O Carnaval não é sucesso por acaso

Um pouco do trabalho feito para isso se tornar realidade

Qua, 06/03/19 - 03h00

Com a chegada da Quarta-feira de Cinzas, é hora de fazer um balanço do Carnaval em Belo Horizonte. Afinal, mais de 4,5 milhões de foliões rodaram as ruas da cidade nos últimos seis dias, injetando na economia da capital mais de R$ 600 milhões (em uma estimativa muito, mas muito conservadora). Se quatro anos atrás os comércios, restaurantes e hotéis tinham que se preparar financeiramente para uma semana de penúria em seus fluxos de caixa, nos últimos três carnavais a mudança foi drástica: esta foi uma semana de vitória para aqueles que vinham apertados das contas de fim de ano e impostos de janeiro. O que antes era problema, agora é solução.

Pelo terceiro ano consecutivo, Beagá chega à Quarta-feira de Cinzas como o Carnaval mais seguro do país. Nada menos que 8.500 policiais militares ficaram por conta de garantir a segurança dos foliões. Foi impossível caminhar mais de um quarteirão dentro dos 515 blocos carnavalescos sem ver a presença ostensiva da Polícia Militar e da Guarda Municipal. É óbvio que essa estrutura não conseguiu coibir vários crimes que ainda assim aconteceram (nenhuma estrutura no mundo conseguiria), mas é preciso parabenizar o trabalho desses agentes, que tiveram que prover segurança para um evento que contou com 20 vezes mais pessoas que a Copa do Mundo, espalhadas por uma área geográfica bem mais ampla.

Controlar o trânsito também não deve ter sido tarefa fácil. Nada menos que um terço dos quarteirões dentro da avenida do Contorno (e várias outras áreas fora dela) tiveram o trânsito restringido ou interditado para viabilizar a folia na cidade. Fora os guardas municipais, mais de 500 agentes da BHTrans fizeram escala para controlar o trânsito da capital. Quase 250 deles de dentro do centro de operações da empresa de trânsito. Outro ponto positivo foram os 35 “foliônibus”, disponibilizados para transportar as pessoas gratuitamente entre os principais pontos de festa.

A limpeza da cidade também melhorou consideravelmente. Prevendo o aumento expressivo de foliões e turistas, a Belotur contratou nada menos que 6.000 banheiros químicos para serem instalados nos locais de concentração dos blocos. Isso não impediu que milhares de pessoas ainda urinassem nas ruas, mas com certeza reduziu bastante o impacto de ter milhões de pessoas nessa situação. Para diminuir ainda mais essa sujeira e o lixo deixado pela folia, quase 1.500 homens e mulheres da SLU foram escalados para limpar as ruas e calçadas após a passagem de cada bloco. A prefeitura ainda credenciou 160 catadores para ajudar na colheita das latinhas, removendo e destinando corretamente toneladas de lixo reciclável deixados pelo Carnaval.

Por último, nada disso seria possível sem uma estrutura médica considerável, que, além de criar uma coordenação específica para os diversos pronto-socorros e UPAs da capital, ainda contou com três Postos Médicos Avançados (PMAs), desenvolvidos unicamente para esse evento, com a função de atender “demandas urgentes dos foliões como desidratação, intoxicação, crises convulsivas e pequenos traumas”.

É claro que esse Carnaval não contou com uma organização imune a erros. No entanto, é preciso (e muito) parabenizar essa iniciativa que há três anos tirou a capital do ostracismo e a colocou como uma das mais cobiçadas protagonistas do país. Para mim, como cidadão, foi muito prazeroso ver turistas europeus curtindo o evento na cidade, assim como todos os brasileiros já aprenderam a amar. Esse sucesso não aconteceu por acaso. Espero ter podido mostrar um pouco do grande trabalho que foi feito para isso se tornar realidade.

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