Operação Midas

Pirâmide financeira: trio de MG dá golpe de R$ 15 milhões em todo o Brasil

Três pessoas foram presas durante a operação, deflagrada nesta terça-feira (20 de junho) em Correia de Almeida, pequeno distrito de Barbacena

Ter, 20/06/23 - 15h56
Mobilização policial surpreendeu os moradores do pacato distrito de Correia de Almeida, em Barbacena | Foto: PC/DIVULGAÇÃO

Os pouco mais de 3 mil habitantes do pequeno distrito de Correia de Almeida, em Barbacena, no Campo das Vertentes, foram surpreendidos com uma grande movimentação policial, nesta terça-feira (20 de junho), durante a operação "Midas" da Polícia Civil. Um homem e duas mulheres foram presos na pacata comunidade sob suspeita de integrarem um esquema de golpe financeiro que causou cerca de R$ 15 milhões de prejuízo para vítimas de todo o país.

Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão e quatro de busca e apreensão no distrito, onde também foram apreendidos documentos, mídias e aparelhos eletrônicos, além de uma arma de fogo calibre 32 com 10 cartuchos. A operação é fruto de uma investigação sobre um estelionato, em que o trio captava recursos das vítimas prometendo juros de 2% ao dia, alegando que os lucros seriam provenientes da operação na bolsa de valores.

Apesar de a instituição policial afirmar que somente com a análise dos materiais apreendidos será possível chegar ao real tamanho do golpe financeiro aplicado pelo trio, a estimativa é de que somente entre as vítimas da cidade de Barbacena o prejuízo tenha chegado a R$ 1,5 milhão. Além de fazer vítimas em outras cidades mineiras, o grupo também teria aplicado o golpe em municípios da Bahia e do Rio de Janeiro.

O golpe aplicado pelo homem e as duas mulheres se assemelha ao chamado "esquema Ponzi". Neste tipo de estelionato, os suspeitos criam uma pirâmide financeira em que os últimos clientes cadastrados pagam os "lucros" parcialmente para os primeiros a entrarem no esquema fraudulento.

"Dessa maneira, cria-se a expectativa de que um dia todos receberão os valores depositados, porém, os que chegam por último não são beneficiados, por não haver mais captação de recursos", detalha a Polícia Civil.

Quadrilha criou corretora ilegal e oferecia 'cursos'

Os criminosos, que foram alvo da operação "Midas", seriam uma "organização criminosa", já que eles chegaram, inclusive, a abrir duas empresas para a prática do crime.

Uma das pessoas jurídicas, que seria uma corretora de valores, atuava sem qualquer autorização da Comissão de Valores Monetários (CVM) ou do Banco Central. Já a outra empresa oferecia cursos sobre "como operar na bolsa de valores". "Todas as empresas tinham como intuito a captação de recursos e a lavagem de dinheiro", completou a polícia.

Ostentação

Ainda de acordo com a polícia, os investigados ostentavam um "alto padrão de vida". O trio promovia eventos, com o aluguel de veículos e salões de festas de luxo, com o único objetivo de atrair mais clientes para o negócio fraudulento.

Os três foram encaminhados para a delegacia de Polícia Civil em Barbacena, onde tiveram os depoimentos colhidos antes de serem encaminhados ao sistema prisional. Agora, as investigações continuam.

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