Sandra Starling

“O que foi feito é preciso conhecer”
Publicado em: Qua, 17/04/19 - 03h00

A conjuntura, lamentavelmente, tem imposto a revisitação de fatos históricos. Não haverá futuro se não entendermos o passado. Pois bem: à declaração de “vacância” da Presidência da República, na madrugada de 1º de abril de 1964, proferida pelo presidente do Congresso Nacional, senador Auro de Moura Andrade (PSD-SP) − quando era sabido que o presidente João Goulart encontrava-se em território nacional −, o deputado Tancredo Neves (PSD-MG), fugindo à sua reconhecida temperança, respondeu aos gritos: “Canalha! Canalha!”. Isso diz tudo.

Ali tinha início, como na canção, uma “noite que não tem mais fim”. Houve, sim, uma ruptura da legalidade. Um golpe de Estado. Embora Jango ainda gozasse de considerável apoio popular, como mais tarde reconheceu o senador Jarbas Passarinho, oficial do Exército e ex-ministro das pastas do Trabalho, da Educação e da Previdência Social em vários governos do regime que se inaugurou naquela madrugada, suas condições de governança literalmente se esfumaçaram. A articulação de empresários, próceres eclesiásticos, proprietários rurais, órgãos de imprensa, políticos da UDN e do PSD e outros partidos conservadores, associações de médicos, advogados e engenheiros e o apoio evidente dos EUA conferiram estímulo bastante à incursão militar contra um governo combalido.

O Ato Institucional de 9 de abril de 1964 indica que a intervenção das Forças Armadas teria o sentido, no entendimento dos insurretos, de restrito “saneamento” do quadro institucional. O mandato de um novo presidente da República, que viria a ser eleito, pelo Congresso Nacional “saneado”, dois dias depois, se encerraria em 31 de janeiro de 1966. As eleições diretas para o supremo mandatário da nação, a se realizarem em 3 de outubro de 1965, estavam preservadas.

A Constituição de 1946 seria mantida, com alterações do “poder constituinte” de um movimento cívico e militar conservador que, paradoxalmente, se rotulara “revolução vitoriosa, legitimada por si mesma”.

Esse “poder constituinte” encarnava-se no Comando Supremo da Revolução, representado pelos comandantes em chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. É no exercício da força normativa inerente a esse poder constituinte, a facultar aos vitoriosos a edição de um arcabouço jurídico sem limitação pela normatividade anterior, que se evidencia a tendência autocrática e concentradora de poderes, iniciada nesse AI-1, de 1964. Essa trajetória ditatorial iria num crescendo, que só tomaria o curso da decadência em 1º de janeiro de 1979, por força do art. 3º da Emenda Constitucional 11, de 1978, à Constituição de 1967. Haveria, ainda, uma longa transição, negociada, até a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988. É preciso, no entanto, anotar a escalada autoritária até a “ditadura escancarada” (Elio Gaspari), que se instauraria com a edição do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, um ano que ainda não acabou, como bem profetizaria, tempos depois, o jornalista Zuenir Ventura.

