Luiz Tito

A hora do turismo interno

Publicado em: Ter, 22/09/20 - 03h00
audima

Nas últimas semanas, com a gradual abertura do comércio e dos serviços nas cidades, foram perceptíveis a reação de alguns setores da economia e a movimentação de recursos que estes provocaram. Um dos mais significativos deles é o do turismo, paralisado desde março, quando os deslocamentos para o lazer deixaram de existir e os para trabalho foram substituídos pelas facilidades da tecnologia digital. Esse marco, o do home office, é a grande mudança das relações de trabalho dos últimos tempos que vamos registrar, com seus desdobramentos funcionais e legais e suas repercussões sociais na oferta do emprego e na sua remuneração. 

Reage o turismo no Brasil de forma mais significativa, primeiro pela opção estratégica da maioria dos países que são tradicionais destinos receptivos; estes trancaram suas portas, com medo de importarem a Covid-19. Aeroportos, hotéis, restaurantes, clubes de serviço, locadoras de veículos, tudo às moscas. Em muitos desses países permanecem tais restrições, o que faz nosso turismo interno uma opção oportuna. 

No Brasil os destinos mais refinados são os grandes resorts, sobretudo aqueles combinados com acessos a praias e que disponibilizam serviços internamente, como restaurantes e outras regalias muito bem cobradas. Cobra e paga quem pode. 

Porém, o Brasil, com a possibilidade de ofertas que tem para se apresentar ao mundo, insiste em estar restrito a poucos destinos se comparado ao amplo acervo que tem e representa. Além da insegurança das grandes cidades brasileiras, outro óbice ao nosso turismo interno está no seu custo. Passagens aéreas caras, diárias de hotéis e de pousadas escorchantes, valores praticados por bares e restaurantes incompatíveis com os serviços encontrados. 

Se queremos prestigiar uma fonte de receita fiscal, de divisas e de renda e, principalmente, de expressiva geração de trabalho, não há outro setor com mais ampla cadeia do que o do turismo, pronta para ser movimentada. Fazer o turismo crescer e influir significativamente na economia brasileira é uma estratégia que deveria merecer o empenho dos governos, desde que, também, ajudados pelos seus operadores.

Nas economias mais importantes da Europa, nos anos de 2017 a 2019, este foi o setor que mais cresceu em algumas delas, gerando um em cada dez postos de trabalho criados. Temos que aproveitar essa oportunidade. 

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