Melhor por um lado, pior por outro

Ou se tomam decisões duras, ou decisões duras serão tomadas

Qua, 03/04/19 - 03h00

Há pouco mais de um mês, fiz uma análise crua dos números do governo de Minas, e é interessante constatar como esses dados mudaram em pouco menos de 40 dias.

Nesse meio-tempo, o déficit estadual, que beirava R$ 10 bilhões em 26.2, caiu para pouco mais de R$ 6,8 bilhões. Do total empenhado neste ano (agora R$ 25,9 bilhões), R$ 8,3 bilhões são repasses constitucionais referentes a impostos (Cide, IPVA, ICMS e IPI) que o Estado tem a obrigação de fazer aos municípios. A cifra é exatamente a mesma de 40 dias atrás, demonstrando que nenhuma nova dívida foi criada junto aos municípios. Pelo contrário: se antes R$ 6,3 bilhões não haviam sido pagos, esse valor agora caiu para R$ 3,9 bilhões.

Por outro lado, o segundo maior déficit continua acontecendo no Fundo Estadual de Saúde (FES), mas a diferença diminuiu: antes, dos R$ 943 milhões empenhados, apenas R$ 146 milhões foram pagos. Agora, o Estado empenhou R$ 1,3 bilhão, pagando R$ 450 milhões. Os maiores beneficiados foram a Fhemig (R$ 93 milhões), o Hemominas (R$ 17 milhões) e a Fundação Ezequiel Dias (Funed) (R$ 7 milhões), que receberam um quarto de todo o dinheiro. Também na saúde o repasse aos municípios continua virtualmente zero, e o mais prejudicado ainda é o fundo de saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, ao qual o Estado agora deve R$ 201 milhões.

Mais uma vez, quase toda a despesa que chegou a ser paga pela Fhemig foi para custeio de pessoal, mas com um agravante: o governo de Minas concentrou 100% do calote nas costas dos seus fornecedores. Pagou menos de R$ 9,5 milhões dos R$ 49 milhões que deve às terceirizadas e simplesmente não pagou nem um único real aos seus fornecedores de material de consumo, contra os quais já empenhou quase R$ 15 milhões. De novo é possível afirmar que, sem o calote, a Fhemig teria ficado sem materiais médico-hospitalares, materiais de laboratório e artigos básicos para limpeza e higiene. O problema é que, agora, a dívida é grande demais para ser rolada por mais tempo. Nenhum empresário brasileiro tem dinheiro para continuar fornecendo sem receber.

A Funed, responsável pela fabricação de remédios, continua parada e em estado de penúria. Absolutamente nenhum real foi para a compra de insumos e produção de remédios. E todo o resto do dinheiro gasto e pago foi para custear “vencimentos e vantagens”, “obrigações patronais”, “auxílio-alimentação”, “serviços de terceiros”, “auxílio-transporte” e “diárias”.

É absolutamente chocante como Minas continua sem gastar sequer um único real com materiais de saúde em três meses. Não estou falando aqui do discurso genérico de que “saúde tem que ser prioridade”, mas do completo e absoluto descaso com aqueles cuja vida depende dos hospitais públicos de Minas Gerais. Não consigo raciocinar como o Estado não está mobilizado para que não faltem coisas tão básicas. Todos entendemos a situação financeira do Estado, mas não entra na minha cabeça como o governo prefere pagar R$ 17 milhões para uma fundação que não produz remédio em vez de comprar R$ 17 milhões em medicamentos.

O aviso que fiz em fevereiro continua válido: Belo Horizonte continua sendo o grande motivo pelo qual a saúde estadual não entrou em colapso, mas em breve, sem a regularização dos repasses, a PBH pode vir a não conseguir mais pagar sozinha o rombo que o Estado criou. Se esse dia chegar, teremos mais de 7 milhões de mineiros sem absolutamente qualquer cobertura médica. Quando um diabético entra em um pronto-socorro com o pé necrosado, o médico não receita dieta sem doce e exercícios. Ele amputa o pé para salvar a vida do paciente. Há alguns anos, eu tenho apontado o agravamento da situação do Estado. Ou se tomam decisões duras, ou decisões duras serão tomadas. 

(5) comentários

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Lilith Onaka 9:27 PM Apr 03, 2019
Vocês querem receber auxilio moradia morando na cidade que trabalham, isso é que tem que mudar. Canalhas do legislativo. E o judiciário como tem contribuído nessa crise? Tem aprovado aumento dos próprios salários. Desembargador recebendo acima do teto. Isso é que tem que ser ajustado.
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Lilith Onaka 9:26 PM Apr 03, 2019
A Funed vai voltar a produzir medicamento, se já não começou. Procure se informar, só seguir as redes sociais da FUNED. É fácil atacar os gastos do governo, os gastos com pessoal. Mas como o legislativo está ajudando pagar as contas? Vocês estão chantageando o governador em troca de cargos, de indicações politicas. Ameaçando não aprovar a reforma administrativo. Assim não consegue dar jeito mesmo. Pare de criminalizar o gasto com pessoal, com a FUNED e as demais fundações. Pare! Dê exemplo moço!
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Antônio Jair 9:11 AM Apr 03, 2019
3) Venezuelano =...costa monumental?” A pergunta saiu na bucha: “Por que tanta condescendência?” Deus foi taxativo: “VEJA O POVINHO PETRALHA QUE COLOQUEI LÁ”. // VOTE 13...E CONFIRME...SER “BURRO ÚTIL DO PT” FÁCIL MASSA DE MANOBRA DOS LEGALMENTE CONDENADOS PELA JUSTIÇA LULA, JOSÉ DIRCEU, PALOCCI, ANDRÉ VARGAS, JOÃO VACCARI NETO, E DOS FUTUROS PRESIDIÁRIOS DILMA, FERNANDO PIMENTEL, GLEISI HOFFMANN, FERNANDO HADDAD, LINDBERGH FARIAS, JACQUES WAGNER, ALOISIO MERCADANTE, GUIDO MANTEGA, ETC...
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Antônio Jair 9:06 AM Apr 03, 2019
2) Venezuelano =...atormentada por ciclones. E o frio matando gente a –50º C.? Veja os encantos e mistérios da Índia, e as belas paisagens africanas, mas fuja da miséria. Há nessas regiões muita pobreza. Já viu algo mais lindo que os fiordes da Noruega, e o gelo que joguei lá? Botei muito petróleo na Arábia Saudita e no Kuwait. Por quê? Para compensar a tristeza de costumes desumanos”. O venezuelano se deu por vencido quando Deus arrematou: “E o Brasil, imenso território, Sol o ano inteiro,...
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Antônio Jair 9:05 AM Apr 03, 2019
1) Venezuelano indagou a Deus: “Por que o Senhor tem sido tão injusto com a Humanidade? Nosso país é um dos maiores em petróleo. Temos um grande herói, Simon Bolívar, hoje mero retrato atrás da cadeira de Nicolás Maduro (atual ditador sanguinário da Venezuela). Suportamos fome, miséria, inflação de 2,5 milhões por cento ao ano”. Deus respondeu: “Procuro ser justo. Veja o Japão, tripinha de terra, um gigante tecnológico, com tufões e terremotos. Olhe os Estados Unidos, a maior potência mundial,..
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