Editorial

Mea-culpa da Igreja
Publicado em: Sex, 10/05/19 - 03h00

O papa Francisco assinou, ontem, um decreto que obriga os bispos a denunciar casos de abuso sexual dentro da Igreja Católica. O instrumento também incentiva os fiéis a se queixarem diretamente ao Vaticano, por meio de uma notificação acessível.

Trata-se da mais consistente iniciativa do sumo pontífice para combater os abusos sexuais na Igreja, em especial os cometidos contra crianças e adolescentes. Nos últimos tempos, o fenômeno adquiriu proporções até então sem precedentes.

Desde que assumiu o pontificado, há seis anos, o papa vem se empenhando numa cruzada contra a pedofilia. Ele foi o primeiro a assumir a realidade dos fatos, considerados por seu antecessor, Bento XVI, um resultado da revolução sexual dos anos 60.

Nada mais falso. Os casos de abusos sexuais, sobretudo contra crianças e mulheres, ocorrem desde o início da era cristã, quando a Igreja impôs o celibato e a castidade a seus sacerdotes e religiosos. No entanto, a instituição sempre acobertou esses eventos.

Desde Roma, a literatura fescenina foi pródiga em denunciar os maus costumes de padres e freiras. Os registros desmentem completamente a afirmação de um porta-voz da CNBB, no sentido de que se trata de um fenômeno dos tempos de hoje, não da Igreja.

O desenvolvimento da comunicação tornou visíveis práticas transcorridas no ambiente de reclusão e solidão das clausuras. A intimidade entre os religiosos, e entre estes e os fiéis, reforçada pela hierarquia, fatalmente teria de gerar essas relações impróprias.

O papa Francisco parece decidido a combater essas práticas em todas as dioceses católicas do planeta. Seu decreto, inclusive,  compromete não religiosos nas investigações. Com a decisão, ele escala mais um degrau no enfrentamento dos conservadores.

Como João XXIII, o papa Francisco está fazendo uma revolução na Igreja e no mundo.

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