Paulo Navarro

Único e exclusivo
Publicado em: Dom, 05/05/19 - 03h00

Que tal ser o único ser humano a ter o raro uísque Dalmore L’Anima, 49 anos de praia e barril? Basta ter, no mínimo, R$ 500 mil e entrar no leilão da Sotheby’s. Por que tanto por uma garrafa? É uma raridade, um malte singular, que foi criado com total exclusividade. Nasceu de dois “pais”, o melhor chef do mundo, Massimo Bottura, e Richard Paterson, o famoso mestre destilador da Dalmore.

Exclusivo e caro
Além de configurar bela e saborosa disputa, o valor arrecado com a venda será doado para a organização, sem fins lucrativos, de Massimo Bottura, a Food for Soul, que combate o desperdício de alimentos por meio da inclusão social. E quem arrematar a bebida ainda ganha um jantar para duas pessoas no restaurante do mesmo chef, o Osteria Francescana, em Modena, na Itália.

Exclusivo e raro
Menu-degustação com vinhos, água e café. E o uísque para abrir o apetite? E o vinho para acompanhar? Isso não foi divulgado. Mas, para entrar na disputa, basta entrar no site da Sotheby’s e se cadastrar, além, é claro, de ser rico. O leilão é online e tem data de encerramento no dia 9 de maio. A embalagem também e outro tesouro: feita à mão, em ébano e nogueira preta americana assinada pelo artesão escocês John Galvin.


Festival de carnes 
Megaevento gastronômico, com carnes nobres e ingredientes nada convencionais feitos na brasa, está chegando. É o 3º Fuegos Festival, em Belo Horizonte, reunindo mais de 20 chefs e seus cortes especiais, como também massas, peixes, frutos do mar, legumes orgânicos e até mesmo iguarias da culinária coreana tendo o fogo como único método de cocção.

Festival de delícias
O evento acontece no dia 11, das 14h às 22h, no Espaço Bela Vista (antigo Hangar 677), no bairro Olhos D’Água. A expectativa de público, segundo os organizadores, é de até 2.000 pessoas, que vão consumir quase 5 t de alimentos e mais de 6.000 L de bebidas. De acordo com um dos idealizadores, Marcelo Wanderley, o “Fuegos 3” está repleto de novidades, a começar pelas atrações principais, os chefs Roberto Ravioli e Carlos Bertolazzi.

O último moicano
Por falar em gastronomia, e já que agora ela faz parte da nossa paisagem urbana, no Hotel Fasano, tentemos o quase impossível: pescar as pérolas de “Rogério Fasano, o último dos restaurateurs”. Repescagem de gigantesca matéria na revista “VIP”, em agosto de 2018. Mais atual que nunca. Aliás, o bate-papo aconteceu no Fasano de São Paulo, antes da inauguração dos hotéis Fasano em Angra dos Reis, Belo Horizonte, Salvador e, neste ano, em Miami.

O último cozinheiro
O império Fasano tem 17 restaurantes e cerca de 1.500 funcionários. Rogério começa criticando a gastronomia de invencionices: “Hoje, ninguém mais quer ser cozinheiro, todos querem ser chef. Mas os chefs hoje, no mundo, são dez vezes mais empresários do que eu. Um Alain Ducasse, por exemplo, deixou de ser chef há milênios, é um tremendo empresário que fatura milhões e milhões de dólares por ano, com 60 e tantos restaurantes”.

O último profissional
“Minha profissão perde um pouco a aura. Restaurateur é o cara que pensa o restaurante como um todo. Os restaurantes dos restaurateurs são mais divertidos, uma visão diferente, menos técnica. O que acontece em restaurantes de chefs é que eles foram feitos para ganhar prêmios. Não me interesso em ir a um restaurante italiano que não tenha um italiano comendo. Eu defendo a cozinha clássica. Não obstante, acho obrigatório você usar equipamentos modernos”, diz.

Lança-perfume
Continua a aula magna de Rogério Fasano: “Os risotos de antigamente, hoje, eu nem como, tinha o dobro da manteiga e parmesão. (...) As coisas vão sofrendo alterações, mas os sabores clássicos acho fundamentais. Nitrogênio líquido servia para tirar verrugas quando eu era moleque. (...) Pergunte aos chefs dessas coisas mirabolantes o que eles gostam de comer de fato. Eles vão responder: um espaguete al pomodoro e basílico. (...) E prato com mais de quatro ingredientes já pode começar a desconfiar. Outra coisa que as pessoas não aguentam mais é menu-degustação de 20 pratos”, diz.

“Esses restaurantes de chef, independentemente de serem bons, são chatos, na grande maioria das vezes. Fica um monte de gente com seu celular, fotografando uma azeitona. (...) Se tem uma coisa que é muito gostosa, que acontece muito na Itália e pouquíssimo aqui, é a mesa inteira comer a mesma coisa.(...) É até patética a função de um sommelier numa mesa de dez pessoas com dez pratos diferentes. O que vai combinar com o quê? (...) O sommelier vai falar: ‘Quem é o dono da mesa? Você? O que você vai comer? Carneiro? Então, quem vai comer peixe, problema dele, porque eu vou abrir um bordô’”, afirma.

"E, na Europa, na Itália, na França, não tem essa coisa de ‘não como isso, não como aquilo’. Não tem uma mulher que não coma ossobuco, que não coma rabada, frutos do mar. (...) Todo mundo come língua, miúdos. Aqui é um peixinho grelhado, a saladinha fresca… Além disso, a cozinha sai melhor quando você não faz dez pratos diferentes”, explica.</CW>

“Não sou contrário a tudo. Como quando ganho elogios de um (Luigi) Veronelli, crítico italiano que faleceu: ‘o melhor à milanesa da minha vida eu comi a 10 mil quilômetros de Milão’. Juro, para mim é tão importante quanto um bom prêmio”, conta.

Acha que é o último dos restaurateurs? “Espero que não. Eu faço restaurante para que as pessoas se sintam felizes naquele momento, essa é a minha função maior. E para que realmente você coma muito bem, se sinta bem”, conclui.

 

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