Crime bárbaro

Pai de santo será julgado acusado de matar e ocultar cadáver em Sete Lagoas

A suspeita é que a vítima tenha sido morta em um ritual de magia negra

Qui, 21/03/19 - 19h20
Dois adolescentes teriam ajudado pai de santo a enterrar corpo

A Justiça de Sete Lagoas, na região Central de Minas, marcou para quinta-feira da próxima semana (28) o julgamento do pai de santo Elson Dias Ribeiro, 52, conhecido como “Pai Elcinho”.

Ele vai ao banco dos réus pela morte e ocultação de cadáver de Rodrigo Fulgêncio de Freitas, 26, que foi degolado e enterrado em um matagal nos fundos da Associação Espírita Cultural Ilê de Xangô, de propriedade do Pai Elcinho, em abril do ano passado, no bairro São Geraldo, naquela cidade. A suspeita é que a vítima tenha sido morta em um ritual de magia negra.

De acordo com as investigações, dois adolescentes, de 15 e 16 anos, teriam participado do crime e ajudaram a enterrar o corpo, que foi localizado um mês depois.

“Quando o menor de 15 anos foi mostrar onde estava o corpo, ele também mostrou a bacia usada para colher o sangue do meu sobrinho. Rodrigo foi degolado. Cortaram o pescoço dele na altura da jugular e ainda esfacelaram a cabeça dele. Partiram o crânio dele”, conta o tio da vítima, um advogado de 46 anos que pediu para não ser identificado.

O tio conta que o sobrinho tinha acabado de se separar da mulher e havia se mudado do centro de Sete Lagoas para o bairro São Geraldo, onde conheceu o pai de santo e os adolescentes.

“Os menores moravam com o pai de santo. Conheceram o meu sobrinho numa sexta-feira e o mataram no sábado da outra semana. O Rodrigo trabalhava comigo na minha loja, como montador de móveis, e ele me mandou uma foto pelo WhatsApp falando que tinha conhecido o pai de santo, que ele era gente boa e que estava em um churrasco na casa dele. Disse que o pai de santo havia prometido um trabalho para que ele recuperasse a família. Meu sobrinho deixou uma filha recém-nascida, que fez 1 ano agora em fevereiro, e outra de 6 anos”, conta o tio.

“Eu até perguntei para ele quem era a pessoa da foto, se ela mexia com macumba”, comentou.

Em depoimento à polícia, o adolescente de 16 anos contou que na noite do crime estava com o outro adolescente de 15 anos, Rodrigo e o pai de santo no cômodo onde eram feitos os atendimentos do centro espírita.

“O garoto de 16 anos contou à polícia que o pai de santo havia comentado que queria sangue para fazer um trabalho. Disse que foi dormir em outro cômodo da casa e que deixou os três no terreiro. Contou que foi acordado pelo pai de santo no dia seguinte, para que ajudasse o outro menor a enterrar o corpo”, contou o tio da vítima.

O garoto de 15 anos está foragido. O pai de santo, que já se candidatou por duas vezes a vereador, em Sete Lagoas, e não foi eleito, está preso desde 11 de abril do ano passado.

INVESTIGAÇÃO

O tio da vítima conta que investigou o sumiço do sobrinho por conta própria, até chegar aos suspeitos e chamar a polícia. “Comecei a correr atrás. Primeiro, o pai de santo me falou que não conhecia o meu sobrinho, mas o meu sobrinho havia me mandado uma foto com ele e os menores, pelo WhatsApp.

Ele começou a desconversar e falei que iria chamar a polícia. Aí, ele contou que Rodrigo havia saído da casa dele com o menor de 15 anos, por volta das onze da noite. Fui à casa do menor, mas a mãe dele me disse que o filho morava com o pai de santo. Então, eu fui direto à polícia”, disse o tio.

De acordo com a polícia, o pai de santo já era investigado sob suspeita de aliciar menores e ele mantinha relações com o garoto de 15 anos. “Ele dava celulares, notebooks, dinheiro e drogas. Se o meu sobrinho mantinha relação com ele, eu não tenho conhecimento disso”, comentou o tio.

Para a polícia, o pai de santo afirmou, ao ser preso, que é homossexual e que estava apaixonado pela vítima, mas não era correspondido. Ele negou envolvimento na morte de Rodrigo. Na época, o garoto de 15 anos, ao mostrar onde havia enterrado o corpo, disse aos policiais que matou Rodrigo a pauladas e que pagou R$ 50 para o de 16 anos ajudá-lo a enterrar a vítima.

“Espero que seja feita Justiça. Um cara desse (pai de santo) tem que mofar na cadeia”, reagiu o advogado. A 3ª Vara Criminal do fórum de Sete Lagoas se recusou a informar que é o advogado de defesa de Elson Ribeiro, e nem informações do processo.

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