Capítulos do Rio Doce

Rio Doce está em condições semelhantes às de antes de desastre de Mariana

São 92 pontos de coleta de dados nos cursos d'água; em períodos chuvosos, turbidez e nível de ferro são parâmetros que ainda destoam

Seg, 26/08/19 - 06h00
Após a tragédia, a água do rio Doce começou a ser detalhadamente analisada em 92 pontos espalhados pelo trecho impactado
audima

A onda de lama que percorreu 670 km de cursos d'água, da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central do Estado, à foz do rio Doce, no litoral capixaba, impressionou. A pergunta que se fazia à época é a mesma que se faz agora: teremos o nosso rio de volta? Os mais de 3 milhões de dados coletados nos dois anos do maior programa de monitoramento do país mostram que as condições da bacia são hoje as mesmas de antes do rompimento.

Após a tragédia, a água do rio Doce começou a ser detalhadamente analisada em 92 pontos espalhados pelo trecho impactado (veja no mapa abaixo).

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Criado em julho de 2017 pela Fundação Renova, entidade responsável pela reparação e compensação dos danos do desastre ambiental, o Programa de Monitoramento Quali-Quantitativo Sistemático (PMQQS) mapeia parâmetros físicos, químicos e biológicos e gera informações em tempo real para serem enviadas aos órgãos ambientais.

"Os parâmetros foram definidos com base na resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Em campo é colhida uma amostra da água. Avaliamos também a parte biológica, como fitoplânctons e outros organismos que são mais sensíveis e respondem caso ocorra algum tipo de alteração. Temos várias evidências de que o rio hoje está se recuperando”, garante a especialista de programa socioambiental da Renova, Brígida Maioli.

Como antes do desastre, a qualidade das águas que passam por Minas Gerais era analisada pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que iniciou o monitoramento em 1997, os dados servem para serem comparados com os de agora. Os trabalhos são supervisionados pela Câmara Técnica de Segurança Hídrica e Qualidade da Água (CT-SHQA), órgão ligado ao Comitê Interfederativo, que é responsável por fiscalizar a execução dos programas geridos pela Fundação Renova.


Coleta de amostras no rio Gualaxo para análise. Foto: Nitro Imagens/Divulgação

"O programa da Renova é um dos mais completos do Brasil, conta com um vasto número de parâmetros físicos, químicos, de vazão, descarga sólida, descarga líquida, biomonitoramento, entre outros. Temos pontos coincidentes com os do Igam. Já tínhamos 12 pontos na calha antes e uma série histórica que se agrega ao banco de dados que está sendo gerado agora. É um monitoramento que passa por uma revisão bianual, alinhada com as 11 câmaras técnicas", destaca a coordenadora da CT-SHQA, Regina Pimenta.

As informações de arquivos foram fundamentais para as conclusões de hoje. "A gente tem observado que alguns parâmetros, principalmente no período de chuva, ainda são maiores do que se observava antes, como a turbidez, o ferro dissolvido, o que está relacionado com o rompimento. Mas a maior parte deles já se encontra como eram antes. A gente teve uma redução ao longo do tempo bem considerável", ressalta Brígida Maioli.

O programa de monitoramento também é realizado no litoral capixaba, onde a onda de rejeitos chegou, após a foz do rio Doce. Segundo dados do PMQQS, a alteração também é pequena. "A variação ao longo do tempo não tem mostrado diferença. Teve o efeito pontual quando a lama chegou", explica Brígida.


Equipe monitora água na bacia do Rio Doce. Foto: Nitro Imagens/Divulgação

Própria para consumo

Os mesmos dados que permitem afirmar que a água do rio Doce está em condições semelhantes às de antes do rompimento asseguram que ela pode ser consumida após passar por tratamento convencional nos sistemas de abastecimento dos municípios.

A qualidade da água é analisada antes e depois de passar pelas Estações de Tratamento de Água (ETAs). A verificação, de responsabilidade das concessionárias locais, acontece em 30 municípios antes de a água ser distribuída para a população. O monitoramento também se dá em poços, nascentes e cisternas. As informações são compartilhadas com as secretarias de saúde municipais e estaduais de Minas e do Espírito Santo.

