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Saúde

SUS pode adotar novo tratamento da psoríase

Medicamentos são mais eficazes e têm menos efeitos colaterais; doença leva à proliferação de células que aceleram o processo de troca da pele

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Luciana Aquino
A escritora Luciana Aquino, 47, chegou a ter psoríase em 98% do corpo e, hoje, tem a doença sob controle
PUBLICADO EM 29/10/18 - 03h00

No Dia Mundial da Psoríase, celebrado hoje, a notícia é boa para os portadores das versões moderada e grave da doença. Quatro medicamentos imunobiológicos – frutos da engenharia genética –, considerados mais eficazes e seguros do que aqueles usados atualmente, podem ser disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Neste mês, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) do Ministério da Saúde recomendou a incorporação dos remédios adalimumabe, secuquinumabe, ustequinumabe e etanercepte. Eles agem no sistema imunológico bloqueando o processo inflamatório que desencadeia a doença.

A psoríase, de origem desconhecida, não é contagiosa e, apesar de não ter cura, é controlável. Ela se desenvolve a partir de uma reação imunológica exagerada, que leva à proliferação de células que aceleram o processo de troca da pele. O resultado é o aparecimento de lesões vermelhas, recobertas por placas no corpo todo, principalmente nos joelhos, nos cotovelos, nas mãos, nos pés e no couro cabeludo.

“As drogas biológicas ‘param’ a doença antes de os sintomas surgirem. Elas atuam no que não deveria estar lá, bloqueando o início do processo”, explica a dermatologista Michelle Diniz, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

“Os medicamentos atuais agem no sistema imunológico, podendo abrir portas para as infecções, principalmente nas vias aéreas superiores”, afirma a dermatologista Teresa Noviello.

Sequelas. Segundo as especialistas, nem todos os portadores da psoríase precisam de tratamentos sistêmicos. A maioria tem lesões leves, tratáveis com remédios de uso tópico. Porém, 30% dos pacientes têm crises graves, que acometem o corpo todo, ardem, coçam e chegam a desenvolver a chamada “artrite psoriática”, que inclui sintomas como dor, rigidez e inchaço nas articulações.

A escritora Luciana Aquino, 47, desenvolveu a artrite depois de ter 98% do corpo coberto pelas lesões na pele em 2015. “Só ficaram livres as palmas das mãos e as solas dos pés. Precisei ficar quatro meses dentro de casa porque corria o risco de contrair infecções de tão inflamada que a pele estava”, conta. Hoje, ela tem a psoríase sob controle e trata apenas a artrite.

Para a designer Laís Macedo, 26, a luta contra a psoríase apenas começou. Ela foi diagnosticada em julho. “As primeiras lesões avermelhadas apareceram no meu couro cabeludo e próximo à nuca. Duas semanas depois, elas surgiram nos cotovelos”, conta.

Brasil. Por aqui, a estimativa é que a psoríase atinge até 2% da população, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). No mundo, são mais de 65 milhões de pessoas. 
Alto custo.

Os novos medicamentos são de uso contínuo e custam caro. Dependendo do tipo de tratamento que o paciente precisa, cada um deles não sai por menos de R$ 5.000, podendo chegar a R$ 10 mil (por mês).

Doença afeta qualidade de vida da pessoa

Uma pesquisa internacional sobre a psoríase, realizada pela Hall and Partners, entrevistou 2.361 pessoas e revelou que a doença provoca grande impacto negativo na qualidade de vida de 71% dos pacientes brasileiros. A pesquisa ouviu homens e mulheres de 18 a 75 anos em 26 países.

Sobre os resultados do tratamento, a remissão completa das lesões de pele é a principal expectativa para 73% dos pacientes. Mais da metade (58%) dos entrevistados afirmou que a doença interfere negativamente em suas atividades profissionais e pessoais como relacionamentos.

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