Dilema

Setor de eventos pressiona Estado para gerir Minascentro

O espaço, fechado, deixa de faturar R$ 4 milhões por ano, fora a cadeia produtiva

Ter, 14/05/19 - 03h00

O turismo de negócios em Belo Horizonte está perdendo oportunidades com o Minascentro – seu espaço mais tradicional – fechado desde janeiro do ano passado. “Percebemos um crescimento, desde o segundo semestre de 2018, de organizadores buscando Belo Horizonte como destino. Mas, com o Minascentro fechado, fica difícil captar esses eventos”, diz o presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB), Jair Aguiar.

Em 2017, último ano de funcionamento, o Minascentro faturou R$ 3,7 milhões, segundo a Codemge, que administra o espaço. “Em perdas diretas (para o turismo de negócios), são aproximadamente R$ 4 milhões por ano”, diz Aguiar. Segundo ele, 52 setores fazem parte da cadeia produtiva de eventos, e o prejuízo deles não está incluído nessa número.

Aguiar conta que o Rio de Janeiro perdeu, no ano passado, cerca de 40 eventos internacionais em função da falta de segurança. Belo Horizonte foi avaliada para recebê-los, mas nenhum negócio foi fechado. “Assim como o Rio tem o problema da violência, nós temos o problema da falta do Minascentro”, avalia Aguiar. “O Minascentro é uma referência fora do Estado, um nome tradicional. Outros espaços, como o Expominas, têm agenda disponível, mas as empresas de fora buscam mesmo é o Minascentro”, avalia.

Entidades ligadas ao setor, entre elas o BHC&VB e a Associação Brasileira da indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), apresentaram ao governo do Estado uma proposta para gerir o espaço depois que o secretário de Estado de Cultura, Marcelo Matte, declarou, no fim de abril, que busca alternativas para ceder o Minascentro à iniciativa privada por meio de processo licitatório.

“Uma preocupação que temos é que a estrutura passe para a iniciativa privada e o gestor majore os preços, sem contar o verdadeiro objetivo do Minascentro, que é fomentar o turismo na cidade”, afirma o presidente da Abih-MG, Guilherme Sanson. “A gestão do Minascentro não pode visar apenas o lucro, como aconteceu com outros espaços que foram para a iniciativa privada”, afirma Aguiar. Em fevereiro de 2018, a empresa Nutribom passou a administrar o Expominas.

Para a diretora da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta) Karla Delfim, outras capitais estão investindo em centros de convenções. “Belo Horizonte está perdendo por não investir no Minascentro. Capitais como Salvador e Recife estão com novos espaços e ganhando eventos que poderiam vir para Minas”, avalia. “Por outro lado, Belo Horizonte ainda é lembrada para turismo de negócios pelas empresas de eventos”, pondera.

Empresas de tecnologia “salvam”

As empresas de tecnologia estão ajudando a manter a capital mineira em evidência e evitam que a situação de ostracismo em relação a eventos seja pior. “A presença de grandes eventos de tecnologia, organizados pelas startups do San Pedro Valley e por centros de excelência como a UFMG, está ajudando a manter o turismo de negócios no Estado”, afirma a diretora da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta) Karla Delfim.

O setor de eventos movimentou R$ 17 bilhões em 2018. Mais da metade desse valor, R$ 8,8 bilhões, veio do Sudeste. “Minas Gerais está entre o terceiro e o quinto Estado com maior faturamento em eventos. No caso do turismo de negócios, o Estado está em terceiro lugar”, explica.

Secretário diz que há quatro interessados na gestão do local

Embora a Codemge, empresa pública que administra o Minascentro, tenha dito à reportagem, por meio de nota, que “não há plano de privatização do Minascentro”, o secretário de Estado da Cultura, Marcelo Matte, afirmou nesta segunda-feira (13) que o processo de concessão à iniciativa privada está adiantado. Em audiência pública na Assembleia Legislativa, com a presença do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, o secretário informou que quatro candidatos disputam a gestão do centro de convenções.

Em 2017, o governo do Estado tentou passar o Minascentro para a iniciativa privada duas vezes, em janeiro e junho, mas nenhuma empresa se interessou. Depois das tentativas frustradas, o espaço entrou em reforma. Segundo a Codemge, o investimento previsto é de R$ 27 milhões, e já foram gastos R$ 13,8 milhões.

Cronograma

Hotéis. O presidente da Abih-MG, Guilherme Sanson, afirma que, antes de reabrir, é necessário divulgar o Minascentro e fazer um planejamento. “Não adianta abrir sem evento contratado”, diz.

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