Acílio Lara Resende

O início de uma longa jornada
Publicado em: Qui, 28/02/19 - 03h00

Pode ser exagero meu. Ninguém tem bola de cristal. Ninguém, afinal, tem certeza do que será o futuro deste país. Visto deste presente cheio de polarização política, tão distanciado no tempo, me parece opaco, senão negro. Torço para que edifiquemos uma grande nação, que busque consolidar a democracia e a justiça, independentemente de partido político e de quem esteja na Presidência da República. Um sonho. Um sonho que me faz viver e ter força para continuar sonhando.

Mas, como não sou de ferro nem insensível, às vezes, leitor, quando reflito sobre o que tem sido nossa política, ao longo de muitas décadas, tão incompetente e distanciada dos princípios éticos, experimento o gosto amargo da desesperança. Não conhecerei o país com o qual sonhei um dia e pelo qual fiz, com certeza, muito pouco como cidadão. Isso, porém, quer dizer quase nada. O que de fato deveria nos preocupar é a cobrança que virá depois – à minha e a outras gerações.

Decorridos pouco mais de 50 dias, a primeira crise do governo Bolsonaro, que envolveu um dos seus ministros – o novato Bebianno, coordenador político da sua campanha –, só fez piorar a impressão que vai se formando acerca do atual titular da Presidência da República. Nos diálogos com o ministro defenestrado pelo filho Carlos, ele demonstrou que ainda não se conscientizou do peso e da liturgia do cargo que assumiu. Além disso, sua maneira de encarar a política ajuda na atual polarização que ameaça o regime democrático. Segundo a historiadora, cientista política e professora da UFMG, Heloisa Starling, em entrevista à revista “Época”, “a corrosão da política, o desequilíbrio entre os Poderes e a polarização ameaçam a democracia brasileira”.

Pensando bem, ao concluir essas minhas divagações, e apesar de tudo, estou disposto, por ora, a dar crédito ao atual governo. No fundo, não me emendo, e acho “que a vida vai melhorar”, como vem cantando Martinho da Vila há 50 anos. Só não concordo com o sambista, que tem 46 discos e 15 livros lançados, quando, em entrevista recente, disse que a prisão do Lula é “uma injustiça muito grande”. E concluiu: “Uma pessoa dessa estar presa por um fato miúdo e sem prova…”.

Deixemos de lado o ex-presidente e o velho sambista carioca. Sensibiliza-me mais o que disse o jornalista Fernando Gabeira, que voltou com força ao jornalismo que abraçou muito jovem. De uns tempos para cá, ele tem preenchido, com sua pena inteligente, lacunas em nossa imprensa escrita: “Temos que achar uma forma de abstrair esse baixo nível e nos unirmos no principal: tirar o Brasil da crise, votar na reforma da Previdência e reduzir o número de crimes”.

E estamos conversados, à espera da renúncia de Nicolás Maduro e, quem sabe, de Ricardo Vélez, ministro da Educação, pelas bobagens que vem dizendo e propondo. A educação é coisa séria!

A esperança é a última que morre!

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Nestor Martins Amaral Júnior 9:07 AM Feb 28, 2019
Realmente educação é coisa séria. A postura do seu ministro deve ser independente da preocupação de agradar a esse ou aquele, nem mesmo ao presidente e sim em fazer o que precisa ser feito. A tal frase de efeito, se não tivesse sido o mote da campanha de Bolsonaro, até que seria uma boa. Mas, da forma em que o ministro a lançou ficou com odor de bajulação. Isso bota tudo a perder no que tange a seriedade.
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