(21) comentários

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Antônio Jair 3:52 PM Apr 19, 2019
@"Comunismo e Anarquismo=Em 1964, quando o presidente João Belchior Marques Goulart queria implantar o Comunismo no Brasil, o povo honesto suplicou aos defensores perpétuos do País: “Forças Armadas salvem a pátria amada!” Regime militar implantado. Em 2018, quando o PT queria implantar o Anarquismo na República Federativa do Brasil, os honestos suplicaram a mesma coisa. Capitão Bolsonaro eleito." Mário Evaristo de Oliveira Filho-Administrador/Professor-CI 248.682 DGPC-GO-CPF 098.187.231-04.
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Nestor Martins Amaral Júnior 6:05 PM Apr 18, 2019
A revolução cubana de Fidel e Guevara levou a América Latina ao sonho da ditadura do proletariado. Focos surgidos foram debelados pelos militares que botaram ordem na casa para, ato contínuo, restabelecer a democracia. O Brasil não foi diferente. Parte daqueles líderes tomou o poder pós-militar para roubar o país. Como Cuba não deu certo, eles mentem e dizem que lutaram contra os militares pela democracia. Eram presos políticos e hoje políticos presos. Onde está o erro? Neles ou nas instituições
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Nestor Martins Amaral Júnior 4:18 PM Apr 17, 2019
O regime militar jamais bateu no povo descente e preocupado com seus deveres para com o país e consigo mesmo. Ao contrário, o defendeu de potenciais opressores pela iminente ditadura do proletariado que não deu certo em lugar nenhum do mundo. Ao chegaram ao poder tais oportunistas contam a história ao jeito deles em que militar é bandido e eles os mocinhos. Em benefício da verdade essa história precisa ser passada a limpo.
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Nestor Martins Amaral Júnior 3:55 PM Apr 17, 2019
Há núcleos da esquerda no meio universitário que já não escondem seus projetos para derrubar Bolsonaro e implantar o socialismo. Espera-se que o MEC apague essa chama do mal e conte a história mal contada da revolução de 64. As novas gerações têm o direito de conhecer a verdade. Não fosse os militares o Brasil seria uma Cuba. A democracia deve-se a eles pela devolução gradual do poder e não aos que defendiam a ditadura do proletariado. Foram perseguidos então por isso e hoje porque roubam o país
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Antônio Jair 11:13 AM Apr 17, 2019
6) Gustavo Hoffay =...geração não pode é acomodar-se, e pensar que está tudo bem quando, nota-se, a Esquerda continua insistindo em agir nos porões e corredores do Planalto Central. Absolutamente coerente o presidente Bolsonaro ao aprovar comemorações pela nossa vitória contra pessoas e grupos autocráticos daquela época. O contrário seria um absurdo em termos patrióticos.
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Antônio Jair 11:12 AM Apr 17, 2019
5) Gustavo Hoffay =...afiada covarde, em Juiz de Fora (MG).Em 1964, insisto, apenas começou uma reviravolta que ainda está por terminar, e assim que o povo assentar-se em uma condição de vida menos exigente quanto à falta de uma bússola que o reconduza à trilha do progresso.Não se apagam da História, e em nossa memória, os profícuos ideais daquela organizada reviravolta de 1964, quando treinados agentes socialistas tentavam usurpar-nos a liberdade.O que a atual geração não pode é acomodar-se,...
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Antônio Jair 11:11 AM Apr 17, 2019
4) Gustavo Hoffay =...de confiança de governos estrangeiros no Brasil, enquanto uma política globalizada e efervescente alavancava as grandes economias mundiais, contribuía para que o Brasil ficasse à deriva, em compasso de espera ante uma indefinição no comando do Governo federal. O Brasil (e sua gente) sofreu, apanhou, lutou, reergueu-se, caiu novamente, e finalmente superou-se em termos democráticos com a eleição de um novo governo (Bolsonaro), cuja vida esteve em perigo por uma lâmina...
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Antônio Jair 11:11 AM Apr 17, 2019
3) Gustavo Hoffay =...Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.Sarney assumiu a Presidência de maneira surpreendente, após Tancredo - eleito por um Colégio Eleitoral – ser internado às pressas no Hospital de Base de Brasília, na véspera da sua posse e devido a fortes dores abdominais; sucedeu-lhe José Sarney.De lá para cá, tivemos um presidente (Collor) que renunciou antes de ser cassado, e petista presidente Dilma que foi sumariamente cassada ao contrário de sujeitar-se à própria renúncia. A falta..
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Antônio Jair 11:09 AM Apr 17, 2019
2) Gustavo Hoffay =...apropriar-se de todos os bens das pessoas. O que houve em 1964 foi um despertar daqueles que tinham a força, e a franca disposição para um necessário e urgente realinhamento de direção no destino político do País, e o que proporcionou debates e ações amplos para os quais, infelizmente, a grande maioria do povo não estava preparada a desenvolver e discutir. Sobreveio uma democracia mancueba e comandada por um grupo de políticos afoitos pela tomada do Poder, entre os quais...
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Antônio Jair 11:09 AM Apr 17, 2019
1)Gustavo Hoffay – Assistente Social da Prefeitura de Uberlândia, colunista e Presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Frei Antonino Puglisi de Uberlândia-MG==Em 1.964, livrar o país dos corruptos, combater a subversão comandada por um bando de comunistas, resgatar a economia dos riscos do estatismo, era a ordem do dia do Governo Militar. De outro lado, comunistas atentavam contra Deus, a família e a propriedade; Religiões corriam o risco de desaparecer e o Estado, ainda, poderia...
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Antônio Jair 10:59 AM Apr 17, 2019
