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Entrevista

Terapia liberta a pessoa da repetição de narrações de dor

O médico e terapeuta Jacques França trabalha com a regressão, que conduz as pessoas a estados mais expansivos de consciência

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“A terapia regressiva é sob transe. É como se eu conversasse com a alma”
PUBLICADO EM 12/02/19 - 03h00

Jacques França

Médico e terapeuta

A ortopedia e traumatologia deram ao médico Jacques França um contato com as dores físicas e a aprendizagem sobre o que as doenças trazem para a alma. Após várias formações como terapeuta, passou a trabalhar com a terapia regressiva, que conduz as pessoas a estados mais expansivos de consciência.

Quando se fala de regressão de memória, necessariamente estamos falando de retorno a vidas passadas? Até onde uma regressão pode conduzir o indivíduo?

Inicialmente, a expressão “regressão de memória” poderia ser aplicada a toda e qualquer psicoterapia, pois todas são, relativamente, regressivas. Voltar a algum problema ou evento traumático é um evento regressivo. Quando emprego a expressão “regressão de memória”, quero, com isso, deixar o cliente à vontade para que ele entre em contato com sua queixa, que pode estar carregada de sensações, sentimentos, emoções, pensamentos, imagens e intuições. Antes de determinado momento na vida dessa pessoa, essas queixas poderiam estar reprimidas no que poderíamos chamar de “inconsciente”. E, após esse suposto evento, que pode ser traumático ou não, esses conteúdos podem se superficializar. É como se todo esse material pedisse para falar, para contar a sua história. Geralmente, vêm carregados de medo, dor, culpa e vergonha. Conduzindo a pessoa por essa história emergente, ela pode se ver em alguma etapa de sua vida atual, que pode ser sua vida adulta, adolescência, infância, nascimento e vida intrauterina. Como o inconsciente pertence ao cliente, ele pode se ver em outra época e em outro corpo. Isso não é nem valorizado, nem hipertrofiado durante a sessão. Acessar essa cena otimiza a compreensão de por que o cliente sofreria a ação de algo, que pode ser a fonte de seus desajustes emocionais e mentais, os quais ele não consegue nomear e muito menos se libertar. Ao acessar todo esse conteúdo, muito comumente com forte catarse, há importante conscientização e libertação.

Como ocorre o processo da regressão? A pessoa fica consciente o tempo todo?

Existem muitas formas para acessar o inconsciente. O processo de que me utilizo é muito simples. O conteúdo, as queixas trazidas pelo cliente são utilizadas, ao longo da anamnese, para conduzi-lo a um transe leve e superficial, para que ele possa acessar os conteúdos que podem estar reprimidos no inconsciente. Podem surgir imagens nítidas ou pictóricas. Peço para a pessoa se olhar na cena acessada, identificando o corpo que surge. Esse corpo está em um cenário, onde se desenvolve um enredo, um trauma que o cliente vivenciará de várias maneiras e em diversos níveis. A pessoa fica consciente o tempo todo.

A doutrina espírita acredita que, se o Criador nos deu o esquecimento de outras vidas, não devemos remexer o passado. Qual o seu entendimento sobre isso?

Utilizando-me do próprio argumento, enquanto somos a “imagem e semelhança de Deus”, em determinado momento, nos perdemos. Caímos. A questão mais importante a ser levantada é: foi-nos dado o esquecimento ou cada um de nós veio se utilizando desse recurso para não sofrer? Para que pudéssemos, ao longo das idas e vindas da alma, progressivamente, nos purificar ou nos preparar, para que, em determinado momento, pudéssemos entender que o esquecimento é um processo seletivo, temporário e nunca total. Mesmo porque aquilo que chamamos de “ego” não é de forma alguma uma estrutura rígida. Vez por outra, o ego torna-se complacente, e podemos ter acesso a inumeráveis situações, muitas delas difíceis de se explicar com o paradigma atual. Assim, claro, o esquecimento é um processo psicopedagógico. Porém, no jardim de infância de nossas existências deveríamos nos resignar com a colheita tão negativa, fruto da inconsciência de nossos atos (por pensamento, palavra e pela própria ação). Agora, estando em um nível de maior consciência, frequentando em outro nível esse educandário espiritual, que denominamos “Terra”, e procurando ajuda para o entendimento de quem sou, de onde vim e o que estou fazendo aqui, sob orientação adequada, a pessoa pode se submeter a esse tipo de processo com profissionais qualificados.

