Exponencial

Mutari já exporta cosméticos profissionais para 20 países

Com fábrica em Belo Horizonte, marca tem capacidade de produzir 250 mil itens por mês

Qui, 18/04/19 - 03h00
Participação. O presidente do Grupo Mutari, Olindo Batistelli, conta que o maior mercado da marca ainda está em Minas Gerais

“Mutari”, do latim, significa “transformação”. Para Olindo Batistelli, 55, presidente do Grupo Mutari, a palavra dá significado a uma busca constante de uma beleza maior tanto exterior como interior. Foi com esse desafio que o administrador de empresas abriu a empresa de cosméticos profissionais de tratamento do cabelo, estética corporal e facial. De uma fábrica de fundo de quintal de 500 m², em 1996 – hoje são nove galpões distribuídos em cerca de quatro bairros de Belo Horizonte com 120 funcionários – a Mutari está em 500 distribuidores específicos da área profissional, a maioria, salões de beleza e clínicas de estética em todos os Estados brasileiros, além da loja virtual, de produtos para uso do consumidor final.

Além disso, a marca mineira exporta para 20 países da Europa, da África, do Oriente Médio, da América do Norte e da América do Sul. Hoje, 5% do faturamento da Mutari vem das exportações, mas, nos próximos dez anos, a meta de Batistelli é chegar a 30% do faturamento. “A Mutari já tem uma empresa nos EUA, e o foco é ampliar os negócios nos EUA também. Lá fora procuram muitos produtos para transformação da forma do cabelo. Hoje, o Brasil é um dos países que dominam o mercado de produtos profissionais”, conta.

Portfólio e produção

Com um portfólio de 300 itens divididos entre os segmentos capilar profissional e de estética, os produtos da Mutari envolvem a transformação da forma (de cacheado para liso, por exemplo), colorações, finalização, tratamento profissional, manutenção, uso diário, além dos produtos da estética corporal e facial. “Não estamos em pontos de venda do varejo. É uma estratégia. São produtos de alta performance com preços maiores que o varejo”, diz.

Na fábrica de 2.500 m² no bairro Castelo, a operação é feita em um turno. A capacidade de produção da Mutari é de 250 mil itens por mês. Hoje, produz metade disso – 125 mil itens. Por isso, Batistelli criou estratégias para crescimento – a primeira delas – trabalhar o mercado externo e diversificar o mix de produtos com a entrada na área de estética. “Ampliamos o time de prospecção para aumentar o número de distribuidores e aumentar o share de mercado, e entramos no e-commerce onde trabalhamos com os produtos de uso para o consumidor final”, conta Batistelli, que também está terceirizando para marcas internacionais. É que o câmbio favorece a exportação, e o produto fica mais competitivo lá fora.

Empresa começou a história a partir de um sonho da família

Olindo Batistelli conheceu a esposa France, farmacêutica industrial, na primeira empresa de cosméticos que trabalhou. O casal mais um irmão de Batistelli, Vilfredo, administrador de empresas, começaram a sonhar em ter a própria empresa de cosméticos em 1991. “Só que, nesse meio-tempo, eu fui trabalhar numa outra empresa, onde fiquei quatro anos. Vi que já estava preparado e tinha que partir para nosso sonho, quando entrou o outro irmão, Leandro, e em 1996 montamos a empresa”, lembra Batistelli.

A Mutari começou em Belo Horizonte, por meio do projeto Mãos de Minas, no qual o governo dava um benefício para artesãos tanto na área fiscal como vigilância sanitária. Em seis meses, a Mutari já havia estourado o limite de faturamento para ficar no programa. A produção inicial era de três perfumes, 3.000 itens por mês. “Começamos a diversificar e lançamos um reparador de pontas para ter entrada nos salões em 1997”, informa.

Ainda em 1997, com um volume de faturamento maior, a família Mutari foi orientada a montar uma indústria dentro dos padrões da Anvisa.

O investimento inicial no negócio foi de US$ 20 mil em 1996. “Logo no início, conseguimos aprovar o projeto no BNDES, e aí o ex-governador Itamar Franco decretou a moratória, e esse foi o primeiro aperto. Continuamos a obra e conseguimos”, diz.

Peculiaridade

Produto. Com ativos específicos, a Mutari tem linhas de tratamento para cada tipo de cabelo. Se uma mulher tem cabelo cacheado e alisou e ficou loura, por exemplo, tem um tipo de produto.

Expectativas

- Olindo Batistelli traçou um cenário pessimista de 2,5% de crescimento; um mediano, de 5%; e um otimista, de 7,5%. A alta está próxima do mediano.

- “Até 2010, a empresa crescia mais de 30% ao ano. Depois, reduziu, e no final do governo Dilma não chegava a mais de dois dígitos. Em 2018, foi de 1% ante 2017, e, se não fosse a exportação, tinha caído mais”, conta Batistelli.

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