Kênio Pereira

Harmonia no condomínio
Publicado em: Qui, 23/05/19 - 03h00

Deveríamos fazer uma reflexão: nós nos mudaríamos para esse prédio se tivéssemos vizinhos que agem como eu e meus familiares? Sou uma pessoa bem-intencionada, que respeita os direitos dos outros sem que estes tenham que me chamar a atenção?

Diante do compartilhamento das áreas comuns e de lazer dos prédios, torna-se imperativo que as pessoas se coloquem no lugar dos vizinhos, avaliem constantemente se sua atitude não fere o direito alheio, pois assim terá o direito de exigir que seu sossego e segurança sejam respeitados. Na prática, quem é bem-educado e racional não precisa estudar convenção nem regimento interno, pois sabe respeitar limites.

Deixar de arrastar móveis e de andar de salto alto tarde da noite, não realizar festas com som de alta intensidade, não fumar em locais impróprios, dar descarga no sanitário durante a madrugada com mais cuidado e adestrar os cães para deixarem de latir em excesso são atitudes que facilitam a convivência.

É inadmissível uma pessoa ter que reclamar porque alguém invadiu a sua vaga ou danificou as laterais do seu automóvel ao abrir as portas sem qualquer consideração com os danos que provocam. 

O lar é sagrado, pois compramos um apartamento para ter alegria, que decorre dos contatos com vizinhos respeitosos e prestativos. É triste vermos um novo morador ser surpreendido logo na primeira assembleia de condomínio diante da atitude de alguns que mostram o “lado negro do ser humano”. A divergência de ideias e a pluralidade de opiniões devem contribuir para o aperfeiçoamento da decisão. É lamentável a troca ríspida de argumentos, a ponto de uns virarem as costas para o outro quando seu interesse não é acolhido pela maioria.

Devemos ser gentis, buscar o entendimento e, se possível, cultivar bons amigos, pois dar força às posturas mesquinhas ou maliciosas acarreta o desinteresse pelo edifício, a ponto de desvalorizá-lo e despertar o desejo de ir para outro lugar.

Os atritos refletem-se no nosso íntimo e, ao final, prejudicam nossa saúde. É importante evitá-los por meio do diálogo, devendo a reclamação sobre uma atitude ser bem recebida, pois não se trata da pessoa, e sim de um ato que talvez seja inconsciente, sendo sábio evitar sua repetição. 

Num condomínio bem-sucedido, as pessoas evitam colocar para locação ou venda seu apartamento, que tem alto valor, dinheiro nenhum compra. Não tem preço poder cumprimentar com um sorriso os vizinhos que encontramos nos corredores e nos elevadores do prédio, especialmente se os elevamos à categoria de amigos. Tal clima faz bem à saúde e às nossas relações familiares. A rejeição ao ouvir o outro ou a postura defensiva destroem o bom entendimento, isolam as pessoas e estimulam o radicalismo. A sensatez, a moderação, a solidariedade, a justiça, o bem-estar coletivo, a honestidade (em especial no rateio das despesas) e a busca pela paz devem ser os condutores de nossas conversas num condomínio, pois devemos fazer do nosso lar o melhor lugar para se viver.

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