Em risco

Filarmônica corre risco de interrupção temporária, afirma secretário

Afirmação foi dada em entrevista ao Magazine após encontro com deputados

Qui, 13/06/19 - 20h42
Marcelo Matte, durante a posse do Sistema Estadual de Cultura de Minas Gerais

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais corre risco de ter suas atividades interrompidas temporariamente. A preocupação foi manifestada nesta quinta-feira pelo secretário de cultura e turismo Marcelo Matte.

"Se a AGE (Advocacia Geral do Estado) não me der um parecer sólido de que eu possa continuar aportando recursos, isso (a interrupção) é um risco", disse Matte.

A hipótese de pausa parcial deve-se ao vencimento do Termo de Parceria, documento que rege o repasse financeiro dos cofres do Estado ao Instituto Cultural Filarmônica, organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) que administra o conjunto sinfônico. 

Como o Termo de Parceria vem sendo renovado ano a ano, um chamamento público foi aberto para que novas entidades possam participar da concorrência, que visa a administração do conjunto sinfônico. Mas o contrato atual, após vários aditivos, tem validade somente até julho. O futuro Termo de Parceria começa sua vigência em janeiro de 2020, o que deixaria a orquestra desamparada no segundo semestre deste ano. O receio do secretário justifica-se pelo fato de que a Filarmônica possui um dinâmico calendário de apresentações já agendadas até o fim de 2019.

"O atual modelo legal é apenas uma emergência do governo anterior, que limita o aporte de recursos até o mês que vem", explicou Matte. O secretário disse que possui orçamento para lançar novo edital somente a partir de janeiro. "Estou muito preocupado com esse intervalo entre agosto e janeiro", completou Matte.

Criada em 2008, a orquestra foi alvo de críticas do então candidato Zema durante a campanha eleitoral do ano passado. A sede do conjunto, uma opulenta e moderna edificação situada no Barro Preto, foi chamada de "monstruosidade da elite" pelo agora governador. 

Em sua fala, o secretário ressaltou que considera a Filarmônica uma riqueza cultural indispensável. "É um equipamento da maior importância do ponto de vista cultural. O melhor desse nível no país", avaliou.  

A Filarmônica custa anualmente aos cofres públicos cerca de 18 milhões de reais - valor utilizado para quitar 80% da folha de pagamento dos cerca de 90 músicos. Desde sua criação, o conjunto vem sendo celebrado pela crítica e público como uma das melhores iniciativas do país. Já ganhou prêmios importantes, como o Prêmio Carlos Gomes de melhor orquestra brasileira (2012) e melhor regente brasileiro para o maestro Fabio Mechetti (2009).

Prestação de contas

A informação sobre a situação preocupante da Orquestra Filarmônica foi dada pelo secretário após questionamento do Magazine. A entrevista foi realizada após a visita que o secretário fez à Assembleia Legislativa de Minas Gerais para prestar contas sobre o mandato. Durante a tarde desta quinta-feira, Marcelo Matte exibiu informações resumidas sobre ações e planejamento da Secretaria de Cultura e Turismo. Vários deputados e deputadas participaram do encontro, mas a situação da Filarmônica não foi questionada, bem como detalhes sobre editais de intercâmbio, Fundo Estadual de Cultura e Programa de Desenvolvimento do Audiovisual Mineiro (Prodam).

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(7) comentários

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maisumtrouxa 8:13 AM Jun 14, 2019
A Sala "Minas Gerais!" foi dada de presente pela ex secretaria da cultura e seu gestor o senhor Anastasia . foi muito $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ !
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Andre 7:42 AM Jun 14, 2019
um absurdo esse governo deixar isso acontecer por uma burocracia de prazo de um termo de parceria que basta fazer aditivo!!! a filarmonica a a sala minas gerais são patrimônios de minas, e o governo simplesmente paga parte do salário dos músicos, todo o resto da estrutura da orquestra vem de patrocínios e doações
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Andre 7:42 AM Jun 14, 2019
.. e ingressos
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Raquel Almeida 7:03 AM Jun 14, 2019
É ainda temos a Sinfônica do Palácio das Artes, essa sim do estado. Bancar 2 orquestras sinfônicas fora a Orquestra da Polícia Militar não é muito para o governo num estado quebrado com hospitais precários? Chega dessa esbanjarão com dinheiro publico para uma elite gozar. Queremos mais segurança, saúde e educação. Só aqui acontece isso...
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Andre 7:44 AM Jun 14, 2019
a sinfônica já devia ter sido fechada há anos. orquestra ultrapassado, se servidores públicos, toda bancada com dinheiro público. a filarmonica tem nível mundial e grande parte de sua sobrevivência vem de patrocínio
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Raquel Almeida 6:57 AM Jun 14, 2019
Primeiro, programação a Filarmônica sempre vai fazer. Já passou da hora do governo parar de gastar 18 milhões dos cofres públicos com uma orquestra privada, lá é CLT, porque o governo ainda banca? Não queremos a melhor orquestra do país, queremos a melhor escola, o melhor hospital, a melhor polícia. Só a Filarmônica tem o salário em dia, com Maestro ganhando mais de R$100.000,00 por mês e polícias e médicos recebendo salários parcelados e sem aumento há anos. Me poupem dessas matérias...
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Maria Silva 10:54 PM Jun 13, 2019
Eu só gostaria de saber o que não é preocupante em Minas> Também gostaria de saber porque o pilantra réu ainda não está preso!
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