Prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Galo, Alexandre Kalil manifestou-se de forma contrária ao retorno do futebol, como vem sendo buscado pela CBF em recentes encontros com os clubes e profissionais de saúde. O político, em entrevista à ESPN Brasil, disse forma categórica que não terá futebol na capital mineira e citou como justificativa para sua fala os comerciantes que estão com seus negócios fechados devido à orientação de isolamento social estipulada pelos orgãos de saúde e também pelas determinações do município.
"Não sei, em Belo Horizonte não vai ter futebol. No interior, eu não sei. Em Belo Horizonte, não vai ter futebol. Até por exemplo. Você tem que, primeiro, dar o exemplo. Não tem importância. Se fosse uma coisa importante... Nós estamos com shopping center, restaurantes, bares, cabeleireiros, barbeiros, todos fechados. Futebol é o quê? Veio de outro planeta? Não tem ordem, não tem quem manda? Não é assim. Deixa o campeonato em suspenso, disputa depois, atrasem o Brasileiro. O Brasileiro começaria em maio? Vai começar quando? Ou vai começar o Campeonato Brasileiro agora? Eu tenho responsabilidade com a Prefeitura e o povo de Belo Horizonte", disse Kalil.
O prefeito de Belo Horizonte destacou ainda que o momento é de guerra, lembrando que competições esportivas já foram suspensas ou até mesmo canceladas por causa de um estado de excessão.
"Olha, o povo brasileiro nunca passou por uma guerra. É um povo que não conhece guerra. Nós tivemos uma Olimpíada suspensa, não tivemos Copa do Mundo por causa de guerra. Nós estamos em guerra. Então o futebol é a coisa mais importante das menos importantes. Das coisas menos importantes do mundo, porque isso é velho, o futebol é a coisa mais importante do mundo. Vou te falar com toda a sinceridade, é claro que eu sinto falta, ainda brinco o seguinte: 'de tudo que estamos passando, ainda não temos o Atlético no fim de semana, para acabar de desgraçar de vez'. Nós temos que pensar que fazer futebol é a necessidade do clube, agora nós estamos em guerra", pontuou o prefeito da capital mineira.
De acordo com Kalil, todos têm que fazer sacrifícios neste momento, assim como vários profissionais das mais variadas áreas estão fazendo.
"Tenho certeza que se os clubes se sentarem com dirigentes, com a CBF, que ela dê um subsídio, ela deve ter dinheiro, ou que faça um corte de salário para depois compensar lá na frente, porque são salários longos de três, quatro anos. Todo mundo vai ter que se sacrificar, todos terão que fazer uma parte de sacrifício. Eu estou muito à vontade para falar porque eu tenho um filho médico. Estou pensando em voltar futebol? Eu tenho um filho que toda a noite eu tenho que rezar para ele chegar em casa, ver minha netinha e com a filha na barriga da mulher dele. Então eu acho que voltar futebol para por grade em TV, sendo que as cotas estão despencando? É hora então de sentar, e falar 'está vendo a falta que o futebol faz?'. Eu acho, na minha opinião, absolutamente errado. Está vendo o que é o domingo sem futebol,, a quarta sem futebol, a terça? Agora eu sou absolutamente contra (a volta do futebol), porque nós não estamos acostumados com guerra. Isso é guerra. Um infectologista outro dia deu um exemplo muito bom. Você está dentro da sua sala de casa, aí você escuta um tiroteio lá fora, tiro começa a comer, você vai sair? Pera aí, está tendo um tiroteio aqui na porta. Eu vou ficar em casa", concluiu Kalil.
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