Ana Paula Moreira

Por que Vadão merece mais tempo na seleção feminina do que Emily?
Publicado em: Qui, 11/04/19 - 03h00
O troféu será entregue em cerimônia realizada em Londres no dia 24 de setembro.

A pouco menos de dois meses do início da Copa do Mundo feminina de futebol, a seleção brasileira vai de mal a pior. Depois da Copa América do ano passado, quando o Brasil conquistou o heptacampeonato de forma invicta, contra as fracas adversárias do continente, a equipe do técnico Vadão amargou nove derrotas em dez partidas.

Nesta temporada, a seleção participou do torneio amistoso She Believes Cup, com três derrotas: para Inglaterra, Japão e Estados Unidos. O time sofreu seis gols e marcou apenas dois. Após o torneio, o Brasil ainda fez dois amistosos, contra Espanha e Escócia, ambos em preparação para o Mundial, que começa em junho, com duas derrotas.

Mesmo com todos os resultados negativos, o técnico Vadão segue firme e forte no comando da seleção. Não sou a favor de demitir o treinador com algumas derrotas, mas, por muito menos, Emily Lima, ex-técnica da seleção, foi despedida do cargo. Emily, a primeira mulher a comandar o time feminino do Brasil, assumiu a equipe em novembro de 2016 e teve um início arrasador, com sete vitórias seguidas. Mas, após seis partidas em que teve um empate e cinco derrotas, a treinadora foi desligada da função.

Qual o motivo da diferença de tratamento da Confederação Brasileira de Futebol com os dois técnicos? Por que Vadão merece mais tempo e paciência com os resultados negativos do que Emily?

Fica difícil não responder a essas perguntas com a questão do gênero. Por ser homem, Vadão “ganha” mais credibilidade do que a primeira técnica a comandar uma seleção brasileira de futebol. E, além de pouca mídia específica, como é o caso das “Dibradoras”, ninguém questiona os resultados ruins de Vadão.

Aos poucos, o futebol feminino vem ganhando mais destaque, principalmente após a obrigatoriedade de os clubes da Série A também investirem na modalidade.

Mas não adianta só a exigência dos times e da competição. Para o futebol feminino continuar crescendo, a CBF tem que investir em quem faz a modalidade desde sempre. A Emily foi jogadora e viveu o esporte por muitos anos. Merecia mais tempo para mostrar seu trabalho à frente da seleção.

É bacana ver o momento que o futebol feminino vive, com campeonatos e times de camisa. Mas seria muito melhor se víssemos também cada vez mais mulheres na comissão técnica das equipes, como treinadoras, auxiliares, dirigentes e outras funções da modalidade.

(2) comentários

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José Maria de Oliveira 7:55 AM Apr 15, 2019
Sei pra que lado vai a pergunta da reporter , ao invés de fazer esta pergunta ,eu pergunto a reporter já acompanhou o trabalho da ex treinadora ? o que ela já fez pro futebol feminino é satisfatório ? Esta medindo o trabalho da Emily pelo fato dela ser mulher . Vadão ja fez um bom trabalho no futebol feminino assim como no masculino ,futebol feminino esta passando por uma reformulação que será dificil já que não possui a mesma estrutura do futebol masculino .
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O Macaco 12:43 PM Apr 12, 2019
Poderiam colocar um técnico de renome pra comandas as meninas. Porque pra elas só resta técnicos meia boca que nada fizeram no futebol brasileiro, tanto no masculino quanto no feminino. Mas o time brasileiro não tem preparo físico, basta ver as americanas e australianas jogando outro dia, estão anos luz a frente do Brasil.
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