Pandemia

Amor em tempos de Covid-19: casal betinense celebra 74 anos de união

Em isolamento social, idosos estão se adaptando à nova rotina e lamentam que comemoração tenha sido cancelada

Manoel e Iracema estão juntos há 74 anos e aprendem a lidar com o isolamento social
PUBLICADO EM 29/04/20 - 13h46

Muitas coisas mudaram com o distanciamento social devido a pandemia do coronavírus. Mas, em meio a tantas notícias ruins e incertezas, a história de amor do casal betinense Manoel José Pimentel , de 93 anos e Iracema Gonzaga Pimentel, de 91 anos, traz um pouquinho de alegria e esperança.

Lúcidos e cheios de saúde, os dois estão em isolamento no bairro Filadélfia, em Betim, na região metropolitana de BH e celebram, nos próximos dias, 74 anos de união. Uma grande festa, já tradicional na família, estava sendo organizada para comemorar tantos anos de companheirismo no próximo fim de semana.

Porém, desta vez, o casal não poderá receber os abraços e felicitações. "Eles têm a tradição de celebrar o aniversário de casamento participando, pela manhã, de uma missa na igreja Nossa Senhora do Carmo e, logo depois, preparamos um almoço para amigos e familiares. Neste ano, iríamos alugar um sítio, já estava tudo organizado, mas, infelizmente, com essa pandemia, tivemos que cancelar", contou a sobrinha do casal, Fernanda Fabiola e Silva.

Quando perguntado sobre a receita para um casamento tão duradouro, Manoel é enfático. "São muitos anos de estrada juntos. Para o casamento dar certo tem que ter respeito e amor. Como diz o padre, tem que amar e respeitar, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, porque o que o Deus faz, o homem não desfaz", afirmou.

Tempos difíceis
Pais de 12 filhos, eles têm 26 netos, 28 bisnetos, um tataraneto e aguardam ansiosos pela chegada do próximo, que nascerá no mês de maio. Apesar das limitações da idade, Manoel estava acostumado a fazer uma caminhada todos os dias, depois do almoço, quando percorria dois quarteirões do bairro. 

Agora, além de não poder sair na rua, ele também está aprendendo a lidar com a distância das pessoas queridas. "Ele sempre reclama que algumas pessoas não estão vindo mais visita-los, mas a gente explica que é devido a situação do coronavírus e, como ele assiste muita televisão e adora ouvir rádio, está ciente da gravidade do problema. Fica entediado, mas também tem medo e sabe que precisa se cuidar", disse Fernanda.

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