Editorial

Ameaça de recessão
Publicado em: Sex, 17/05/19 - 03h00

O Brasil iniciou o ano com expectativas de que o novo governo iria dar um rumo ascendente à economia do país. A equipe econômica escolhida pelo presidente Jair Bolsonaro constituía um trunfo a garantir um bom desempenho.

Era para a economia continuar o ritmo de recuperação que vinha desde o governo anterior. No entanto, por conta da instabilidade política estimulada pelo próprio governo, tal não ocorreu e a economia não só parou, como recuou.

Nesta semana, o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica, indicador que serve de prévia para o PIB, encolheu 0,68% no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o último trimestre de 2018.

O índice considera os dados apresentados pela indústria, pelo comércio, pelos serviços e pela agricultura, além da arrecadação de impostos, que, juntos, não corresponderam às expectativas dos primeiros meses do novo governo.

No início do ano, a perspectiva era de um crescimento de 2,5% em 2019, conforme previsão do boletim Focus do BC. Desde então, porém, conforme andava a política, ela veio diminuindo, chegando hoje a um PIB de 1%.

A preocupação é o país entrar de novo numa recessão. A sociedade, o Congresso e o governo, em especial o presidente da República, precisam transmitir ao mercado a disposição da necessidade das reformas.

Sem falar em recessão, o ministro Paulo Guedes, da Economia, admitiu, noutro dia, que o país está no fundo do poço, precisando se endividar para continuar funcionando. É preciso sair imediatamente desse círculo vicioso.

Nessa situação, o investimento, a produção industrial e o consumo estacam ou recuam. O primeiro trimestre de Bolsonaro, que deveria ser de crescimento, foi negativo. Os agentes econômicos se mantiveram na expectativa.

É preciso fazer a indústria contratar e o consumidor voltar a comprar. Do contrário, o Estado para de arrecadar e tem de se endividar. Mas, para isso, é preciso injetar confiança no mercado, inaugurando um círculo virtuoso.

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