Editorial

A polêmica das armas
Publicado em: Sáb, 11/05/19 - 03h00

O presidente da República declarou ontem que, se for inconstitucional o decreto das armas, as medidas propostas por ele não serão implantadas. “Estamos dentro do limite da lei”, disse Bolsonaro. “Quem vai dar a palavra final é o plenário da Câmara ou a Justiça”.

O Congresso já está procurando fixar uma posição. Técnicos da Câmara e do Senado afirmaram que o decreto, que amplia as permissões de porte de armas para 19 categorias profissionais, é ilegal, porque vai de encontro a leis como o Estatuto do Desarmamento.

As mudanças só poderiam ocorrer se fossem feitas por meio de uma nova lei, advertiram imediatamente os representantes de vários segmentos sociais. Para Rodrigo Maia, presidente da Câmara, o decreto contém inconstitucionalidades, que precisam ser removidas.

A reação maior provém da Câmara, em que oito projetos tentam revogar o decreto. No Senado, quatro propostas foram protocoladas pela oposição. Até a bancada evangélica se posicionou contra, pretendendo apresentar uma proposta própria, sem viés de esquerda.

Enquanto isso, a ministra Rosa Weber, do Supremo, também pediu explicações ao presidente da República, que terá um prazo para fazer isso. A declaração de Bolsonaro em Foz do Iguaçu, no entanto, indica que o governo está disposto a ouvir e a negociar.

Não é provável que o presidente, para levar adiante sua proposta, esteja disposto a abrir mais uma frente de combate, talvez igual ou maior do que a que o confronta para aprovar a reforma da Previdência Social. O desgaste não compensaria o esforço.

Pelo que parece, o decreto tem efeito mais eleitoral, dando satisfações ao eleitorado que votou em Bolsonaro porque ele, em campanha, prometeu tomar medidas corajosas, que batessem de frente com as práticas da “velha política”, que ele conhecia bem.

Não obstante os sinais em contrário, o governo “dança conforme a dança”.

(2) comentários

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Nestor Martins Amaral Júnior 8:49 PM May 11, 2019
O esquerdista, militante que é do Foro de São Paulo, abrigo seguro da escória política da América Latina envolvida até com o narcotráfico e contrabando de armas não se conscientiza da derrota nas urnas pela maioria do povo que a quer distante daqui. Ela pensa que democracia é o poder que dela emana e em nome dela deve ser exercido. A maioria dos eleitores torna-se para ela desprezível detalhe de somenos importância, como se idiota fosse. “Quando a saliva acaba entra a pólvora”. E então?
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D Werneck 11:31 AM May 11, 2019
Este porte de armas, não é obrigatório, não é uma imposição. Ela simplesmente lhe dá a opção de ter ou não. É a sua consciência que irá determinar, se você está em vulnerabilidade ou não, se você quer ou não. Ela é um recado para os bandidos, de que se ele entrar, inteiro, em qualquer local indevido você estará sujeito a uma reação aramada, só isso. Quem tem medo está de fora, quem tem coragem estará dentro, simples assim. O medo do armamento está na proteção jurídica dos policiais e sua.
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