Recomeço

Volta por cima na terra do sol nascente

Depois de muitos problemas com alcoolismo e drogas, mineiro de Contagem encontra redenção no Japão

Josias Pereira
14/01/18 - 02h00
audima

Antes de mais nada, essa é uma história de redenção. Jonathan Reis, 28, mineiro de Contagem. “Quando você tem fama e dinheiro, sempre aproximam pessoas querendo te prejudicar”, relembra o agora maduro atleta. Quem olha a simplicidade de Jonathan não imagina sua história. Do glamour do futebol europeu ao lugar mais fundo do poço. Mas ainda bem que a vida é feita de oportunidades. No caso dele, quatro chances. Após a chuva, a terra endurece. E é bem longe do Brasil, mais precisamente na ilha de Sapporo, no Japão, que o atacante compreendeu que perseverança é poder.

A camisa 11 do Consadole Sapporo, time da Primeira Divisão do futebol japonês, lhe cai bem. Pena que a serenidade e a disciplina nipônica não lhe foram apresentadas antes. “Queria ter ido para o Japão aos 17 anos. Quem sabe minha vida seria outra?”, imagina Jonathan. Mas há um tempo para tudo debaixo do sol, inclusive o nascente.

Foi do outro lado do mundo que esse atacante de jeito simples, que recebeu a reportagem do Super FC no campo do Frigoarnaldo, em sua cidade natal, deu a volta por cima, deixando para trás as drogas e o alcoolismo, e retomando a carreira de jogador profissional. ‘Até que os pequenos seixos se tornem fortes rochas e os musgos venham a cobri-las’, diz o hino japonês. Jonathan sabe bem o significado desses versos. A vida foi a melhor escola.

Revelado pelo infantil do Atlético em 2005, Jonathan seguiu para o Real Caeté dois anos depois. Um time de empresários que fez a ponte para a Europa. Aos 17 anos, o atacante foi contratado pelo PSV-HOL por R$ 4 milhões. O mesmo PSV que abriu as portas do Velho Continente para Ronaldo e Romário. A combinação juventude e bom futebol poderia fazer com que Jonathan atingisse o topo, mas ele logo conheceu o outro lado da fama. “Isso aí sobe para a cabeça. Cheguei lá e fiz muita besteira. Me envolvi com as drogas e o álcool”, conta o atleta, que lamenta a ausência da figura paterna em sua juventude. “Meu pai arrumou outra mulher e abandonou a família quando eu tinha sete anos”, relembra.

Dependente químico assumido, Jonathan viveu um verdadeiro carrossel ano após ano. Da Champions League e duelos com ícones do futebol, indisciplina, uma lesão gravíssima no joelho, à falta de espaço. Ele foi parar no futebol de várzea. Poderia ser o fim, mas os musgos e os agouros do terrão cobriram as feridas. Campeão e artilheiro no Brumadinho, ele viu sua vida mudar de verdade em 2015, quando decidiu buscar na fé e no filho um novo caminho. “Eu precisava mudar. Queria ser um exemplo para o Caíque (filho, que hoje tem oito anos)”, relata o atleta, que chegou a ser internado em uma clínica de recuperação.

E foi aí, depois de um ano de espera, que mais uma chance bateu à porta. O outro lado do mundo o chamava. “Um empresário, amigo meu, me ligou e disse: ‘vamos para o Japão?’. Eu não pensei duas vezes. São poucos que têm a oportunidade de jogar depois de tantas reviravoltas”, comemora.

Carrossel financeiro

Valorizado. Antes de lesionar o joelho, quando atuava no PSV, em choque com o goleiro adversário e romper os ligamentos, Jonathan esteve na mira do Liverpool-ING. O passe do atleta estava avaliado em € 3 milhões (quase R$ 8 milhões na cotação da época), sua maior valorização desde a chegada ao Velho Continente.

Variação. Atualmente, seu passe, de acordo com o site Transfermarkt, está estimado em € 650 mil (cerca de R$ 2,5 milhões). Desde que chegou ao Consadole Sapporo, Jonathan Reis já entrou em campo em 38 partidas, balançando as redes 15 vezes. Este será seu último ano de contrato, mas ele possui sondagens para permanecer. 

 

Apoio incondicional de uma guerreira chamada Thais

Em seu processo de recuperação, Jonathan contou com o apoio incondicional de sua esposa, Thais Lima, sua companheira desde os 14 anos e que jamais deixou de acreditar que um dia veria o marido transformado de forma plena.

“Eu a conheço desde a escola. Eu tenho que agradecer muito a Deus por ela permanecer até hoje do meu lado. Ela foi uma guerreira de aguentar isso tudo, e hoje continuarmos juntos”, comenta. Depois de Caíque, 8, o casal agora espera o segundo filho.

A família foi o suporte que o atacante contou quando várias pessoas lhe viraram as costas. “O mundo do futebol é isso, se você não estiver dando resultados, não adianta. Eles não vão estender a mão para você”, ressalta o atleta.

1 comentários

Francisco B 11:14 AM Jan 14, 2018
Drogas e álcool? Não sei o que devo pensar disso...ele eh modelo para muitas pessoas (especialmente para a geração mais jovem!!)...se ele quer mesmo consumir aqueles substâncias, ele deveria fazê-lo de maneira “escondida”, sabem? Pelo menos eh a minha opinião sobre este assunto...vamos a ver se ele vai conseguir ganhar a luta contra drogas e o álcool...muitas vezes as pessoas reincidem, não eh?
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