Leia o especial Capítulos do Rio Doce completo clicando aqui

(21) comentários

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Felipe Castro 10:14 PM Aug 26, 2019
Vale s/a = CÂNCER DE MG.
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Maria Isabel Azevedo 6:29 PM Aug 26, 2019
Como estão indo as famílias que ficaram sem casas e parentes em Mariana e Brumadinho? O que a Vale tem feito por todos os seus empregados e barragens?: Gastem um pouco de linhas do jornal pra isso...Precisamos saber!
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Cristiano 6:25 PM Aug 26, 2019
Me engana que eu gosto!
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Felipe Castro 5:37 PM Aug 26, 2019
Isto está me cheirando matéria paga, essa fundação renova é a mesma que não cumpre os acordos com a população devastada de Mariana e região a exatamente 4 anos.
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Nestor Martins Amaral Júnior 5:30 PM Aug 26, 2019
Fernando Cruz, você está absolutamente certo. A maioria dos que criticam e negativam o seu comentário, não conhece a realidade dos fatos e torce pelo caos. O Rio Doce ficará melhor do que era antes. Ele foi, por séculos, escoadouro de dejetos humanos. Até isso está sendo tratado pela Vale.
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luiz 4:31 PM Aug 26, 2019
não é possivel uma mentira deslavada destas
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luiz 4:30 PM Aug 26, 2019
mas que mentira !!! Como este jornal se presta a esta cumplicidade criminosa o rio está morto e as margens tambem
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José de Oliveira Jr. 3:43 PM Aug 26, 2019
Ótima notícia, mas espero que seja um trabalho de longo prazo, longo mesmo, pq o estrago foi para todo o meio ambiente de Minas e do Brasil.
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Jose Carlos Prado Alves 3:40 PM Aug 26, 2019
Não é que eu ache que o desastre foi perdoável , ao contrario, não poderia ter acontecido jamais; o prejuízo é imensurável, mas... não disseram que o rio Doce estava morto, imprestável, etc...? Já recuperou? Então aquele cataclismo era terrorismo? Gente, vamos parar com esse tipo de atitude! Isso desacredita as pessoas qe instituições que veiculam essas declarações! isso faz mal à natureza! Mais juízo, mais ciência! menos achismo! menos espetáculo! Tem gente tentando faturar em cima da miséri
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Rony 2:17 PM Aug 26, 2019
pra quem não sabe, matéria paga (se foi o caso) não é crime nem do jornal e nem de quem paga.
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Cristiano 6:26 PM Aug 26, 2019
Mas mentira é.
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Carlos E.A. Silva 2:14 PM Aug 26, 2019
Reportagem publicitária. Hoje mesmo vi reportagem mais confiável sobre a degradação ambiental da região da foz do Doce (Linhares, ES), causada pelo rompimento da barragem de Mariana. Especialistas da Unicamp consideram irreversível o dano ao meio ambiente: "não se trata de um cenário de adaptações das espécies animais e vegetais, mas, sim, da *perda* de muitas espécies". Mas, para dirigentes de empresas que, tranquilos em sua impunidade, matam pessoas, matar o meio ambiente não é nada demais.
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Paulo Barbosa 12:52 PM Aug 26, 2019
O Rio Piranga, o principal formador do Rio Doce, está em grande parte com suas margens degradadas e não há um política hídrica para recuperar esta situação. Tem trechos do Rio Doce onde a contaminação ainda não está em melhores condições quando houve o acidente.
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Renato Sodre Cunha 12:42 PM Aug 26, 2019
que reportagem péssima sobre o fato ..o que tem a ver barragem de brumadinho com os policiais, nem os bombeiros que estão até lá até hoje em contato constantes com lamas e pessoas apodrecendo, sem ganhar periculosidade para isso, estão lá normalmente
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Fernando Arcangelo 11:04 AM Aug 26, 2019
O jornal e seus leitores...
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Aloísio Morais Martins 9:59 AM Aug 26, 2019
Faltou dizer que a Fundação Renova é da Vale. Essa reportagem tem um cheiro tremendo de ser matéria paga.
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Fernando Cruz 9:18 AM Aug 26, 2019
Minha duvida é a seguinte: Todo mundo criticando a reportagem, que apresenta fotos. Mas ninguém desmentiu as fotos. Mesmo que seja propaganda, se o que ta sendo realizado for real, é positivo! Sugiro à reportagem uma filmagem ao longo do rio para vermos como está. Espero que tudo seja verdade... ta bem promissor!!!
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Fernando Cruz 2:27 PM Aug 26, 2019
Os que negativaram, preferem que isso seja mentira só pra falar mal da Vale? Ta doido!!
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O Macaco 8:12 AM Aug 26, 2019
Quanto tá custando estas matérias?
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Marcos Almeida 7:23 AM Aug 26, 2019
Me reservo o direito de não acreditar !
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Solrac 6:58 AM Aug 26, 2019
Será q podemos acreditar nessas reportagem do jornal sobre a recuperação das áreas devastadas do rompimento da barragem de Mariana? Ou há interesse econômico? Tenho dúvidas!!!!
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