Governo militar d General João Baptista Figueiredo não quis Copa do Mundo no Brasil pq ñ tinha dinheiro p/ "jogar fora e precisava cuidar do povo." O legalmente presidiário Lula fez o contrário, abriu o Tesouro a corruptores, com obras bilionárias (mais de 23 BILHÕES) p/ construir estádios "elefantes brancos" enriquecendo empreiteiros/políticos "cumpanhêrus" aliados.Resultado hoje:mais de 25 MILHÕES desempregados, milhares d empresas fechadas/caos geral q honestos demorarão décadas p/ consertar.
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Antônio Jair 10:52 AM Apr 17, 2019
Bolsonaro foi única opção real d derrotar PT.Não dava p/ continuar c/ governo corrupto, c/ legado d terra arrasada por miséria/desemprego/descrédito perante o mundo investidor/gerador d desenvolvimento.Tínhamos q buscar algo q pudesse mudar establishment, este q tem feito d tudo p/ desacreditar Bolsonaro, q tem potencial p/ operar mudanças.Historiadores da Esquerda contam meias verdades=meias mentiras.Atuais políticos presos pela Justiça de hoje são os presos pelos militares. Quem está errado?
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Antônio Jair 10:45 AM Apr 17, 2019
Fernando Gabeira:“Politicamente, o grande problema do PT foi ter prometido renovação ética no País, e, ao chegar ao Governo, aliar-se a políticos que eles criticavam, recorrer a métodos usados antes e incorporar outros condenáveis.Nesse aspecto, o PT significou algo muito negativo p/ o País porque dizia que quem propõe mudar ou traz esperança, está apenas enganando população, e que os artífices da esperança são os mesmos que construirão uma nova armadilha.”– Entrevista à revista Época 06/09/2013
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Antônio Jair 10:42 AM Apr 17, 2019
Nestor Martins Amaral Jr=Cortina se abre e mostra PT e s/ satélites (Psol, etc.).Evidencia injustiça contra militares d 64 q nos deram Brasil diferente d 1 Cuba gigantesca.História omite vinda d militares por aclamação d sociedade d época, liderada por mídia capitaneada por Assis Chateaubriand:“Ouro p/ o bem d Brasil”.Obras d Esquerda:aproximação c/ governos déspotas, aposentadoria nababesca p/ traidores d pátria, mensalão, PeTrolão, entre outras trapaças, asilo ao criminoso terrorista Battisti.
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Antônio Jair 10:10 AM Apr 17, 2019
6)Brasil=...recordes de público, enterra narrativas oportunistas e mentirosas que descolam os acontecimentos de seu tempo histórico, e das circunstâncias em que aconteceram. Parabéns à direção do Brasil Paralelo pela decisão e pelo merecido sucesso da obra que produziu. O documentário incomodou duas vezes a Rede Globo. Primeiro pelo que seus palpiteiros supuseram a respeito do filme e, segundo, pelo êxito alcançado. Êxito para o qual, de certo modo, seus detratores contribuíram.
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Antônio Jair 10:09 AM Apr 17, 2019
5)Brasil=...a Esquerda nunca viu. Horas após a Rede Cinemark haver suspendido a projeção comercial do filme, a direção do “Brasil Paralelo” determinou sua disponibilização pelo YouTube. E foi o que se viu: 2.000.000 de visualizações em 24 horas e 4.400.000 nesta noite de domingo em que escrevo. A mesma imprensa que se alvoroçou em desacreditar o documentário antes de assisti-lo, agora silencia para não ampliar sua propagação e suas visualizações. Por quê? Porque o filme é honesto, bate...
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Antônio Jair 10:08 AM Apr 17, 2019
4)Brasil=...como se faz uma reportagem, para desacreditar seu objeto mediante termos vagos, expressões dúbias, e entre aspas que valem por uma negação do que se destaca. E tudo sem parecer que se está fazendo exatamente isso. Pois bem, em 31 de março p.p., a pré-estreia ocorreu em diversas capitais do País. A partir daí tornou-se impossível negar-lhe o apego aos fatos e o desapego às paixões políticas neles envolvidas. É um documentário sobre conteúdo político explosivo, sério e honesto como...
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Antônio Jair 10:07 AM Apr 17, 2019
3)Brasil=...“Escola Sem Partido” e a favor do absolutismo monárquico em sala de aula. A História que se conta define o que se pensa sobre o presente e o futuro. Capice? A simples ideia de que o “Brasil Paralelo” pudesse aparecer com algo diferente foi vista como usurpação abominável. A Rede Cinemark, que passaria a exibir comercialmente o filme após a estreia nacional, desistiu de fazê-lo. O jornal “O Globo” produziu extensa matéria que mereceria ser estudada em curso de Jornalismo mostrando...
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Antônio Jair 10:06 AM Apr 17, 2019
2)Brasil=...causou enorme indignação em muitos meios de comunicação. Indignação do tipo que faz os dentes rilharem, causa pesadelos e contraturas musculares, dá cefaleia e dor no ciático. Coisa séria mesmo. Há muito tempo tem-se a impressão de que a Esquerda brasileira é proprietária dos direitos autorais referentes à interpretação e descrição dos acontecimentos históricos em geral, e daquele período em particular. É por não admitirem esse tipo de “invasão de propriedade” que são contra o...
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Antônio Jair 10:05 AM Apr 17, 2019
1)Brasil entre armas e livros= Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.==Tão logo teve anunciada sua projeção para o dia 31 de março, o filme “1964 – O Brasil entre armas e livros”, produzido pelo “Brasil Paralelo”,...
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Nestor Martins Amaral Júnior 9:05 AM Apr 17, 2019
O poder não foi tomado nem devolvido pela força. Não houve um só presidente como nas ditaduras tradicionais. Todos eles foram eleitos pelo Congresso. Os militares entraram e saíram pela aclamação popular. Tradicional família e diretas já. Grande parte dos derrotados e perseguidos de outrora são os atuais ladrões do erário. O período militar foi próspero e pródigo de empregos. Tirou o país da 45ª posição no ranking mundial da economia e o devolveu em 8° lugar, no qual ainda permanece.
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