Cristovam Buarque

Aniversário do futuro
Publicado em: Sex, 26/04/19 - 03h00

Recentemente, Brasília completou 59 anos, provocando muitas manifestações sobre as características da cidade. A maior parte das comemorações refere-se, em geral, à arquitetura e ao urbanismo da capital. Há poucas referências à outra Brasília, a de seus feitos.

Entretanto, li num jornal local carta do leitor Francis Serafim, que ressaltou que o programa Bolsa Família foi criado no governo Fernando Henrique Cardoso, e não no governo Lula. O leitor tem razão ao dizer que, antes de Lula lançar o Bolsa Família, em 2004, FHC já tinha levado a todo o Brasil o Bolsa Escola, implantado no Distrito Federal, em 1995, depois de concebido na Universidade de Brasília (UnB), em 1986. Mas o leitor talvez não saiba que o programa hoje aplicado em dezenas de países nasceu na capital federal.

Os restaurantes populares, que estão em todo o Distrito Federal e em várias cidades do país, surgiram primeiro no Paraná. Mas foi no Distrito Federal que o governador Joaquim Roriz (1999-2002) criou a mais bem-sucedida rede desses restaurantes, que se mantém até hoje.

Brasília, desde 1996, se tornou exemplo para todo o Brasil sobre como respeitar o trânsito e, sobretudo, a faixa de pedestres. 
A cidade deve comemorar suas personalidades e realizações; esportistas como os jogadores de futebol Lúcio e Kaká; o atleta Joaquim Cruz, que conquistou o ouro no atletismo, nas Olimpíadas de 1984; a campeã Leila do vôlei, que hoje é senadora da República. Foi de Brasília que saíram alguns dos maiores nomes da música brasileira e do rock nacional, com sotaque candango, como Renato Russo, Cássia Eller, Zélia Duncan, Oswaldo Montenegro.

Ainda há o Clube do Choro, que é referência nacional e internacional. E teve também Cláudio Santoro, na música erudita. No cinema nacional, nomes marcantes como Vladimir Carvalho, de uma geração que ajudou a inspirar novos cineastas como José Eduardo Belmonte. E agora há mais um destaque internacional, nascido em Brasília, para o Brasil aplaudir. O repórter fotográfico brasiliense Ueslei Marcelino ganhou, na semana passada, o Pulitzer, o mais prestigioso prêmio de jornalismo nos Estados Unidos.

É para a alma de Brasília, seu povo, que devemos olhar na comemoração de seu aniversário, projetando nosso futuro. Na década de 50, o Brasil se uniu no esforço de construir sua nova capital. Quase 60 anos depois, é hora de Brasília se unir para ajudar a construir um novo país. Pelo exemplo de política sem corrupção, com prioridades na solução dos problemas de nossos pobres, mostrando como se implantam bons sistemas de saúde, segurança e educação, governando sem populismo e com responsabilidade.

Na década de 1950, o Brasil se uniu no esforço de construir sua nova capital. Quase 60 anos depois, é hora de Brasília se unir para ajudar a construir um novo país. Pelo exemplo de política sem corrupção, com prioridades na solução dos problemas de nossos pobres e governando com responsabilidade.

(2) comentários

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Nestor Martins Amaral Júnior 11:48 AM Apr 26, 2019
Tomara que saia de Brasília um novo Brasil hoje claudicante e alquebrado após16 anos de apagão gerido por piratas. Os três poderes em perfeito conluio saquearam o tesouro quer por corrupção quer por salários, mordomias e nababescas aposentadorias dignas de sultões de paraísos do rico mundo do petróleo. Tudo isso ao lado de uma população miserável, cuja miséria é da responsabilidade dos que mandam no país. E a oposição? Por onde andou? Não andou. Aproveitou-se da comilança e quedou-se silêncio.
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Nestor Martins Amaral Júnior 11:50 AM Apr 26, 2019
Corrigindo: quedou-se no silêncio.
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