Imbróglio

PSDB de São Paulo diz que reunião entre Aécio e Temer gera desconforto

"Prove sua inocência, senador, e aí sim retorne ao partido", afirmou o diretório

Dom, 20/08/17 - 17h35

A Executiva do PSDB em São Paulo criticou e manifestou "desconforto" em relação aos encontros entre o senador Aécio Neves (MG), afastado da presidência do partido após ser acusado de pedir R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista, e o presidente Michel Temer (PMDB).

Os dois tiveram uma reunião fora da agenda na noite de sexta-feira (18), levando a executiva do diretório municipal do PSDB a soltar uma nota de repúdio. "A presença de Aécio Neves hoje, em reuniões internas ou públicas, só nos causa desconforto e embaraços. Prove sua inocência, senador, e aí sim retorne ao partido", afirmou o diretório, acrescentando que o senador Tasso Jereissati (CE), presidente em exercício da sigla, é quem pode falar em nome do PSDB.

Após a repercussão negativa do encontro, Temer informou neste domingo em mensagens publicadas em sua conta no Twitter que o encontro com o senador mineiro foi para tratar da Cemig, dona de quatro hidrelétricas que o governo federal pretende relicitar para levantar R$ 11 bilhões e reduzir o rombo das contas públicas. "É assunto político. O tema é discutido pelo governo, aliados e equipe econômica", afirmou Temer.

"Senadores tratam dos assuntos de interesse de seu Estado. Nada mais normal. Teorias da conspiração são assunto de quem não tem o que fazer", complementou o presidente, que também disse não entrar em assuntos internos dos partidos. "Não o fiz, nem o faria em relação ao PSDB."

Em sua nota, a executiva do diretório do PSDB em São Paulo disse repudiar "veementemente" qualquer tentativa de articulação político-partidária entre Aécio e Temer.

A assessoria do senador Aécio Neves ressaltou, em nota, que o político "tratou de assuntos de interesse da Cemig no último encontro com o presidente da República".

Além disso, o texto diz que o "senador afirma que o PSDB tem responsabilidade para com a estabilidade política e a recuperação econômica do país, o que torna natural que lideranças do partido tenham conversas com o presidente e membros do governo. Estranho seria se isso não ocorresse".

A nota ainda diz que "quanto às questões internas do PSDB, essas são discutidas internamente, sem qualquer participação do governo ou do presidente".

Atualizada às 19h24

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