Quem cala consente e se torna conivente

A recuperação da nação está acima de qualquer homem

Dom, 12/05/19 - 03h00

Em sã consciência, não se pode menosprezar a bagagem cultural do sr. Olavo de Carvalho, um autodidata, enriquecida pela sua militância na subversão armada comunista, opondo intensa resistência à contrarrevolução militar de 1964. Na década de 80, converteu-se ao islamismo. Foi membro da Tariqa, ordem mística muçulmana, liderada por Frithjof Schuon.

Sua filha conta que tal foi seu mergulho no islamismo que acabou adotando quatro esposas, que com ele conviveram. Após a experiência islâmica, tornou-se católico.

Menosprezado por muitos intelectuais, pela falta de base científica de seu trabalho, muitos outros o admiram pela coragem com que expõe suas ideias.

Segundo estudiosos de sua obra, o sr. Olavo é crítico do que chama de “sacerdócio das trevas”, que engloba o kantismo, o hegelianismo, o marxismo, o positivismo, o pragmatismo, o niilismo, a psicanálise, a filosofia analítica, o existencialismo, o desconstrucionismo, a Teologia da Libertação, o relativismo moral, cultural e ético, entre outras correntes filosóficas e intelectuais. Para o sr. Carvalho, as correntes acima citadas transferem a responsabilidade de conhecer a verdade do indivíduo para o coletivo.

Assim, Olavo de Carvalho é um grande crítico do pensamento coletivo nacional por sua suposta despreocupação com o futuro. Para ele, a cultura brasileira, orientada sobretudo para a autodefinição da especificidade, supervaloriza o popular, o antropológico e o documental acima do que chama de “valores supratemporais”.

Em seu recente pronunciamento, intitulado “Aos generais e similares submetidos aos critérios políticos”, cita Carl Schmitt, jurista, sumidade em direito constitucional e internacional. A sua carreira foi manchada pela proximidade com o regime nazista. Porém, a teologia católica influenciou seu pensamento no que tange às questões do poder e da violência, bem como da materialização dos direitos. Definia a política como a atividade humana na qual, sendo impossível a arbitragem racional das divergências, só restava juntar amigos contra inimigos. Isso quer dizer, no entender da política, que só parcela ínfima da experiência humana pode estar submetida a critérios políticos.

Assim, afirma o sr. Olavo que a total degradação e estupidificação da vida social é produto da absoluta politização de todas as questões, conflitos e divergências. Tal politização exclui a ciência, a filosofia, a moral, a religião e até o senso comum. Somente resta, como critério supremo de julgamento, a pergunta mais imediatista e mais vil dos políticos e politiqueiros: ele está a nosso favor ou contra nós?

Da mesma exclusão que condena, faz uso o presunçoso sr. Olavo, incapaz de raciocinar, de “generalização brilhante”, sem levar em consideração todas as variáveis inerentes à questão em tela: “Isso é exatamente o que se passa no Brasil de hoje: moldada por vigaristas e analfabetos funcionais, ávidos de poder e de dinheiro, a opinião publica só entende as afirmações, especialmente as minhas, como tomadas de decisão a favor deste ou daquele grupo”. O povo brasileiro, para o sr. Olavo, em seu delírio de onipotência e onipresença, se resume apenas numa multidão de incapazes mentais e, por tal razão, inconsequentes e irresponsáveis. E continua na mesma linha: “O que digo das Forças Armadas e da sua atuação, no regime militar, é uma tese histórica absolutamente irrefutável. Não podendo contestá-la, generais, incultos e presunçosos, tentam reduzi-la a uma conspiração jornalística contra suas augustas pessoas. Afirmo categoricamente: nenhum egresso de Academia Militar tem hoje a mais mínima condição de impugnar a minha análise ou sequer de apreender o alcance histórico do que estou dizendo. Esperneando histericamente contra a verdade histórica, somente mostram o quanto é exíguo seu horizonte de consciência e invencível sua submissão aos critérios politiqueiros de julgamento”.

O explicitado justifica o que se nota presente na escrita e no discurso do sr. Olavo: o autoritarismo, o radicalismo, a presunção (nenhum militar tem a capacidade de entender o que ele fala) e pretensão de ser o dono da verdade, o que o leva ao ridículo e ao conflito, agravados ao usar linguagem chula na tentativa de desmoralizar aqueles que se opõem às suas “verdades”. Talvez, postura herdada do seu tempo de militância comunista. E não consentânea com quem se diz um filósofo, um intelectual, mas sim com um astrólogo escritor de horóscopos.

É o que salta aos olhos nos seus ataques aos ministros militares e, principalmente, aos generais e militares de maneira geral. E isso é inaceitável e não se resolve com um “engolir de sapos” ou com o silêncio do “deixa pra lá, não respondam!”. Estão em jogo a honra e a dignidade de militares, pertencentes à instituição de maior confiabilidade da nação, e não apenas ofensas à dignidade e honra de um único e despretencioso homem. Está, também, em questão a governança do país, atacada por tal homem e seguidores que se colocam acima dos interesses maiores da nação.

Há que enfatizar, a cada momento crucial que o país vive, herdado de uma situação calamitosa, originada pelos Poderes de uma República apodrecida, que a recuperação da nação sofrida está acima de qualquer homem ou grupos, com suas ideias e interesses, sejam quais forem!

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