Boa Esperança

Médico investigado por eutanásia na tia pode ser autor de mais 3 mortes

No hospital em que a idosa estava internada, a polícia encontrou caixas de medicamentos letais usados para dar fim à vida da mulher

Ter, 18/06/19 - 16h11
Imagens acessadas pelo EPTV mostram momento em que homem adquire medicamentos usados para provocar morte da tia, na farmácia da Santa Casa

A estranha morte de uma idosa de 78 anos, internada em um hospital de Boa Esperança, no Sul de Minas, levantou as suspeitas da equipe responsável e levou à prisão de seu sobrinho, um médico de 72 anos, na última quarta-feira (12).

Além de ser investigado por cometer eutanásia na própria tia, o homem também é suspeito de ser responsável por outras três mortes - duas crianças, pacientes suas, que podem ter sido negligenciadas e sua esposa, morta há 35 anos, em condições controversas. A informação foi divulgada pela Polícia Civil nesta terça-feira (18).

Segundo Alexandre Boaventura Diniz, delegado responsável pelo caso, após a prisão do médico, outros moradores do município procuraram a Polícia Civil para relatar denúncias contra o médico. 

Um dos casos aconteceu em 2006. A família de uma recém-nascida, com apenas um ano e três meses procurou atendimento para a criança, mas foi dispensada após o homem informar que a menina não tinha nada. Uma técnica de enfermagem teria sido proibida de realizar exames na paciente. 

Outro caso, ocorrido em 2013, originou a abertura do primeiro inquérito que responsabiliza o médico pela morte de um paciente. "Uma família levou sua criança de três anos, que sofria com problemas renais, para o atendimento médico. Ele teria negligenciado o tratamento por cerca de 24 horas e, em seguida, a criança faleceu", comentou o delegado.

Não bastasse o momento doloroso enfrentado pelos familiares, o médico ainda teria dito à mãe da criança que "foi bom ela ter falecido, se não teria que passar a vida inteira fazendo hemodiálise", explicou Diniz segundo depoimentos coletados.

Diante da morte da tia, familiares da ex-esposa do médico procuraram a Polícia Civil para denunciá-lo. A ex-mulher faleceu há 35 anos em condições igualmente desconfiáveis.

"Esse caso nunca foi investigado e já prescreveu, porém pode ser usado contra o médico pelo histórico de fatos semelhantes ocorrido com pacientes ou parentes dele", disse o delegado. 

Segundo ele, a ex-esposa do médico sofreu um infarto e foi internada. Pouco tempo depois, ela voltou em perfeito estado de saúde para casa e, após passar uma hora na residência em que morava com o marido, morreu. 

O fato é ainda mais preocupante tendo em vista que quem elaborou o laudo que apontava as causas do óbito da mulher foi o próprio médico e companheiro. Os investigadores suspeitam que ele mentia nos laudos e disfarçava as reais causas de morte, isso pode ter acontecido em inúmeros casos. À época, o homem era responsável por executar necropsias e produzir laudos. 

Morte da tia: eutanásia ou não?

Aos 78 anos, a tia do suspeito foi internada em um hospital de Boa Esperança para tratar uma embolia pulmonar e outros problemas respiratórios. De acordo com a equipe médica, o quadro da paciente evoluia de forma satisfatória, até que, após receber uma visita do parente, a idosa piorou e faleceu uma hora depois do encontro. 

Desconfiados, enfermeiros e médicos decidiram investigar o porquê da mudança repentina e injustificada do quadro da idosa. Após revirar o hospital, encontraram medicamentos letais descartados na lixeira do quarto em que ela estava. 

Imagens de câmeras de segurança obtidas pelos investigadores mostram o homem transitando entre os quartos e até adquirindo remédios. A morte da mulher teria sido provocada pela combinação de um relaxante muscular, adquirido na farmácia da Santa Casa de Misericórdia, e cloreto de potássio - encontrado em uma seringa descartada pelo médico. 

Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil apontam para eutanásia, tentativa de proporcionar morte sem sofrimento. "Nós imaginamos que ele a matou para poupá-la do sofrimento que é um tratamento de saúde. Mas ao invés de falar em 'eutanásia', optamos por falar em homicídio, em tese, privilegiado", explica Diniz.

Crime

Apesar de alguns países permitirem a eutanásia, entre eles Holanda e Bélgica, no Brasil a prática é considerada criminosa. No caso do médico que deu a morte à tia, a Justiça entende o ato como homicídio que teria tratamento penal privilegiado, podendo a pena ser atenuada. 

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