João Vitor Cirilo

Pelo povo cada vez mais nos estádios
Publicado em: Qua, 27/03/19 - 03h00

Durante esses cerca de dois meses de futebol por aqui, no início da temporada 2019, podemos perceber louváveis ações dos clubes para levar às arquibancadas alguns grupos que nem sempre estiveram presentes nos últimos anos. Tanto Atlético como Cruzeiro, times com maior torcida no Estado, fizeram diversas promoções para ter crianças e mulheres, muitas vezes gratuitamente, nos jogos, sobretudo os do Campeonato Mineiro, que são duelos de menor apelo e com menor demanda de ingressos.

Como frequentador de estádio de futebol há muito tempo, vejo que é notória a mudança do perfil do espectador nos últimos anos. Cada vez mais vemos o perfil consumidor em detrimento do torcedor. Aliás, o objetivo aqui não é menosprezar o consumidor e querer retirar deste o espaço nas arquibancadas, afinal, quem consome é quem dá dinheiro ao clube. O futebol é um produto, porém, sobretudo aqui, no nosso país, ele é mais do que isso, pertence à nossa cultura, ao nosso cotidiano. Há lugar para todos.

Acordar, almoçar e ir ao campo de futebol, durante décadas, passou a ser o roteiro natural do domingo para milhares de brasileiros, o que diminuiu bastante, principalmente após a transformação dos antigos estádios em arenas. Não se vai mais ao campo sem desembolsar uma boa quantidade de dinheiro, desde a compra do ingresso, passando pelo deslocamento ao estádio até o consumo no local. E aí tem aparecido um paliativo. Além da presença do público feminino e infantil, algumas ações também têm sido percebidas para o retorno da camada mais popular às arquibancadas, nas quais essa inserção da família também aparece.

Um exemplo foi a Torcida Super, que só para o último jogo do Atlético levou 6.000 torcedores. Os interessados deveriam recortar o anúncio em uma das páginas do jornal e pagar mais R$ 5 para trocar por um ingresso. Algo fantástico pra fazer com que o povo esteja presente, para que o pobre também possa estar no estádio.

Futebol também é inclusão, como sempre foi. As duas maiores equipes de Belo Horizonte se orgulham de se autointitular como times “do povo”, então que justifiquem esse título. Minha esperança é que as ações vistas até aqui no Campeonato Mineiro não sejam pontuais e não se restrinjam somente aos jogos “menores”. O povo precisa do clube, e o clube precisa do povo. Essa retomada do hábito de ir ao campo de futebol deve, sim, ser um objetivo das instituições.

Ressalto que o que mais me tocou nas últimas semanas, em especial nas últimas vezes em que o Atlético esteve no Mineirão, foi a quantidade de crianças presentes. Aproveito o espaço para parabenizar o clube, que não tem medido esforços pra levar os garotos ao estádio, assim como o Cruzeiro também fez.

É neste momento que se constrói o futuro da torcida. Ao ver centenas de garotos atleticanos no gramado antes do jogo contra o Tupynambás, veio a certeza de que daqui a dez, 20 ou 30 anos esses “mascotes” estarão nas arquibancadas. É isso que faz o futebol continuar, isso que faz a alegria seguir. Que o povo possa estar cada vez mais nos estádios.

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