Editorial

A próxima guerra
Publicado em: Dom, 19/05/19 - 03h00

A temperatura da relação entre Estados Unidos e Irã aumentou, na semana passada, com o ataque oleoduto da Arábia Saudita e a petroleiros no estreito de Ormuz, por onde passam diariamente cerca de 18 milhões de barris de petróleo – 20% de todo produto comercializado no mundo.

Inquirido pela imprensa se estava caminhando para uma guerra contra o Irã, o presidente Donald Trump foi enigmático: declarou esperar que não. Afirmou, no entanto, que protegerá os interesses dos EUA na região.

As chances de conflito existem, pois esse vem sendo incentivado pelo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, e pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, que acusam o Irã de atiçar terroristas contra os EUA e seus aliados.

A história se repete: em 2003, os EUA mentiram dizendo que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa e que estava coligado com a Al Qaeda. Agora, estão exigindo do Irã o que este não tem condições de atender.

O ponto de discórdia é o acordo nuclear de 2015, do qual os EUA se retiraram. França, Reino Unido e Alemanha ainda o sustentam. Se for cancelado, o Irã voltará a enriquecer urânio e retomará seu cronograma nuclear.

Uma guerra contra o Irã terá consequências mais desastrosas do que a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003. O conflito desfez o protagonismo norte-americano e fez ressurgir a rivalidade entre as potências mundiais.

A invasão deu origem ao Estado Islâmico e aumentou o poderio da Rússia e da China na região. Além disso, dividiu os norte-americanos e fez o país perder US$ 3 trilhões.

Na época, os EUA tiveram o apoio da Grã-Bretanha. Agora, eles não terão o apoio de nenhum país do Ocidente. O Irã é aliado da Rússia e da China. Tem um exército de 1 milhão de homens, que não vão entregar facilmente o país, como ocorreu com os soldados de Hussein.

Com tantos erros cometidos no passado, não é possível que a insensatez volte a predominar. Ao contrário de outros países, os EUA não podem passar sem escolher um inimigo, a fim de combater a próxima guerra.

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