'Genius'

Banderas explora os ângulos de Picasso

Depois de já ter rejeitado o papel, ator espanhol vive o conterrâneo no NatGeo

Qua, 25/04/18 - 03h00

Los Angeles, EUA. Depois de focar na genialidade científica em sua primeira temporada, com Albert Einstein, a série “Genius” agora aposta na genialidade artística de Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Maria dos Remédios Crispiniano da Santíssima Trindade Ruiz Picasso – o espanhol Pablo Picasso. A segunda temporada, estrelada por Antonio Banderas (“A Pele Que Habito” e “A Máscara do Zorro”), começou no último domingo, às 21h45, no National Geographic, com dez episódios de uma hora cada. Quem perdeu a estreia pode ver a reprise no próximo domingo, às 21h, antes do episódio inédito.

Para o ator espanhol, interpretar o célebre pintor e escultor foi mais do que uma honra, já que ambos nasceram na mesma cidade, Málaga. “Ele sempre foi uma figura importante na minha vida. Quando ia para a escola, passava em frente à casa onde nasceu”, contou em entrevista à imprensa, em Pasadena, na Califórnia. “E estou falando de uma época na Espanha em que não tínhamos muitos heróis internacionais. Picasso ultrapassou essa barreira num tempo em que estávamos isolados pela ditadura de Francisco Franco”, disse.

Banderas sempre quis viver o artista, mas chegou a recusar algumas vezes o papel no passado. “Achei que não era a hora certa”, explicou. “Mas agora senti que era. É uma tremenda responsabilidade, porque sei que, se não fizer direito, não posso mais ir para minha cidade natal”, brincou.

Apesar da proximidade, algumas coisas surpreenderam o ator na pesquisa. “Não havia separação entre o artista e o homem”, contou. “Ele não deixava de ser pintor quando ia para casa”.

Banderas interpreta Picasso na idade madura, mostrando sua relutância inicial em aceitar a encomenda que acabou resultando em sua obra mais célebre, “Guernica”, e as dificuldades com suas várias mulheres. O norte-americano Alex Rich faz o pintor na juventude, quando ele tenta estabelecer seu próprio caminho criativo, mas acaba ganhando dinheiro imitando o estilo de outros artistas em Paris. “Para chegar ao cubismo, ele precisou mudar totalmente sua maneira de olhar o mundo”, explicou Rich. A série pula no tempo, abrangendo desde o nascimento do pintor até sua velhice. Picasso viveu até os 91 anos, e sua carreira abrange 80.

#MeToo. Ser lançado no meio dos movimentos #MeToo e Time’s Up fez com que os produtores fossem questionados, por exemplo, pelo fato de as duas temporadas destacarem gênios do sexo masculino, deixando as personagens femininas em segundo plano. “Nós nos esforçamos para mostrar essas mulheres cercando esses ícones”, disse o showrunner Ken Biller. “Em Einstein, por exemplo, Samantha Colley (que desta vez é a fotógrafa Dora Maar, uma das amantes e musas de Picasso) interpretou Mileva Maric, uma cientista que foi esquecida pela história. Se a história a tivesse tratado de maneira diferente, talvez hoje estivéssemos fazendo uma série sobre ela”, afirmou.

Além de Dora Maar, “Genius” mostra também os relacionamentosde Picasso com Marie-Thérèse Walter (Poppy Delevingne) e Françoise Gilot (Clémence Poésy), que aconteceram concomitantemente. “No atual clima político, foi interessante explorarmos como este homem, de muitas formas, devorou as mulheres com quem interagiu”, disse a produtora Francie Calfo.

Para Biller, o objetivo da série não era santificar Pablo Picasso. “Queríamos explorar alguém muito complexo e as pessoas a sua volta. Não estamos fingindo que tudo o que ele disse ou fez era admirável. Ele fez coisas extraordinárias e outras terríveis”.

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