Reflexão

'Mineração não pode acontecer a qualquer preço'

Presidente do Ibram diz que setor deve assumir seus erros

Qua, 15/05/19 - 03h00
Resgate. Presidente do Ibram, Wilson Brumer defende aproximação entre setor mineral e sociedade

A mineração é uma atividade imprescindível para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais, “mas não a qualquer preço”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Wilson Brumer. Ele defendeu, durante uma palestra, nesta terça-feira (14), no Conexão Empresarial, que o setor de mineração tem que ser pensado para além do minério de ferro, “se responsabilizar pelo seu passado, com erros e acertos”, e se aproximar da sociedade. “Falta uma comunicação adequada com a sociedade, que precisa ver os pontos positivos da mineração. Se antes já não via (a mineração) de forma positiva, agora piorou”, avaliou, considerando os rompimentos de barragens ocorridos no Estado em Mariana (2015) e Brumadinho (2019).

Ele ressaltou que isso não reduz a importância do setor, já que 60% do saldo positivo da balança comercial de Minas Gerais em 2018, que foi de US$ 14,8 bilhões, veio da mineração. “Não existe desenvolvimento sem mineração”, disse. “Mas temos que ter humildade e reconhecer que o dano em vidas, ambiental, econômico e social (dos rompimentos) foi enorme”, afirmou. Brumer também defendeu as investigações e a necessidade de penalidades caso a responsabilidade das empresas mineradoras seja provada.

“O maior erro da Vale, e das outras mineradoras, foi ter se distanciado das prefeituras, das pessoas, porque nós reconhecemos a importância da mineração para as cidades”, disse o prefeito de Nova Lima e presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Vitor Penido, que estava presente no evento. “Não é mais possível desassociar desenvolvimento econômico e social”, reiterou o presidente do Ibram.

Wilson Brumer lembrou que o Brasil é segundo maior exportador de minério de ferro do mundo, mas também o primeiro na exportação de nióbio, o terceiro exportador de grafite e o quinto de bauxita. “O Brasil não conhece o potencial mineral que tem e o quanto a mineração pode gerar riqueza e empregos”, afirmou Brumer. Ele defendeu mais pesquisas no país para que novas lavras de minerais sejam descobertas, por meio de parcerias com as universidades. “A pesquisa mineral está praticamente extinta no país”, criticou.

A geração de emprego foi citada pelo diretor do Conexão Empresarial, Gustavo César de Oliveira. “O setor de mineração é um dos principais geradores de empregos do Estado. A mineração é fundamental para a criação e a manutenção de vagas”, disse Oliveira.

Cidades recebem tributo adiantado

A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) está sendo paga pela mineradora Vale de forma regular, segundo o presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) e prefeito de Nova Lima, Vitor Penido.

“Nesse momento, não podemos dizer que os municípios estão tendo prejuízo porque a Vale repassou aos municípios atingidos o valor do Cfem de três meses adiantado. Então estamos conseguindo cumprir nosso papel, que é prestar serviço para a população. Sem a mineração, esse atendimento não é possível”, disse. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) apontam que, nos quatro primeiros meses de 2019, 42% da Cfem no Brasil foi para municípios mineiros.

Penido admite, porém, que alguns setores são prejudicados com as minas da Vale paralisadas. “O comércio perde, o turismo perde”, afirmou o prefeito.

Segurança de barragens é reavaliada

Os parâmetros de segurança das barragens de rejeitos da mineração estão em processo de mudança, segundo o presidente do Ibram, Wilson Brumer. Ele afirmou, porém, que as opções às barragens precisam ser avaliadas. “A mineração a seco tem impacto ambiental, gera montanhas de resíduos. Na Austrália eles usam esse método porque eles mineram em áreas desérticas”, disse.

Para fomentar novas tecnologias, o Ibram criou o MiningHub, com 21 startups que desenvolvem soluções para o setor mineral.

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(3) comentários

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Maria Silva 5:23 PM May 21, 2019
Exporta tanta coisa e está falida !!!! Quanta eficiência desses nossos governantes! São imbatíveis no quesito encher o próprio bolso. Eca!!!!
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Paulo Barbosa 1:52 PM May 15, 2019
Muitas cidades mineiras que vivem da mineração terão suas atividades encerradas na próxima década e irão perder muito com a arrecadação. Será que já possuem algum estudo sobre o encerramento da atividade extrativa mineral? Muitas irão amargar a perda da arrecadação, pois como dizia o ex-presidente Artur Bernardes: " Minério não dá duas safras ". Qual o legado das autoridades para as futuras gerações ?
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Maria Silva 5:26 PM May 21, 2019
Brasileiro é assim: aproveita enquanto tem e deixa para pensar no que fazer depois. Por isso o país não sai da lama. Foi isso que Lula fez: gastou sem dó sem pensar no amanhã!
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