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Após vistoria

Vazamento de rejeito em barragem de Ouro Preto atinge cursos d'água

Córrego dos Alemães e ribeirão Mango foram atingidos; mineradora será autuada, segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente

Ter, 01/09/20 - 16h27
Barragem dos Alemães, em Ouro Preto, teve vazamento dois dias depois de passar por vistoria do Programa de Gestão de Barragens | Foto: Reprodução Google street view

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Dois dias depois de passar por vistoria para assegurar que não oferecia riscos de rompimento, a barragem dos Alemães, no distrito de Miguel Burnier, em Ouro Preto, na região Central de Minas, teve um vazamento.

Os rejeitos atingiram o córrego dos Alemães e o ribeirão Mango, no mesmo distrito. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), mesmo órgão que realizou a vistoria dias antes, investiga o caso.

De acordo com o órgão, há possibilidade de danos ambientais também no rio Itabirito. Ainda segundo a Feam, a Gerdau, que administra a barragem, será autuada por causar intervenção que resulta ou possa resultar em dano ambiental.   

O vazamento  começou na manhã da última sexta-feira, 28, e foi comunicado à Feam pelo Núcleo de Emergência Ambiental (NEA). "Foi informado que a empresa interrompeu o fluxo de material, sanando o vazamento na tarde do mesmo dia”, esclareceu o órgão, por meio de nota. 

Um dia após o vazamento, foi feita uma fiscalização na área e recolhidas amostragens de água do rio Itabirito e do ribeirão Mango. Nesta terça-feira, 1, a Feam faz nova fiscalização nas comunidades próximas para verificar se houve danos ambientais também nesses espaços. Até o fechamento desta matéria, o trabalho ainda estava em andamento. 

A Gerdau se pronunciou sobre o vazamento da barragem. Segundo a empresa, houve passagem de rejeito pelo extravasor operacional, que atingiu a drenagem à frente. Ainda de acordo com a mineradora, o fluxo foi contido por boias e, no mesmo dia, a água apresentava turbidez normal.  

A barragem  

A barragem dos Alemães foi construída pelo método de alteamento a montante, o mesmo utilizado na barragem do Fundão, em Mariana, que se rompeu em 2015. Esse também era o método da barragem que se rompeu em Brumadinho, em 2019, causando centenas de mortes.

Essa estrutura é a mais comum e mais barata para esse tipo de intervenção e consiste na construção de degraus com os próprios rejeitos para conter o material despejado na estrutura. 

De acordo com a Gerdau, o vazamento não tem relação com a estrutura ou segurança da barragem.  

Segundo a Feam, a estrutura da barragem dos Alemães deve ser descaracterizada, mas, enquanto uma nova barragem não é construída com a utilização de outro método, fiscalizações são feitas para assegurar que não há riscos.

A última vistoria no âmbito do Programa de Gestão de Barragens foi feita em 26 de agosto, dois dias antes do vazamento, conforme a Feam.

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