Editorial

Pedido de socorro
Publicado em: Dom, 12/05/19 - 03h00

Reportagem de O TEMPO da semana passada mostrou o estado em que estão 12 casas construídas nas décadas de 30 e 40 do século passado na rua Congonhas, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul da capital. Tombadas pela prefeitura, elas estão praticamente se dissolvendo, enquanto aguardam restauração a cargo dos proprietários.

Bens tombados não podem ser demolidos, mas podem ser deixados ao azar, para serem destruídos pelo tempo, como está acontecendo. As casas já serviram de cenário para um filme de cinema e numa delas morou o escritor João Guimarães Rosa. Elas são um pedaço do que foi Belo Horizonte durante uma época e por isso deveriam ser preservadas.

Hoje, sua localização é supervalorizada. Uma construtora adquiriu os imóveis, em 2012, para construir no lugar um edifício com 27 andares. Como não pôde demolir as casas, foi autorizada a construir nos fundos dos terrenos. No entanto, até hoje não o fez nem preservou as casas, que estão escondidas atrás de um tapume para “protegê-las” de vândalos.

Por iniciativa do vereador Gabriel Azevedo (PHS), a Câmara Municipal cobra explicações da prefeitura, que, segundo ele, estaria sendo negligente com o patrimônio da cidade. Restauradas, as casas poderiam servir de sede, por exemplo, para entidades culturais de Belo Horizonte que tenham prestado relevantes serviços à sociedade.

A prefeitura já permitiu que, para construir, o empreendedor mantivesse a fachada do imóvel original. A solução não aprovou, porque a fachada não é a casa, mas uma casca dela. Na avenida João Pinheiro e na rua Rio Grande do Norte, na região Centro-Sul, existem dois exemplares dessa experiência em que “a emenda ficou pior do que o soneto”.

Felizmente, há casos bem-sucedidos: duas casas no bairro Floresta, na região Centro-Sul, que, lamentavelmente, não estão tendo uso útil, sendo conservadas como monumento de uma época.

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