Maior mobilidade é o caminho para reduzir a poluição na capital

Tornar a cidade mais saudável e sustentável cabe a todos nós

Sex, 31/05/19 - 03h00

Até 2030, as principais cidades do mundo deverão reduzir em 20% a emissão de gás carbônico, e esse compromisso também é de Belo Horizonte. Segundo analistas e pesquisadores ambientais, não é um objetivo difícil de ser alcançado. Infelizmente, a capital, que hoje conta com mais de 2,5 milhões de habitantes, está longe de conseguir diminuir os índices de poluição atmosférica. Pelo contrário, a liberação de gás carbônico está aumentando em nossa cidade.

De acordo com dados repassados pelo Comitê de Mudanças Climáticas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, hoje a cidade lança na atmosfera cerca de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. E, até 2030, esse volume terá superado 7,21 milhões de toneladas de veneno descarregado anualmente. Cenário grave, que precisa ser combatido o quanto antes, mas que, felizmente, pode ser revertido por meio de implementação de políticas públicas e de engajamento da população em ações de redução da emissão do CO2.

Essa certeza também se baseia em informações do Comitê Municipal de Mudanças Climáticas. A principal causa da poluição atmosférica em Belo Horizonte é a queima de combustível pela frota de veículos que circulam na cidade. Nada menos que 53% do volume de poluentes emitidos provém da gasolina e do diesel que movimentam ônibus, carros, caminhões e motocicletas que transitam pelas vias da capital.

A redução do volume de poluição passa, obrigatoriamente, pela melhoria do transporte coletivo para diminuir o número de veículos particulares nas ruas da capital, bem como pelo incentivo a meios de transporte não poluentes, como ônibus e carros elétricos, bicicletas e outros modais ainda em fase embrionária de implantação. A prefeitura deveria substituir a frota de táxis da cidade e do transporte coletivo por veículos elétricos. O exemplo é crucial. Está claro que a melhoria da mobilidade na cidade é instrumento eficiente de combate à poluição. Esta é uma das razões que me levaram a adotar a defesa da mobilidade como proposta de mandato.

Todas essas iniciativas dependem de vontade política dos gestores municipais da capital, e, por esse motivo, disse que o atual nível de poluição atmosférica na capital pode ser revertido. Para isso, é preciso agir na proposição de medidas que contribuam para a melhoria da mobilidade (como a construção de mais ciclovias e a regulamentação do uso de bicicletas e patinetes compartilhados), o que tenho feito de maneira intensiva na Câmara Municipal, e também conscientizar a sociedade sobre a necessidade de todos se engajarem no combate à poluição.

Com esse objetivo, há algumas medidas em andamento. Uma proposta de revisão da legislação ambiental de Belo Horizonte deverá ser enviada à Câmara em breve. As normas em vigor são de 2011 e precisam ser atualizadas. Da mesma forma, em agosto começa a elaboração do Inventário de Mudanças Climáticas, feito pela última vez em 2015. Também é necessário atualizar o plano de redução do efeito estufa. A última edição é de 2014.

Como se vê, são muitos os instrumentos capazes de propiciar maior controle sobre a emissão de poluição atmosférica e agir para a redução de seus índices. Mas, para isso, é necessário maior participação da sociedade, que deve ser instada a atuar de maneira mais firme e constante nos canais de discussão e decisão. Tornar nossa cidade mais saudável e sustentável cabe a todos nós.

(5) comentários

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Rodrigo silva 6:26 PM May 31, 2019
O que traz poluição é produção industrial. E disso BH está bem longe e do jeito que está vai continuar bem longe por bastante tempo. BH é um ambiente hostil ao empreendinento. Quem cria empregos e atrai investimentos a uma passagem de 4,50? Vai subir o trenzinho improvisado também né! Se fala em mobilidade e temos uma rodoviária no centro, já pensou Gabriel na logística em retirar um ônibus do anel, da 040 fazer ir ao centro apanhar os passageiros e retornar a BR de novo? Pois é tem só 40 anos que é assim. Já pensou Gabriel com o plano diretor do kalil que correu para aprovar seu próprio terreno antes, expandir a cidade com essa qualidade de transporte? Cara estamos muito atrasados e não vejo em nenhum de vocês que dizem nos representar entendimento e conhecimento para nós retirar desse marasmo. Vocês são muito caros!
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Jairo O. S. 3:04 PM May 31, 2019
O problema é que enquanto tivermos essas carroças que eles insistem em chamar de ônibus circulando pela cidade e um metrô que não passa de um trenzinho o número de carros e motos só vai aumentando.Nota-se perfeitamente o domínio dos empresários do transporte não deixando a cidade ter um metrô de verdade além de troleibus ou bondes modernos.Agora colocaram essas carroças ultrapassadas com ar-condicionado pra tapear a população.Até quando esse estado de incompetência política vai continuar???
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Lucas 3:23 PM May 31, 2019
Transporte "público" é uma verdadeira máfia. Difícil achar alguém que tenha coragem de ir contra esse pessoal.
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mario 12:31 PM May 31, 2019
Acho muito importante, todo esse movimento em defesa de qualidade de vida. Porém, não sinto as pessoas muito interessadas e nem conscientes a respeito do tema. Posso estar enganado, mas o povo só pensa em ter o seu carrinho, poluindo ou não. Tbm, o país está defasado em suas agendas. Hoje, no mundo, se fala em veículos elétricos, proteção de reservas, despoluição, etc... Aqui, ainda estamos desmatando, poluindo e minerando irresponsávelmente. Além de aumentando nossa dependência de petróleo.
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Lucas 3:25 PM May 31, 2019
Isso acontee justamente porque o poder público não faz nada pelo transporte público. Se tivéssmos uma malha de metrô decente e os ônibus fossem públicos de fato (e não controlados por uma máfia de empresas que superfaturam passagens e mantêm a qualidade lá embaixo), as pessoas naturalmente veriam que não vale a pena ter carro, como acontece nas cidades que são bons exemplos de urbanismo.
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