Pop

O rico universo folk-rock e bilíngue de Tiago Iorc

Cantor conhecido por músicas em trilhas de novela faz um belo terceiro disco

PUBLICADO EM 16/09/13 - 03h00

O terceiro álbum de um artista não tem a pressão do segundo, mas pode se tornar um divisor de águas, um atestado derradeiro de identidade. “Zeski” funciona bem como esse termômetro na trajetória de Tiago Iorc, e chega bem resolvido com o soft folk-rock ancorado no brit-pop. Para o rapaz de 28 anos que sempre compôs em inglês, também foi a hora de voltar à língua mãe em algumas faixas.

A capa, com fotografia de Rafael Kent, é sugestiva e anuncia a entrada em uma floresta, dessas gringas e contemplativas, que serviria perfeitamente para um clipe de Bon Iver, Iron & Wine ou Kings of Convenience, artistas que certamente figuram na playlist do candango. Ele mesmo se valeu da paisagem para gravar o vídeo de “Yes and Nothing Less”, quarta faixa do álbum. Antes dela, Tiago entrega um bom cartão de visitas com “Skin Deep”, “What Would You Say” e “Life of My Love”, essa, a mais pop das quatro.

E não demora para que “It’s a Fluke” evoque a sensação de “eu já ouvi isso antes, mas não ligo o nome à pessoa”. Você ouviu na novela da Globo, “Flor do Caribe”, para ser mais exata. E antes dela, outras sete canções do moço emplacaram em folhetins globais, e também além-mar, caso de “Fine”, de seu primeiro álbum, “Let Yourself In”, lançado em 2008 pela Som Livre, gravadora de seus três trabalhos, que figurou em uma série de TV na Coreia do Sul e acabou por emplacar o jovem artista nas paradas de sucesso por lá e também no Japão.

“Shelford Road” entra em clima de balada com orquestração de cordas e aponta o bom direcionamento que seu produtor, Maycon Ananias – também tecladista de Maria Gadú – deu ao trabalho. Aliás, dois de seus colegas do selo Slap figuram em “Zeski”: a própria Gadú, que divide os vocais em “Música Inédita” e Silva, responsável pelo segundo arranjo de cordas, na bela “Forasteiro”, que tarimba sua assinatura de cadência leve e serelepe.

Como se tivesse dois lados em um vinil, o disco tem um momento instrumental que o parte ao meio, como uma pausa para virar a bolacha e chegar num lado B. Ou um tempo de girar no próprio eixo, um retorno ensimesmado. Não por acaso, é a faixa que dá nome ao álbum que, por sua vez, é o restante do sobrenome de Tiago, Iorczeski.

Ele inaugura as letras em português com “Um Dia Após o Outro”, um pop guitarrado que conta com Daniel Lopes, amigo de longa data do cantor. Para fechar, optou por um cover de “Tempo Perdido”, de Renato Russo, só ele, o violão e alguns efeitos discretos para criar ambiência. “Zeski” funciona bem: é um disco coeso, entra fácil e delicadamente aos ouvidos. E quem para quiser conferir o resultado dessa experiência ao vivo, Tiago se apresenta na Casa da Ópera, em Ouro Preto, no próximo dia 20.

Agenda
“Zeski”- Tiago Iorc. Som Livre. Preço em média: R$ 21,90

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