Editorial

À espera do pior
Publicado em: Sáb, 18/05/19 - 03h00

Barragens se romperam, matando pessoas, sem que elas esperassem tamanha tragédia. Desta vez, o risco de um novo desastre foi anunciado, e a população de uma cidade inteira espera que, a qualquer momento, haja a queda de uma nova estrutura. Gente que abandonou sua rotina para fugir da morte, mas, ainda assim, convive com o medo. Nesse clima, vive a população de Barão de Cocais, na região Central, onde o talude da mina de Congo Soco, da Vale, está se movendo e pode cair até o próximo dia 25, conforme a própria mineradora.

Se a estrutura não aguentar, o talude pode destruir, 1,4 km abaixo, uma barragem com 83 m de altura e 4,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A inundação teria uma extensão de 72,5 km.

Seriam afetadas 6.000 pessoas, residentes na zona secundária de salvamento, que teriam de deixar suas casas em pouco mais de uma hora. Em fevereiro, 443 pessoas já foram retiradas da zona de autossalvamento.

Neste sábado (18), a Vale vai realizar um segundo simulado de evacuação daqueles 6.000 moradores. No primeiro simulado, em março último, mais de 2.000 pessoas não participaram. Agora, é fundamental que todos o façam.

Enquanto isso, toda a população de Barão de Cocais, cerca de 32 mil habitantes, aguarda, angustiada, o que poderá acontecer, entre os dias 19 e 25 próximos – ou mesmo antes, ou depois –, com a estrutura que os ameaça.

“A cidade morreu”, desabafa o prefeito Décio Geraldo dos Santos. A vida na região está em suspenso, já que a incerteza é generalizada, e ninguém pode fazer planos, como marcar um casamento ou iniciar um negócio.

Segundo o prefeito, as pessoas estão adoecendo. Já teve caso de morador que tentou suicídio por não suportar o estresse. Um conforto parece impossível, mas seria importante que ele viesse de fora do município.

O apoio do governado chega por meio da Defesa Civil e dos bombeiros, que estão ao lado dos habitantes de Barão de Cocais nesta hora difícil e incerta.

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