Nova variante

Mutação do coronavírus provocou segunda onda na Europa, diz estudo

Mutação surgiu em junho, entre trabalhadores no nordeste da Espanha, e se espalhou rapidamente pelo continente durante o verão

Qui, 29/10/20 - 17h43
Europeus voltam a se confinar por avanço do coronavírus
audima

Uma variante do coronavírus teria sido responsável pela segunda onda de Covid-19 na Europa, de acordo com um estudo de cientistas de institutos suíços e espanhóis. A mutação surgiu em junho, entre trabalhadores no nordeste da Espanha, e se espalhou rapidamente pelo continente durante o verão. Chamada de 20A.EU1, ela teria provocado a maioria dos dos novos casos da doença em vários países europeus. Especialistas alertam que há riscos de que mutações comprometam a capacidade de imunização dos candidatos vacinais em desenvolvimento contra o coronavírus.

Segundo o estudo, que ainda não foi publicado em periódico revisado por pares, a disseminação da mutação pode ter se tornado mais rápida após a liberação das viagens durante o verão na Europa. Pessoas que voltaram de férias da Espanha teriam tido um papel importante na transmissão da variante, que foi identificada em 12 países da Europa e já é responsável por mais de 80% dos casos no Reino Unido. O vírus está presente também em Hong Kong e na Nova Zelândia.

"A partir da disseminação da 20A.EU1, parece claro que as medidas (de prevenção contra o coronavírus) em vigor muitas vezes não eram suficientes para interromper a transmissão das variantes introduzidas neste verão", afirmou a geneticista da Universidade de Basileia (Suíça) e líder do estudo, Emma Hodcroft ao Financial Times.

Os cientistas estão estudando a nova variante para descobrir se ela pode ser mais letal ou infecciosa do que outras mutações do coronavírus. Emma Hodcroft declarou ao jornal britânico que não há  “nenhuma evidência de que a propagação (rápida) da variante se deva a uma mutação que aumente a transmissão ou impacte o resultado clínico”.

De acordo com o professor Sergio Costa Oliveira, professor titular de imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), dependendo da mutação, pode haver prejuízo na capacidade de imunização das candidatas vacinais em desenvolvimento contra o coronavírus.

"Algumas vacinas contêm uma ou duas partes do vírus e, se essas partes específicas sofrerem mutação, as vacinas podem ter problema para funcionar. No caso de vacinas que usam o vírus inteiro, como a vacina chinesa, a probabilidade de ter problema é menor. Depende de onde ocorre a mutação e da composição da vacina", explica Oliveira, referindo-se à Coronavac. O candidato vacinal desenvolvido pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan está na fase 3 de testes clínicos.

Segundo ele, dependendo das mutações, podem ser necessárias avaliações periódicas sobre o tipo de vírus em maior circulação para a produção de composições diferentes de vacinas, como ocorre no caso da Influenza: a composição da vacina contra a gripe é recomendada anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com base na prevalência das cepas circulantes e muda para proteger contra os vírus mais comuns de cada época.

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