Por que se submeter a uma regressão de memória?

A terapia regressiva (ou TVP) é um recurso psicoterapêutico. Alguns a buscam para resolver problemas, conflitos e transtornos que os recursos da medicina e da psicologia ortodoxas não conseguiram resolver. Realmente, não se trata de se submeter a uma regressão. Longe de ser uma panaceia, antes de se dar início ao processo vivencial, o cliente passa por longa e importante anamnese ou entrevista, quando se poderá indicar ou contraindicar o processo. Indicado, o cliente se submeterá a um processo psicoterápico, que tem a sua metodologia. Embora seja considerada uma terapia breve, essa condição é relativa e dependerá da história superficializada de cada indivíduo e seus desencadeamentos.

Nesses casos de pessoas que têm algum sofrimento crônico ou alguma doença que a medicina tradicional não consegue resolver, a terapia regressiva apresenta bons resultados?

A terapia regressiva é vivencial e sob transe. É como se eu conversasse com a alma. Assim, o indivíduo pode começar a se contatar consigo mesmo (com a sua verdade interior e mais íntima) e com as histórias de sua alma. Progressivamente, tal qual nos mitos gregos, a pessoa começará a entender a sua caminhada, a caminhada do herói, que é ele próprio, até aprender a “voltar para casa”. Vivenciando, a pessoa começa a compreender por qual razão ela vem desenvolvendo este ou aquele problema. O indivíduo começa a contatar os diversos estados de consciência e a entender que o universo é mental. Progressivamente, entende o que vem atraindo inconscientemente para si mesmo, passando a tomar posse do script de sua vida presente. Entende a causa do sofrimento, que é o estado de mente habituado ao conflito e à confusão, que mantém o indivíduo em atitude egoísta, apegada, repleta de desejos e, portanto, imersa na insatisfatoriedade. Com essa profunda transformação, a pessoa, com o tempo, tendo níveis de compreensão cada vez mais profundos, entendendo, a partir de suas próprias experiências, o que é verdade (individual, cultural, coletiva e absoluta), passa a entender a sua realidade. E que quanto mais for aperfeiçoando a sua verdade, maior vai se tornando a sua realidade (ou o seu mundo interno), compreendendo as leis da vida e voltando a se integrar a elas.

E quando a pessoa não consegue regredir? Há algo a ser feito?

De certa maneira, estamos repetindo ou estamos regredidos. Assim, não é que a pessoa não consiga regredir. Sua mente está condicionada (por ela mesma, como se se auto-hipnotizasse) a se manter conflituosa e confusa. Geralmente, nesses casos em que a pessoa aparentemente não regride, aconselhamos que ela adote uma postura mais receptiva ao novo. Ela não precisa acreditar em nada, mas estar aberta para si mesma, respeitando o conteúdo que vem de dentro de si, a verdade que gera uma realidade que ela se recusa a aceitar. Se, mesmo com esse aconselhamento, nada conseguimos, entendemos ser adequado o encaminhamento para outra linha de trabalho psicoterápico. Essa pessoa está em um momento evolutivo que a impede de acessar os conteúdos reprimidos de seu inconsciente. Respeitar esse limite denota responsabilidade do profissional para com o cliente, que, muitas vezes, percebendo suas expectativas frustradas, pode sentir muita raiva, lesado ou enganado pelo profissional. Porém, nem todos estão prontos para esse passo.

Agenda

O curso de terapia regressiva é oferecido pelo Instituto Mineiro de Medicina e Terapias e tem início no próximo dia 16, com duração de dois anos. Os módulos serão realizados bimestralmente. Informações: (31) 3287-3015 e (31) 98882-9997.

 

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