Montadora

Renault confirma que prioridade é aliança com Nissan e a Mitsubishi

Na semana passada, a fusão com a Fiat Chrysler (FCA), anunciada 11 dias antes, fracassou

Qua, 12/06/19 - 16h43
Em um ano, as ações da Renault perderam um terço de seu valor

O presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, confirmou nesta quarta-feira (12), na assembleia geral de acionistas do grupo francês, que sua prioridade é a aliança com a Nissan e a Mitsubishi.

"O sucesso do grupo Renault não é possível sem o sucesso da aliança" com a Nissan e Mitsubishi, disse Senard, que não conseguiu concretizar o recente projeto de fusão com outra fabricante de automóveis, a Fiat Chrysler (FCA), em razão das reticências da Nissan e do Estado francês, principais acionistas da Renault.

"Hoje a aliança tomou um novo caminho e deve continuar sendo um pilar e um motor do desenvolvimento de cada um de seus membros", afirmou Senard.

Uma multidão de pequenos acionistas participa dessa assembleia geral realizada no Palácio do Congresso de Paris. A Renault esperava um alto comparecimento, de cerca de 900 pessoas.

Trata-se da primeira assembleia geral desde a queda do emblemático ex-presidente de Renault, Carlos Ghosn, artífice da aliança com a Nissan e a Mitsubishi que tornou o grupo líder mundial do automobilismo.

Ghosn foi detido no Japão em novembro por suposta malversación.

O caso de Carlos Ghosn custou caro aos acionistas da Renault. Desde a prisão do emblemático ex-presidente, arquiteto da aliança com a Nissan e a Mitsubishi, as ações da Renault estão em níveis muito baixos, em torno de 55 euros.

Os acionistas decidiram negar a Ghosn um bônus de resultados de 224.000 euros.

Em um ano, as ações da Renault perderam um terço de seu valor.

O grupo também foi afetado pela má situação econômica internacional e pelas transformações tecnológicas, que exigem um grande investimento em carros elétricos sem garantia de rentabilidade.

Alguns acionistas criticam os executivos da Renault, porém, por não terem supervisionado a administração de Ghosn, cuja queda causou uma profunda crise com a Nissan.

"Até onde podemos ver, os diretores não exerceram suas responsabilidades no interesse dos acionistas (...) permitindo que a recente crise começasse", reclamou a empresa de administração Phitrust em um comunicado.

Senard terá de explicar sua estratégia para a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, três empresas unidas por participação cruzada.

No início do ano, a parte japonesa rejeitou um projeto de integração reforçada com a Nissan através de uma participação comum em partes iguais.

Na semana passada, a fusão com a Fiat Chrysler (FCA), anunciada 11 dias antes, fracassou.

Esta união criaria a número 3 do setor. O projeto não foi à frente, contudo, pelo prazo adicional solicitado pelo governo francês, principal acionista da Renault, e que levou os executivos da Fiat Chrysler a abandoná-lo.

O grupo Renault produziu 3,9 milhões de veículos no ano, com vendas baixas, exceto na Europa.

Em 2018, obteve um resultado líquido de 3,3 bilhões de euros, menos de um terço em relação ao ano anterior, principalmente devido às dificuldades da Nissan. E 2019 pode ser um ano ainda mais difícil.

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