O TEMPO DADOS

Patrimônios dos candidatos incluem de avião a carroça com burro

Armas, obras de arte e até contas bancárias com saldo inferior a R$ 1 aparecem entre os bens declarados à Justiça Eleitoral

Modelo Porsche 718 Boxster, similar ao veículo mais caro dentre os declarados em Minas (imagem ilustrativa)
Cristiano Martins
24/10/20 - 06h00

 

Veículos, casas e terrenos figuram no topo da lista dos bens declarados com mais frequência pelos candidatos mineiros nestas Eleições 2020. No meio dos mais de 160 mil registros, porém, alguns itens inusitados saltam aos olhos.

Os patrimônios informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluem de aviões a carroças, passando por coleções, armas, obras de arte e até direitos autorais. Há também quem guarde dinheiro em espécie – até R$ 4,5 milhões – e aqueles que fizeram questão de registrar contas bancárias com saldos inferiores a R$ 1.

Por trás das observações curiosas ou até engraçadas, no entanto, há um tema muito sério a ser debatido. A relação mostra uma enorme quantidade de erros de preenchimento e imprecisões, além da falta de padronização ou detalhamento nas declarações, tão importantes para a transparência do processo eleitoral.

 

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Voando

Doze concorrentes disseram possuir algum bem na categoria “aeronaves”. A lista detalhada, no entanto, inclui até uma moto de 150 cilindradas e um Corsa 1997.

Dentre os veículos que realmente alçam voo, chama atenção um “avião experimental em construção” avaliado em R$ 132 mil, pertencente a Eunice Advogada (DC), candidata à Prefeitura de Monte Carmelo. Postulante à Câmara Municipal de Paracatu, Professor Celi (Solidariedade) também declarou um aeromotor, mas sem nenhuma informação além do valor de R$ 160 mil.

O meio aquático é outra alternativa de transporte ou lazer entre os concorrentes. Foram registradas 39 embarcações, sendo cinco com preços acima dos R$ 100 mil. Uma delas é a lancha Phantom de Juninho de Elias (Patriota), candidato a prefeito em Esmeraldas, bem longe do mar e das principais represas do Estado. O barco vale R$ 350 mil.

No segmento dos automóveis de luxo, destaca-se Sergio Chaer (PTB), postulante ao Executivo em Araxá, com dois dos três veículos mais caros da lista. O advogado ostenta um Porsche 718 Boxster, avaliado em R$ 530 mil, e um Audi A7, de R$ 480 mil. Entre os dois está a BMW X6 de R$ 500 mil declarada por Geraldinho (PTC), na corrida por uma vaga na Câmara de Ubá.

Tão valiosa quanto um desses carros de verdade é a coleção de veículos em miniatura declarada por Glendersom Barbosa Parreiras, o Barbosa das Corridas de Rua (PTC). Candidato a vereador em Belo Horizonte, ele estima o acervo pessoal de pequenas réplicas em ao todo R$ 484 mil.

Tração

Há também quem tenha declarado suas carroças, literalmente. Foram três candidatos, entre eles Aildo do Açougue (PTB), postulante a vice-prefeito em Engenheiro Navarro. O veículo dele foi avalido em R$ 6 mil juntamente com o burro responsável pela tração.

Ainda no universo equino, 35 concorrentes declararam possuir cavalos de raça. O valor médio chega a R$ 33 mil por cabeça entre os dez animais dos tipos campolina e mangalarga pertencentes a Thiago Raimundi (PSB), candidato a vereador em Ponte Nova.

 

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R$ 1,7 milhão em direitos autorais

O levantamento traz ainda obras de arte, livros e outros bens cujo valor financeiro pode ser subjetivo ou ao menos mais difícil de determinar.

O caso mais curioso é o do músico Antonio Augusto dos Reis, o MC Cafuringa (PSB), candidato a vereador em Rio Acima. “O maior talento da cidade”, como ele mesmo se apresenta, precifica a própria obra artística em ao todo R$ 1,7 milhão. São R$ 850 mil referentes aos direitos autorais de 800 composições, R$ 750 mil no valor da logomarca pessoal e R$ 132 mil em royalties dos seis discos gravados.

