Opinião

‘O país precisa de reformas, está caindo ladeira abaixo’, diz Medioli

Prefeito de Betim concedeu entrevista à rádio Super 91,7 FM

Prefeito de Betim em entrevista à rádio Super FM
PUBLICADO EM 13/06/19 - 20h56

Em entrevista ao Café com Política, da rádio Super 91,7 FM, na quarta (12), o prefeito de Betim, Vittorio Medioli, falou sobre a importância da inauguração da UPA Norte para a cidade, sugere a redução dos salários dos deputados e defende a aprovação de reformas no Brasil. Confira:

Temos um novo governo federal e um novo governo do Estado. Que avaliação o senhor faz do quadro político aqui, em Minas, com a chegada de Romeu Zema? O senhor acha que as coisas já estão se acomodando após um início de gestão bastante turbulento?
O ser humano tem essa grande capacidade de se acomodar, de se ajustar a qualquer situação. Ao inverno, ao verão, à Antártida, ao deserto, para poder sobreviver. Agora, não é que a situação esteja confortável. Aliás, é preocupante, porque o país precisa de reformas, está caindo ladeira abaixo. Num país em que há um grande déficit, não há margem para investimentos, infraestrutura na saúde, na educação e nos setores básicos. As coisas não funcionam como deveriam. E também há uma queda de interesse internacional em investir no Brasil. Eu lembro que, quando o país gerava superávit, ou seja, tinha uma gestão responsável, o afluxo de capital de fora era imenso. Tivemos bons momentos. Agora, essa incerteza, e com um horizonte de uma crise, de um déficit cada vez mais crescente, não se investe. As pessoas têm medo do Brasil. O Brasil tem que encontrar coragem de fazer aquilo que precisa.

A UPA Norte, uma das maiores promessas de campanha do senhor, foi oficialmente aberta nessa quarta-feira em Betim, com uma estrutura inovadora e um atendimento diversificado. O que ela traz de melhorias para a população?
A UPA Norte é a primeira das grandes intervenções realizadas no meu mandato, colocando serviços de qualidade superior. Na realidade, não é bem a primeira, porque nós já colocamos a hemodiálise e a oftalmologia num patamar de alta qualidade, mais do que dobrando os atendimentos. Hoje, temos uma hemodiálise que atende 430 pacientes, e, quando entrei, atendia só 213. Mas não é apenas a quantidade, é a qualidade do atendimento, a satisfação dos usuários. Na oftalmologia, nós demos passos de gigante, porque hoje Betim está virando um município com maior prestação de serviços em catarata e outras especialidades oftalmológicas que não existiam. E com uma qualidade excelente. Tanto é que eu fiz (cirurgia de) catarata nos dois olhos no Hospital Municipal de Betim, face à segurança que dá, à qualidade que vem gerando. Agora, a UPA Norte; quem entra e vê o tipo de funcionamento se espanta, porque não é o nível de qualidade, o nível normalmente adotado no setor público. Nós ampliamos o atendimento de uma capacidade de 8.500 pacientes para 13,5 mil. Subimos de 23 para 36 leitos, e cada um deles é equipado com toda a aparelhagem de uma UTI, podendo dar uma grande resposta e recuperação aos pacientes internados. Também tem um setor dedicado à pediatria, que faltava e passa a ser referência não apenas em Betim, mas também nos municípios em volta, devido a uma série de estruturas que foram adotadas nessa UPA. 

