Tribunal Militar

Nove militares dos 80 tiros contra músico no Rio são soltos

Por maioria de votos, os ministros do Superior Tribunal Militar decidiram na quinta-feira, 23, libertar o pelotão

Sex, 24/05/19 - 11h49
Músico Evaldo Rosa morreu depois que o carro de sua família foi alvejado com 80 tiros

Os nove militares presos pela morte do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo foram soltos nesta sexta-feira, 24, no Rio. Por maioria de votos, os ministros do Superior Tribunal Militar decidiram na quinta-feira, 23, libertar o pelotão.

O julgamento havia sido interrompido em 8 de maio por um pedido de vista e foi retomado na tarde de quinta. O STM é composto por 15 ministros, mas 14 julgaram o caso. O presidente não votou.

Do total, 11 ministros votaram pela soltura dos militares. A ministra Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha foi o único voto contra a liberdade do grupo.

Durante a sessão, os ministros José Barroso Filho e José Coêlho Ferreira sugeriram a aplicação de medidas cautelares aos militares. Barroso determinou em seu voto que o tenente fique preso e que aos outros militares sejam impostas cautelares. Coêlho ordenou, em seu voto, que as medidas sejam aplicadas a todo o grupo.

Relembre o caso

Evaldo Rosa dirigia seu carro, um Ford Ka sedan branco, rumo a um chá de bebê, e transportava a mulher, um filho, o sogro e uma adolescente. Ao passar por uma patrulha do Exército na Estrada do Camboatá, o veículo foi alvejado com 80 disparos pelos militares. O motorista morreu no local. O sogro ficou ferido, mas sobreviveu. O catador Luciano Macedo, que passava a pé pelo local, também foi atingido e morreu dias depois.

Inicialmente, o Comando Militar do Leste (CML) emitiu nota dizendo que a ação havia sido uma resposta a um assalto e sugeriu que os militares haviam sido alvo de uma “agressão” por parte dos ocupantes do carro. A família contestou a versão e só então o Exército recuou e mandou prender dez dos 12 militares envolvidos na ação. Um deles foi solto após alegar que não fez nenhum disparo.

Os militares teriam confundido o carro do músico com o de criminosos que, minutos antes, havia praticado um assalto perto dali. Esse crime foi flagrado por uma patrulha do Exército. Havia sido roubado um carro da mesma cor, mas de outra marca e modelo – um Honda City.

Foram presos o tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo, o sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva e soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Santanna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Leonardo Oliveira de Souza, Gabriel da Silva de Barros Lins e Vítor Borges de Oliveira. Todos atuam no 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar, na zona oeste do Rio.

(4) comentários

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Antonio Godinho 9:24 AM May 25, 2019
Foram 270 tiros disparados, o que é isso? Festinha macabra? Gostaria de saber se fizeram teste de drogas nesses "soldados" do mal, mas pra quê? Só tiraram a vida de 2 trabalhadores, um pai de família inocente.
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othoniel 7:31 PM May 24, 2019
Os que sofrem as ausências de Evaldo e Luciano que se danem. Pelo jeito, a justiça não será feita.
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Lucas 5:02 PM May 24, 2019
Justiça militar é uma das piores piadas de mau gosto que existem. É como se todos os "juízes" fossem o Gilmar Mendes. E esses vagabundos ainda são sustentados com dinheiro público.
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Carles Muñoz 2:37 PM May 24, 2019
A maioria das mães dos militares trabalham na zona oeste do Rio.
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