Editorial

A água vai faltar
Publicado em: Qui, 18/04/19 - 03h00

A possibilidade de uma crise hídrica num futuro próximo constitui uma preocupação que vem crescendo em diversos níveis da administração pública. O assunto foi tratado recentemente pelas Câmaras municipais de Contagem e Belo Horizonte, nesta no âmbito de uma CPI relativa às barragens.

O problema emergiu com o rompimento, no final de janeiro, da barragem da mina de Córrego do Feijão, da Vale, cujos rejeitos turvaram as águas do rio Paraopeba, a partir do município de Brumadinho, na região metropolitana da capital. Desde então, a captação de água do rio foi interrompida.

Entre 2014 e 2015, devido a forte estiagem, Belo Horizonte e a região metropolitana tiveram problemas de abastecimento de água. A situação foi contornada depois que o governo do Estado investiu R$ 128 milhões na construção de um sistema de captação da água no rio Paraopeba, em Brumadinho.

Com o desastre, houve uma redução de 30% na produção de água potável destinada ao abastecimento da capital e de 14 cidades da região. Outros sistemas, como os de Serra Azul, Várzea das Flores e Rio Manso, passaram a ser pressionados para suprir a queda no abastecimento que se estabeleceu.

A preocupação é porque a Copasa informou que esses reservatórios só têm água para um período de 18 a 20 meses de abastecimento, o que, do ponto de vista técnico, é considerado um prazo curto. Depois desse tempo, a região metropolitana poderá enfrentar o risco de uma crise de desabastecimento do líquido.

Devido ao dano ambiental, não há prazo para ser restabelecido o sistema de captação do Paraopeba. Sugere-se a construção de um novo equipamento em ponto mais alto do rio, ao custo de R$ 350 milhões, que seria bancado pela Vale. Mas isso vai demandar tempo talvez maior do que aqueles 20 meses.

No momento, o mais recomendável é conscientizar a população para a gravidade da situação.

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Moura 1:23 PM Apr 18, 2019
A preocupação com a futura falta de água doce é fundamental. Entretanto o estado continua "aprovando" projetos de minerodutos que deixam como herança os seguintes problemas: - Água doce de nossas bacias hidrográficas é bombeada para outros Estados; - Vai ficar com o nosso estado a herança de "cavas"das minas de minério de ferro desativadas... - O valor agregado (retorno em impostos) fica com estados vizinhos (ES e RJ) onde são produzidos os "pellets" de minério. Para MG somente a CFEM...
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