Já Nacife Miguel Burjaile Sobrinho, o Nacifinho (PV), candidato a vereador em Teixeiras, declarou dois quadros do artista plástico mineiro Amadeo Luciano Lorenzato. Juntas, as telas têm valor estimado de R$ 100 mil.

Esta é a mesma cifra declarada em “livros e objetos de arte” por Elizeu Assis (Podemos), postulante à Câmara Municipal de João Monlevade. Ele não deu mais detalhes sobre o acervo pessoal.

Entre os colecionadores, vale também uma menção ao filatelista José Francisco Matos e Silva, o Chiquinho (PSD). Candidato a vice-prefeito em Bom Jardim de Minas, ele revelou ter R$ 5 mil em selos postais.

Por fim, outros itens inusitados que se distinguem na lista são os tapetes persas declarados por Priscila Birkeland (PSB), concorrente ao Legislativo em Matias Barbosa. São quatro peças valoradas em ao todo R$ 4.752.

Pistolas

Apenas cinco candidatos de Minas Gerais registraram armas de fogo em seus informes de bens à Justiça Eleitoral. Nenhum deles se declarou oficialmente como agente de alguma força de segurança pública, e só um dos nomes de urna indica uma possível relação com o setor: Agente Macedo (PSD), postulante à Câmara de Patrocínio.

Concorrente ao Legislativo em Divinópolis, o engenheiro Juliano Vieira (Avante) declarou duas pistolas, com valores de R$ 4.880 e R$ 2.480. Completam a lista Toninho da Center Informática (PSL), também de Divinópolis, Albert Reis (Republicanos), de Carmo do Paranaíba, e Bruno Dentista (PSL), de Visconde do Rio Branco, todos com pistolas avaliadas entre R$ 2.800 e R$ 4.460.

Todas as informações são públicas e estão disponíveis para a consulta dos eleitores no DivulgaCand, o Sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE.

 

Mais de 7 mil candidatos não informaram bens

Deixadas de lado as curiosidades, merece atenção especial o grande volume de declarações não apresentadas, repletas de erros de preenchimento e sem padronização ou um mínimo detalhamento dos bens.

Até a conclusão deste levantamento, os patrimônios de 7.384 postulantes mineiros (9%) ainda não haviam sido registrados no sistema do TSE, prejudicando assim a plena transparência do processo.

Apesar de obrigatório, o informe à Justiça Eleitoral não precisa refletir fielmente a declaração de bens enviada à Receita Federal e não há sequer uma punição específica para as informações ausentes ou inconsistentes, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG).

“No que se refere ao pedido de registro de candidatura, há decisão no sentido de que eventual inconsistência de informação não pode ser objeto de análise no procedimento, que visa apenas aferir o preenchimento das condições de elegibilidade e de formalidades legais, bem como incidência de causa de inelegibilidade”, informou o TRE em nota.
 

 

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comentários (4)

Laurimar Rosa de Lima
Pois bem! E quando são eleitos, os bens e patrimônios, triplicam de forma assustadora. Particularmente, eu não voto mais, nem compareço nas Urnas. Prefiro pagar a Multa que é menos de QUATRO reais.
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2:30 PM Oct 24, 2020

Leo
Gostaria de saber o patrimonio do Kalixo... Alguem sabe informar??
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12:11 PM Oct 24, 2020

JHONATAN SILVA
Todo mundo já sabe que de burros, já estão cheios os poderes.
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9:15 AM Oct 24, 2020

Ninguém
Prefeito eu não vou votar em nenhum. Eu não tinha nenhum candidato a vereador, até virar a cabeça para a televisão e ver o nome de Ana da Sopa, que é uma mulher que sai às ruas de Belo Horizonte, nos pontos de ônibus há vários anos pedindo moedas para ajudar na sopa de moradores de rua. E conheço gente que já tomou da sopa. Nessa eu voto, com absoluta certeza. Votar em rico? Odeio rico!
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8:11 AM Oct 24, 2020