Vittorio Medioli

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Viver

Publicado em: Dom, 02/01/22 - 03h00

Além dos Evangelhos e de seus significados esotéricos, estudei a vida de Gandhi, de Buda, de Marco Aurélio, de Adriano, de Tolstoi, de Leonardo da Vinci, de Rudolf Steiner, de Pietro Ubaldi, de H.P. Blavatsky (Doutrina Secreta), de Albert Einstein, de Júlio César, adentrei-me no pensamento de Pitágoras e de Platão, visitei as cidades da Magna Grécia, vibrei com a força dos versos de Dante Alighieri, de “A Obra em Negro”, de Marguerite Yourcenar, da vida extrema de Giordano Bruno, Galileu Galilei, Maria Antonieta e conde Fersen, de Napoleão, dos imperadores Augusto César, Calígula e Nero, de Hermes Trismegisto, Cosimo, Lorenzo e Caterina de Medici, Nicolau Maquiavel, Corregio da Parma, santo Agostinho e são Francisco, de Jean Victor Moreau, Victor Hugo, Giuseppe Mazzini, do conde de Cavour, dos Templários de Rhodes (fui visitar o castelo), do barão de Mauá, do conde de Saint Germain e de Cagliostro, Eliphas Levi, de Stevenborg, Gurdjieff, Trigueirinho, dos navegadores Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio e Fernão de Magalhães.

Li sobre os evangelhos apócrifos do mar Morto, sobre os segredos das pirâmides, os romances de Júlio Verne, a vida de Gengis Khan, dos imperadores chineses, de Rasputin e do cardeal de Richelieu, do rei Soleil e Joana d’Arc, de santa Tereza e de Torquemada, do imperador Carlos Magno, os segredos de Michelangelo, Rafael, Giotto e do Veronese, que até hoje vibram e se manifestam. Li sobre os Rosacruzes, sobre os Illuminati, os Rothschild, o Clube de Bilderberg. Estive entre sadhus e na casa da virgem Kumari, em Katmandu, no Nepal, molhei a cabeça nas águas de Varanasi.

Procurei entender das religiões o sentido mais profundo que faz de Deus o refúgio de seus filhos. Reconheci que no silêncio existe sua Voz, que nos obstinamos a não escutar.

Passei pela leitura de Paul Brunton, Krishnamurti, Aurobindo, Yogananda, Arthur Powell, Stefan Zweig, Herman Hesse, Thomas Mann, Huberto Rohden, Bernardino del Boca, Charles Leadbeater, Annie Besant, Karl Jung, Georg Groddeck e muitos outros. Reconheci verdade nas Vidas Paralelas de Plutarco. A força das orações, a importância dos claustros.

Meditei sobre o Eclesiástico e o Eclesiastes de Qolet. Estudei a linguagem oculta dos Evangelhos e do Apocalipse de são João, que Rudolf Steiner descortina com luminosidade, matando a sede de saber.

Compreendi que nos cantos gregorianos e nos cantos dos monges budistas do Himalaia, ainda nos desenhos de Maurits Cornelis Escher e de Moebius, existe a mensagem que pode explicar o “cronovisor” do monge Pellegrino Ernetti, uma ficção real.

Visitei e vi Sai Baba em seu ashram em Puttaparthi, no Ceilão, entrei no templo que guarda o dente de Buda.

Senti a presença da Irmandade Branca, de um Mestre que me guia sem se mostrar, e a presença do conde de Saint Germain na Estátua da Liberdade, em Nova York, e o do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, deixando a Guilherme Marconi a tarefa de iluminá-la. Ainda no chá produzido em Darjeeling.

Compreendi o mito de Sísifo, de Midas, a viagem de Ulisses, o acorrentado Prometeu, Ícaro e Lúcifer, que desafiam Deus. Da esfinge que mostra a peregrinação do homem; da saída do Éden provocada pela serpente e pela maçã. Em seguida, a morte de Abel, e disso sermos todos descendentes de Caim. Ajoelhei-me aos pés da Madonna de Fontanellato e agradeci, distribuí imagens de são Judas e guardo uma ao meu lado.

Compreendi o livre-arbítrio, que me dá a possibilidade de mudar o meu destino e ser vencedor. Senti nas profundezas da Cabala uma via, no sufismo a sublimidade, na doação da carne dos mortos aos abutres a destinação mais correta que praticam os budistas himalaios.

Passei a compreender a necessidade dos animais e da natureza e respeitá-los em suas necessidades, a entender o amor incondicional ao dono quando são respeitados.

Em são Francisco descobri a santidade na simplicidade, a força que abre os estigmas como olhos para o além da ilusão.

Amansei minhas angústias quando senti que todo bem que nós fizermos aos outros nos protegerá. Que no ahimsa (não violência) existe a arma mais poderosa.

Agradeci por ter passado pelos maiores sofrimentos e aprendido que nesses momentos Deus me deu presentes.

Em qualquer hipótese vale a pena aceitar a vida como uma grande oportunidade, não culpar outros pelos nossos insucessos, entendê-la como uma obra de arte que cabe a nós modelar, reconhecer que a solução está em nós, assim como o Reino de Deus.

A verdade chegará, porque a justiça divina tarda, mas não falha. Mais fácil que guerrear é perdoar, algo que o orgulho deixa impossível. Servir deixará um crédito que o destino nos devolverá.