado ao vírus HTLV. “Mas os pacientes infectados que apresentam os sintomas têm a qualidade de vida muito debilitada, e não existe tratamento específico para a doença”, diz a infectologista. Ela ainda acrescenta que o HTLV foi negligenciado por muitos anos. “Enquanto as pesquisas relacionadas ao HIV avançam, as do nosso campo estão estagnadas e não temos nem mesmo remédio específico para a infecção”, explica.

Enquanto o HIV circula no sangue e se multiplica quando a imunidade baixa, o HTLV não cai na corrente sanguínea, mas passa de uma célula a outra. “O HIV é tratado quando está em grande quantidade no organismo, e o HTLV não tem tratamento. Os antirretrovirais do HIV não têm efeito para os pacientes e só são usados nos casos mais graves de leucemia”, explica a médica.

Para sensibilizar sobre as formas de prevenção e sobre a necessidade de melhorias na assistência aos portadores da doença em 2018, a data de 10 de novembro foi instituída como o Dia Mundial do HTLV.

Há mais de 20 anos, o HTLV é tema de estudos no âmbito da pós-graduação em infectologia e medicina tropical da Faculdade de Medicina da UFMG e, desde abril deste ano, o projeto de extensão Cuidar HTLV oferece assistência e educação em saúde a pacientes e familiares, no Centro de Tratamento e Referências em Doenças Infectocontagiosas Orestes Diniz.

“O diagnóstico é o primeiro passo para que a pessoa infectada pelo HTLV possa receber uma assistência médica adequada para controle dos sintomas que o vírus pode causar e garantir uma melhor qualidade de vida”, ressalta Júlia.

Campanha de prevenção

Neste sábado (10), quando será celebrado o primeiro Dia Mundial do HTLV, a Faculdade de Medicina da UFMG realiza um ato na instituição para informar sobre o vírus silencioso.

O evento é gratuito e aberto ao público e acontece entre as 8h30 e as 12h, na avenida Alfredo Balena, 190, Santa Efigênia), sala 022.

A programação conta com palestras e caminhada até a entrada principal do Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte, para chamar a atenção sobre a doença.

As inscrições podem ser feitas por meio de preenchimento de formulário online.

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