Editorial

O país do futuro
Publicado em: Qua, 08/05/19 - 03h00

Divulgado ontem, um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) faz recomendações aos Estados nacionais latino-americanos sobre como devem direcionar seus gastos para que não “quebrem”, acrescentando mais este aos infortúnios de seus povos.

Entre todos os países da região, o Brasil aparece como o que mais gasta, proporcionalmente, fazendo despesas que deveriam ser contidas para a sua própria sobrevivência. Pelo menos na vocação, apresenta-se como país rico. Pior: está hipotecando seu futuro.

Entre esses gastos, se destaca o que é feito com os trabalhadores aposentados. O sistema de Previdência consumiu 12,5% do PIB em 2015. Se não houver uma reforma, esse índice saltará para 50,1% em 2065. O volume representará 138% da projeção de gastos.

Será o desastre. O país é o que mais gasta com aposentadorias na América Latina. As despesas com a população mais velha são sete vezes maiores do que aquelas com a população jovem, que requer investimentos em educação, que os adultos não precisam.

Esse desequilíbrio vai comprometer as gerações futuras. Na região, os países gastam com os idosos, em média, quatro vezes o que entregam aos jovens. O Brasil gasta três vezes mais. Deveria estar investindo na educação de crianças e adolescentes, que representam o futuro.

O problema está no gasto público. Este é potencializado pelo funcionalismo. Sem reformas, com o envelhecimento da população, a tendência é a despesa aumentar. Em 14 Estados brasileiros, a remuneração média dos servidores aposentados supera a dos ativos.

É preciso reduzir as diferenças entre o setor público e o privado. No governo federal, servidores chegam a ganhar 67% a mais que seus pares no setor privado. A manutenção dessa relação prejudica os investimentos, que recuaram de 29,5% para 5,7% em 20 anos.

O Brasil precisa escolher. Deveria já tê-lo feito, se tivesse juízo – pelo menos, seus líderes.

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