Política em Análise

Marília resiste à agonia do PT

Liderança em pesquisa demonstra acerto na estratégia de se poupar em 2016

Ter, 06/10/20 - 11h29
Na coluna Política em Análise, o editor de O TEMPO, Ricardo Correa, aborda a pesquisa DataTempo/Quaest que mostra a ex-prefeita Marília Campos à frente dos demais candidatos na disputa pela Prefeitura de Contagem.
audima

Os resultados da pesquisa DataTempo/Quaest para a Prefeitura de Contagem mostram que a deputada estadual Marília Campos vem passando ilesa ao dramático cenário de perda de espaço e rejeição sofrida por seu partido, o PT. Caso ela consiga manter essa força até o fim das eleições e vença a disputa, ela tende a se tornar o principal nome da legenda no Estado.

A situação de Marília Campos chama a atenção não apenas pelo fato de a ex-prefeita ter o dobro da soma dos demais candidatos, mas pelo fato de que ela consegue isso em um cenário absolutamente adverso. Basta reparar que 40% do eleitorado da cidade se diz de direita e que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador Romeu Zema (Novo), antagonistas do PT nos níveis federal e estadual, são bem avaliados na cidade. Além do mais, o PT registra 37% do rejeição no município. A maior, de longe.

Ainda assim, Marília consegue manter bons índices, inclusive alcançando 36% de intenções de voto entre os eleitores que se declaram de direita. É claro que quando os demais candidatos se tornarem conhecidos ela vai perder parte desse apoio, mas ainda assim é importante que ela, a essa altura, ostente tais números sendo totalmente identificada com sua legenda.

A situação em Contagem parece ser a única efetivamente confortável para o PT em uma cidade importante em Minas. No restante do Brasil, pelo menos quando se olha as 11 capitais que já tiveram pesquisas do Ibope registradas, o partido não é favorito. Até há candidatos de esquerda em destaque, alguns com apoio do PT, mas eles ostentam outra legenda no nome. Casos de Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre, e Edmilson Rodrigues (PSOL), em Belém. O PT pode sair de 2020 sem nenhuma capital e com pouquíssimas cidades importantes.

Mas o que explica o fato de Marília ter conseguido suplantar esses problemas ao menos no início da disputa? A resposta é: a péssima avaliação da gestão atual, de Alex de Freitas, e a estratégia política que fez com que a ex-prefeita esperasse a hora certa para concorrer. Enquanto vários nomes do partido forçaram a barra para tentar dar voos mais altos em suas disputas em 2016 e 2018, quando a situação era ainda pior, Marília esperou. Não quis ser candidata e, assim, preservou seu capital político para usar agora, quando enfrenta um cenário de desencanto do eleitor da cidade.

Altamente reativo a Alex de Freitas, que nem sequer teve forças para concorrer novamente, o eleitor de Contagem acabou por olhar com mais parcimônia para as administrações anteriores, em especial a de Marília, a última prefeita da cidade a conseguir uma reeleição. Isso foi suficiente para garantir um bom ponto de partida. Daqui em diante, porém, o jogo tende a se tornar mais difícil.

Comentários

Deixe seu comentário
* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso
LEIA MAIS
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise