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Psicologia

Terapia online passa a ter sessões ilimitadas

Nova resolução retira o antigo limite de 20 consultas pela internet

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Divã online. Novo formato de terapia começa a vigorar no dia 11 de novembro

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PUBLICADO EM 05/11/18 - 04h00

Há aproximadamente dois anos, a empresária Fernanda Leite Alonso, 29, encontra no tratamento psicológico a melhora de seu quadro de depressão e estresse. No entanto, ela lembra que nem sempre foi assim.

“Quando fui diagnosticada com depressão, iniciei o tratamento presencial em um consultório de psicologia. Mas meus horários corridos e a agenda de viagens a trabalho entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro me faziam faltar a muitas consultas. Foi aí que minha psicóloga me indicou um site no qual poderia ser atendida por profissionais online”, conta.

Fernanda diz que, depois disso, viu uma evolução enorme no tratamento. “Não falto mais a consultas, pois consigo marcá-las de acordo com minha conveniência e, como as sessões são em forma de vídeo, em uma plataforma que me garante sigilo e segurança, fico muito tranquila”.

No próximo dia 11, entra em vigor a nova Resolução 11 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que altera as recomendações para o atendimento online. A principal mudança é o número permitido de consultas virtuais, antes limitadas a 20 e agora sem limite determinado.

A psicóloga Luciene Melo, que atende pacientes pela plataforma Psicologia Viva, defende que as sessões online apresentam os mesmos resultados das presenciais. “Estudos apontam que o resultado é ainda melhor dependendo do tratamento. Pacientes com fobia social, por exemplo, que têm dificuldade de sair e interagir, conseguem resultados surpreendentes”, explica. “Com a nova resolução do Conselho Federal de Psicologia, que não limita mais o número de sessões, pacientes e profissionais vão se beneficiar, pois o tratamento não precisará ser interrompido”, argumenta a psicóloga.

Além disso, os profissionais não precisam mais estar vinculados a um site especializado no atendimento psicológico online cadastrado no Conselho Federal de Psicologia. Eles devem individualmente fazer um cadastro no CFP e no conselho regional, que irão deferir se o psicólogo está apto para oferecer esse tipo de tratamento.

O psicanalista Fábio Belo, professor de psicanálise do Departamento de Psicologia da UFMG, ressalta que o mais importante é garantir sigilo ao paciente. “Por isso, o conselho foi resistente ao tratamento online por tanto tempo. Exatamente pelos riscos que ferramentas audiovisuais apresentam”, afirma o professor. Em contrapartida, ele diz que a tecnologia pode ser uma aliada diante da correria e imediatismo dos dias atuais. “Não há psicoterapeutas suficientes no Brasil; com acesso à internet, o tratamento psicoterápico se torna acessível”.

 

Casos mais graves e formação de vínculo se tornam desafios

O tratamento online ainda envolve polêmicas e apresenta desafios aos terapeutas. Enquanto a resolução nova do Conselho Federal de Psicologia garante maior legitimidade aos profissionais que prestam esse tipo de serviço, ela impede que esses mesmos psicólogos realizem atendimentos de urgência e emergência.

A psicóloga Luciene Melo afirma que “a nova resolução foi uma evolução”. E argumenta: “Ela nos permite atuar melhor e ter um acesso maior aos nossos pacientes. No entanto, ainda temos desafios, por exemplo, casos graves de pessoas que estão em crise e podem até acabar com a própria vida têm que ser transferidos para outros tipos de atendimento, como o Centro de Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, ou ocorrer presencialmente”, explica a psicóloga.

Fábio Belo, professor de psicanálise do Departamento de Psicologia da UFMG, levanta outra questão. “Na minha experiência, o tratamento online funciona bem quando o paciente já esteve em meu consultório”, afirma. O psicanalista ainda acrescenta que, “quando a terapia começa apenas online, o funcionamento da psicoterapia é pior”. E finaliza: “No consultório se estabelece a segurança na relação do analisando com o analista. No virtual se perde isso, o paciente pode ficar desconfiado, achar que o profissional pode estar gravando algo, por exemplo”.

Flash

Em falta. Segundo o Conselho Federal de Psicologia, 50% das cidades do Brasil não têm psicólogos.

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