Nós sabemos do momento crítico vivido pelas prefeituras mineiras por conta da falta de repasses constitucionais durante o governo Pimentel, e em Betim não é diferente. Diante desse quadro de dificuldades, que balanço o senhor faz desses dois anos e meio à frente da Prefeitura de Betim? 
Foi o pior momento na história municipalista. A renda do Brasil caiu, nos últimos cinco anos, quase 20%. E Minas Gerais conseguiu cair mais ainda: 25% do seu PIB. Houve a saída da Fiat, a redução do refino da Petrobras, houve a paralisação das minas de Mariana, depois de Brumadinho. Agora, Betim perdeu, da participação que tinha no ICMS do Estado, quatro pontos percentuais. Cada ponto, cada 1% num bolo de quase R$ 13 bilhões, representa R$ 130 milhões. Betim perdeu 4%, portanto houve uma queda de mais de R$ 500 milhões na arrecadação do município. Fora isso, a retenção que o governo fez, de maneira inconstitucional, ilegítima e ilegal, de cerca de R$ 250 milhões nos últimos seis meses. É, digamos, tentar matar uma estrutura que já está destruída pela queda de arrecadação abrupta que se realizou em pouco tempo. Betim tinha 30 anos de aumento de arrecadação, e a queda foi na ordem de 30%. E não há como se aumentar impostos, não há como se exigir mais do cidadão. O número de desempregados em Betim cresceu uma enormidade. Acho que é o município, provavelmente no Brasil, que teve a maior queda de renda. As pessoas não entendem, falam que Betim era um município rico, hoje é um município com gravíssimas dificuldades. Agora, enfrentar e conseguir pagar os salários em dia, pagar o 13º, atender a saúde, aumentar os atendimentos de saúde, melhorar substancialmente também a educação, foi um esforço de toda uma equipe, uma motivação de enfrentar as graves dificuldades dizendo: “Aqui não tem nada de impossível, nós podemos gerar soluções sem dinheiro”. Resta o fato de que, em dois anos e meio, não conseguimos destinar nada a investimentos do Orçamento, investimentos próprios, porque consome as despesas obrigatórias, consome os salários, a dívida. Nós pagamos também, pontualmente, todas as obrigações previdenciárias. Só no último ano, repassamos R$ 53 milhões ao Ipremb, nosso instituto de Previdência. Em 2016, foram passados R$ 12 milhões, com uma arrecadação bem superior à nossa. Agora, assumimos a responsabilidade fiscal de gerar, apesar dessa grande dificuldade, superávit, não gastar aquilo que não temos e de encontrar novas fórmulas de enfrentamento dos problemas. Instituímos a lei de contrapartida – hoje os empreendimentos têm que dar uma contrapartida social –, resgatamos verbas que estavam perdidas, corremos atrás de crédito do município, geramos uma plano, através de uma anistia – mais que anistia, uma facilitação –, para a regularização das dívidas, e isso tem mantido Betim em vida.

Qual avaliação o senhor faz da política em âmbito nacional e do governo Jair Bolsonaro? 
Se o país não assumir a coragem, se esse Congresso não assumir a coragem de fazer as reformas, e parar de olhar os interesses próprios, escandalosamente voltados às minorias, aos nichos, aos privilégios, nós nunca poderemos consertar o país. Depois, deveriam baixar a remuneração dos parlamentares, deveriam reduzir drasticamente as mordomias que eles têm, para eles sentirem quais são as dificuldades fora do Congresso. Passei 16 anos lá dentro, numa época em que a remuneração aumentou, as mordomias aumentaram. Quando entramos, tínhamos seis assessores e um salário, em relação a hoje, de R$ 10 mil, R$ 12 mil. Hoje, a remuneração de um congressista, sei lá, passa de R$ 100 mil por mês.

São R$ 33 mil de salário, fora os penduricalhos que recebem... 
Fora as emendas. O Congresso ganhou um grande poder e não fez por merecer. Teve para ele privilégios, mordomias, coisas injustas. Injustas num país que tem hoje mais de 50 milhões (de pessoas) na pobreza. Para dar um estímulo, dar uma legitimidade ao exercício do legislador e também do Judiciário e do Executivo, tem que dar o exemplo. E o exemplo é péssimo. Olhamos nos noticiários, cada dia tem um espanto. Hoje, querem colocar para fora o Moro (Sergio). É uma pessoa que teve coragem de enfrentar um esquema que estava destruindo o país. Agora, o Congresso quer tirá-lo. Isso é um absurdo. Acho que o povo teria que descer às ruas para protestar contra esse tipo de coisa.

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